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Do Startup Capital Summit saíram ideias para captar empresas e reter talento nos municípios

A construção de hubs locais de inovação foi um dos temas do Startup Capital Summit, um evento nacional que decorreu em Coimbra e reuniu startups, empreendedores, decisores políticos, investidores, investigadores e estudantes.

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Fotografia: Mário Canelas e Filipa Queiroz

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O Startup Capital Summit é um evento nacional sobre capital de risco, inovação, empreendedorismo e transferência de tecnologia em Portugal. A estreia desta iniciativa teve lugar em 2019, no Pavilhão de Portugal, em Coimbra, e contou com cerca de 300 participantes. A edição de 2022, realizada a 11 de Maio, acolheu mais de 1000 pessoas que assistiram a mais de 70 painéis e conversas sobre empreendedorismo, inovação e políticas públicas.

Às 9h30, já tínhamos um passe de imprensa ao pescoço e estávamos preparados para mergulhar no grande auditório do Convento São Francisco, para um dia inteiro recheado de conversas e apresentações sobre temas que andam na boca do mundo do empreendedorismo. As portas do auditório estavam abertas de par em par e vimos as centenas de lugares ocupados por empreendedores, fundadores de empresas, decisores políticos, investidores, investigadores e estudantes. 

Num dia marcado por muito networking entre todos os participantes – oradores e público -, um dos painéis da conferência da manhã foi dedicado ao tema da criação de hubs locais de inovação. O objectivo desta conversa era perceber como podem os municípios e as regiões tornar-se berços e motores para a inovação, para a retenção e captação de talento.

Durante meia hora, Braga, Coimbra e Porto foram as cidades em palco que partilharam desafios e soluções, reflectindo sobre as suas vantagens competitivas e ainda sobre as condições necessárias para o desenvolvimento de ecossistemas de inovação nos municípios.

Questionado sobre como evitar que o investimento inicial nas startups não se perca para territórios mais competitivos, José Manuel Silva, Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, respondeu que o município tem um papel determinante. «Criámos uma via verde para o investimento, estamos a criar um conselho estratégico para o desenvolvimento de Coimbra, queremos criar meios, nomeadamente um fundo que permita financiar startups também com parceria público-privada e co-patrocinar essas iniciativas e atrair business angels e outros fundos que venham investir em Coimbra.»

E prosseguiu, afirmando que «temos aqui, num ecossistema de uma cidade de quase 15 minutos, mas também toda a sua região, todas as condições não só para fixar nómadas digitais como para criar locais, espaços de cowork, que nos permitam receber grandes empresas. Temos um regulamento que reduz as taxas e apoia o investimento, mas sobretudo queremos também nós próprios criar as condições para cofinanciamento das novas iniciativas e das startups». José Manuel Silva entende que a Câmara Municipal deve «contribuir para garantir esta taxa de êxito que a Universidade tem garantido no Instituto Pedro Nunes, é que mais de 65% das empresas que ali foram incubadas continuam vivas e em crescimento.»

Ricardo Rio, Presidente da Câmara Municipal de Braga, afirmou que «o território no seu todo é mero veículo daquilo que é a vontade de todos os agentes de desenvolvimento do território que tem procurado aproveitar os recursos disponíveis, desde logo da sua população da qual 40% está abaixo dos 30 anos de idade, uma percentagem relevante no contexto nacional e internacional.» Outros factores apontados para a fixação e retenção de talento são a existência de uma capacidade empreendedora consolidada nos últimos anos, de um tecido empresarial muito diversificado e sobretudo da capacidade instalada dos centros de produção de conhecimento e de formação de quadros superiores, tais como a Universidade do Minho, o Instituto Ibérico de Nanotecnologia, o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave e a Universidade Católica Portuguesa.

