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Fora da Caixa | Alexandre Valinho Gigas, poeta e radialista

Alexandre Valinho nasceu há 43 anos, na Nazaré, e vive entre Coimbra e a sua aldeia na Serra dos Candeeiros. Arqueólogo de formação, define-se como uma pessoa de múltiplas experiências e geografias até chegar a este – Alexandre Valinho Gigas – um poeta de Coimbra. Uma série de acasos e uma sensibilidade para as letras […]

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Alexandre Valinho nasceu há 43 anos, na Nazaré, e vive entre Coimbra e a sua aldeia na Serra dos Candeeiros. Arqueólogo de formação, define-se como uma pessoa de múltiplas experiências e geografias até chegar a este – Alexandre Valinho Gigas – um poeta de Coimbra. Uma série de acasos e uma sensibilidade para as letras ditou, desde cedo, a sua vocação para a escrita, em especial para a poesia. Escreveu crónicas em jornais locais (2002-2007); publicou livros: Viagens… (2006), A Rua da Irmandade (2010), Baladas da Varanda Fria (2011), A Explosão (2011) e Bucólicas (2015). Gosta de ser lido, procura ser entendido, mas acima de tudo, procura que a sua poesia chegue. Seja através de uma mensagem concreta, que às vezes uma poesia mais militante possa ter, seja, simplesmente, através da sua opção estética. Porque, diz: também nesse aspecto acho que tenho qualquer coisa a dar ao mundo da poesia. Os outros avaliarão isso, receberão, ou não, de acordo com as suas opções. Integra a Rádio Universidade de Coimbra onde dá voz a um programa sobre literatura, poesia e arte.

– O que é essencial na tua vida?

Escrever. Poesia. Mostrar poesia.

– Qual o livro que gostarias de apagar da tua memória, para o voltar a ler de novo?

2666, de Roberto Bolãno. É a mais recente obra-prima da literatura que eu conheço. Adorava esquecer-me para a ler com o mesmo ímpeto, o mesmo fulgor, a mesma curiosidade.

– Qual é a palavra mais irritante da língua portuguesa?

Liberdade. Apesar de não ser só uma palavra que me irrita é também uma palavra que me dá muito gozo discutir, debater e pensar.

– O que pensas sobre as redes sociais?

Sou um escravo mas tento fugir delas. São extremamente importantes para mostrar o meu trabalho e, portanto, vou continuar agarrado a elas.

– O que mais te preocupa na sociedade moderna?

Preocupa-me esta falta de sentido crítico que ainda perdura nos mais diversos planos, seja a questão do machismo, seja do feminismo, seja da ortodoxia religiosa.

– Se pudesses telefonar a qualquer pessoa no mundo e falar durante uma hora, quem escolherias?

Gostaria de falar com a Sra. Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra. Tentaria conhecer melhor a pessoa e a sua perspectiva enquanto vereadora e política.

– Qual foi a tua última pesquisa no Google?

Uma série de pesquisas relativamente aos Balcãs. É daqueles temas que surgem porque estou sempre a pensar em alguma coisa.

– Se alguém narrasse a tua vida, quem gostarias que fosse?

A minha filha. Porque ela sabe contar muito bem histórias.

– Qual o último concerto que viste em Coimbra?

The Cavemen, no Teatrão.

– O que é que te inspira?

Muitas coisas. Tudo o que leio mas também as pessoas. E esta cidade, com a sua geografia e a sua luz, está cheia de pessoas que me inspiram. 

– Qual o livro que te recusas a ler?

Lolita (Vladimir Nabokov, 1955).

– Em que filme ou livro gostarias de viver?

Agrada-me muito mais a realidade ou esta proximidade à realidade que os autores agora ensaiam. Teria de ser uma irrealidade, por exemplo, o mundo de Tolkien. Sou grande fã.

– À medida que o tempo passa, qual o teu maior receio?

Não ter tempo para tudo. 

– O que esperas que nunca mude?

O amor. É o único mandamento. Porque o ser humano tem a capacidade de ser horrível, já comprovámos isso, portanto, o amor é o que nos dá a capacidade de melhorar em todos os outros aspectos. Que não mude a nossa vontade pelo amor.

– Se pudesses fazer uma só regra que toda a gente seguisse, qual seria?

Plantar coisas: árvores, plantas…Plantar naturezas.

– Quando é que a censura é válida?

Nunca.

– Qual o hábito que tens agora mas desejavas ter começado mais cedo?

Comer menos carne e plantar mais árvores.

– Que músicas te fazem sentir nostálgico?

Vários tipos de música. Agora ouço mais música clássica – Wagner -, mas também música pop – Tindersticks – e algumas mais antigas de Pink Floyd. 

– Quando foi a última vez que alguém te disse: Eu avisei-te! ?

Possivelmente a semana passada. É algo que me dizem muitas vezes. Tem a ver com o facto de eu ser muito distraído. Coisas simples, do tipo: Não te esqueças de confirmar se o ferro está desligado! e sair de casa e deixá-lo ligado.

– Qual o livro que todos deveríamos ler?

Se tivesse de recomendar algum seria o O Inominável, de Beckett. Mas é necessário que cada um faça o seu percurso para chegar ao entendimento de determinados livros.

Associa palavras 

destino – poesia
música – rock
bebida – gin
comida – muita! 
sonho – escrever
pessoa – a minha filha
cor – azul
som – campo
livro – O Inominável, de Samuel Beckett
objectivo – ser feliz

Preferias ter uma vida que durasse mil anos, ou 10 vidas que durassem 100 anos?

Uma vida que durasse mil anos. Precisamente por isso, o acumular de conhecimento, logo a repercussão desse progressivo acumular seria diferente do que repartido por dez vidas.

 

Texto: Célia Lopes
Fotos: João Azevedo

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