Confirmando não haver concorrência directa entre Braga e Porto, mas uma relação de parceria e proximidade, o autarca bracarense afirmou que o objectivo comum a toda a região é tornar-se um destino natural para quem quer empreender e inovar. «Através da Invest Braga [Agência para a Dinamização Económica de Braga], temos um programa que se chama Talento em que temos procurado não só fixar os recursos humanos que já existem na cidade, mas também para captar cada vez mais novos cidadãos para a cidade, nacional e internacionalmente. Braga foi a cidade que mais cresceu em valor absoluto em todo o país, cresceu cerca de 6,5%, graças à capacidade de fixação de pessoas cujo principal argumento tem a ver com a qualidade de vida. Quando se fala de qualidade de vida, podemos falar de aspectos mais imateriais, ou podemos falar falamos de um aspecto, que é crucial, que é a dinâmica económica, a capacidade de criar oportunidades de trabalho, de investimento e desenvolvimento de novas ideias de negócio.»

Braga foi a cidade que mais cresceu em valor absoluto em todo o país, cresceu cerca de 6,5%, graças à capacidade de fixação de pessoas cujo principal argumento tem a ver com a qualidade de vida. (Ricardo Rio)

Do executivo municipal do Porto, o Vereador com o pelouro da Economia, Emprego e Empreendedorismo, Ricardo Valente, afirmou que o Porto, tal como Portugal, tem renascido como pólo de atracção de investimento. «Desde 2013, o Porto alterou o seu posicionamento do ponto de vista de estratégia de cidade e colocou como eixo central a atracção de investimento, sobretudo internacional. Hoje, as empresas estrangeiras localizadas na cidade do Porto representam 23% do valor acrescentado bruto na cidade, representam 18% do emprego na cidade e os últimos dados dizem-nos que, nos últimos cinco anos, o investimento directo estrangeiro foi de 4.6 mil milhões de euros.»

Para Ricardo Valente, o principal desafio que se coloca às startups é a capacidade de se transformar num negócio e empresa. «É a capacidade de scale up, de fomentar a criação de empresas e, depois, de fomentar a capacidade destes negócios, que têm uma taxa de mortalidade enorme, de crescer dentro dos seus territórios e fomentar um ecossistema. É isto que depois cria os tais hubs de inovação.»

O desafio do êxodo de startups portuguesas

A política fiscal tornou-se num tópico central deste painel, sendo apontado por Ricardo Valente como uma alteração necessária para a criação de valor nacional. «Temos de perceber que o empreendedorismo é a semente, mas depois temos que ter a capacidade de fazer com que essa semente dê lugar a uma planta, que a planta dê lugar a uma árvore e que essa árvore dê lugar a uma floresta, senão o que fazemos é exportar sementes quando acho que temos de criar florestas.»

José Manuel Silva apontou a desburocratização e uma política fiscal mais atractiva como duas importantes condições para a fixação de empresas na cidade. «Não é por vontade própria que os unicórnios saem de Portugal para os EUA, Alemanha ou Inglaterra. Os unicórnios portugueses saem por necessidade de crescimento. Temos de ser parte de um todo maior europeu para termos essa capacidade, de fixar essas empresas. O talento português é conhecido e procurado. Exportamos talentos, queremos criar condições para que eles se fixem na cidade. Os unicórnios são como os filhos que um dia saem de casa dos pais. Temos de procurar as oportunidades que esse mundo global lhes dá. Temos de analisar a política fiscal e também a carga de burocracia.»

Portugal transformou-se no país da moda. (…) E é importante que Coimbra também volte a estar na moda, seria bom para todo o país. (Ricardo Rio)

Para Ricardo Rio, apesar do salto qualitativo na dimensão reputacional do país, existirá sempre uma questão de escala que não é possível encontrar em Portugal. O Presidente do executivo municipal de Braga defende que «mais do que esse resultado natural, é importante aproveitar o processo e estabelecer uma relação muito próxima entre startups e o tecido empresarial da cidade, dos diferentes sectores.» 

O Startup Capital Summit é uma iniciativa organizada pela Universidade de Coimbra, pela Câmara Municipal de Coimbra e pelo Instituto Pedro Nunes, e conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República Portuguesa e com o apoio do Banco Português de Fomento (BPF), do Fundo Europeu de Investimento (FEI) e do Banco Europeu de Investimento (BEI).

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