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Há utentes a esperar 4 horas por transporte público mas o alargamento de cobertura não é uma prioridade

Melhorar a rede de transportes públicos nas freguesias periféricas do concelho e permitir criar novas centralidades foram promessas eleitorais do actual executivo de Coimbra, mas a administração dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) admite que agora está apenas focada na modernização e fiabilidade dos equipamentos.

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Fotografia: Mário Canelas

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Estamos em Arzila e são 10 horas da manhã. Esta localidade, na fronteira dos concelhos de Coimbra e Montemor-o-Velho, é das que têm menor serviço prestado pelos Serviços Municipalizados de Transportes Públicos de Coimbra (SMTUC). Os autocarros passam seis vezes entre as seis e as oito da manhã e, a partir daí, são escassas as suas passagens,como explica Rose Duarte, empregada fabril que vive no Ameal (Taveiro) e tem os filhos a estudar em Arzila. «Deixo-os aqui às nove horas e depois tenho de esperar mais de uma hora até poder ir para casa. À tarde venho às 17h e tenho autocarro às 17h35», descreve.

Paulo Carramanho, que também vive em Arzila e trabalha no Mercado Abastecedor, em Taveiro, também aponta para as dificuldades no transporte, até porque trabalha no horário nocturno. «Entro às 23h00 no mercado abastecedor e tenho de apanhar o autocarro às 21h00. Depois estou duas horas a fazer tempo», revela. Quando sai, às 8 horas da manhã, há autocarros, mas tem de atravessar estradas na Zona Industrial de Taveiro para chegar à paragem, numa altura de grande tráfego. «E o autocarro que parte de Arzila fica numa paragem sem resguardo, quando está a chover é um problema estar à espera», lembra. Às 10h15, chega um dos poucos autocarros que servem Arzila durante o dia. Entram seis passageiros. O veículo, vemos pela matrícula, é de 1996.

Não é só em Arzila que os utentes dos SMTUC consideram serem necessárias melhorias. Isabel Cardoso vive na Espadaneira, em São Martinho do Bispo, e lamenta que tenha havido uma redução dos horários. «Na linha 13 tiraram-nos três horários, das 7h05, 8h05 e 9h05. Trabalho por turnos na recepção das piscinas Rui Abreu (na Pedrulha), e costumo entrar às 7h, com tolerância às 7h15, porque os primeiros utentes chegam às 7h30. Agora tenho de pedir à minha chefe para chegar mais tarde», conta.

Ao fim-de-semana são maiores os problemas, com Isabel Cardoso a contar uma situação que lhe aconteceu recentemente. «O meu filho levou-me ao [centro comercial] Fórum para fazer compras a um Domingo e, no regresso, tive de esperar quatro horas por um autocarro», recorda. Também em São Martinho do Bispo, mas em Fala, Lúcia Santos também aponta para as alterações de horários. «A situação aqui prende-se com a falha de autocarros e a alteração dos horários. Isso provoca muitos constrangimentos para o trabalho e outros compromissos. A minha sobrinha, no Inverno, por falhas de autocarros no horário devido, chegava a casa muito tarde, já bastante de noite», critica.

Olhando para as 112 medidas do Programa Eleitoral, há duas que apontam para a mobilidade de transportes colectivos: a número 17, em que a coligação se compromete a «tornar os SMTUC um meio de transporte fiável em que as pessoas possam confiar para os levar a horas ao seu destino, reforçando o serviço social e inclusivo, através de uma reformulação geral da rede dos SMTUC para simplificação e otimização do seu funcionamento e introduzindo medidas infraestruturais de apoio e priorização dos transportes públicos».

Bom índice de satisfação

Segundo o Portal da Queixa, os SMTUC têm um índice de satisfação elevado. O rácio dos Serviços é de 72.2, numa escala de zero a 100, obtendo 4,5 estrelas. O mesmo Portal regista 65 queixas no último ano, com uma taxa de solução de 96,8% e uma taxa de resposta de 98,5%. No entanto, é no último ano que as avaliações aos Serviços mais têm baixado. As 17 avaliações feitas por utentes nos últimos 12 meses atribuíram uma pontuação total de 1,8 em cinco.

Mudanças demoradas

Perante os problemas de cobertura de rede de transporte público que nos denunciaram, falámos com Anabela Ribeiro, investigadora no Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e especialista em mobilidade urbana, que admitiu não ser uma situação fácil de resolver. «O problema tem mais a ver com as pessoas que vivem nos arredores, mas a população está muito dispersa, muito espalhada no território, não há sistema de transporte que sobreviva se responder a todas estas localidades», considera.

Como alternativa, Anabela Ribeiro propõe que alguma cobertura do concelho seja feita com miniautocarros e que haja circuitos contínuos, dando um exemplo urbano que, no seu entender, não está devidamente coberto. «Podia haver um circuito contínuo entre os três Pólos da Universidade. Captaria muita procura, seria um bom investimento», entende. Admite, no entanto, que estes dois problemas levarão tempo a ser resolvidos. «Não pode ser feito de um dia para o outro, mas tem de ser feito», assegura.

A investigadora completa que a escassez da rede não é exclusiva dos arredores, dando o exemplo do Pólo II da Universidade. «O autocarro nunca foi pensado para zonas como o Pólo II. Ao fim do dia, para ir da Baixa para o Pólo II, os passageiros demoram quase tanto como de Coimbra a Aveiro de carro. O serviço não atende a estas necessidades», aponta.

Restrições a carros

Admitindo ser muito difícil a solução para os problemas dos SMTUC, Anabela Ribeiro entende que esta tem de passar por uma política estratégica de mobilidade, completando que é difícil a população aderir ao autocarro «quando pode ir com o carro para todo o lado». Segundo a investigadora, há cidades universitárias onde os automóveis particularess não podem entrar no Campus Universitário, havendo uma ligação de transportes públicos que se articula entre o espaço académico e o resto da cidade.

Aumentar qualidade e fiabilidade

Falámos com a administradora dos SMTUC, Ana Bastos, sobre as soluções e objectivos da Administração para o curto prazo. Embora reconheça alguns problemas na cobertura da rede dos transportes, a também vereadora da Câmara Municipal de Coimbra, com a pasta dos Transportes e Mobilidade, explica que resolvê-los não é a prioridade imediata. «Nesta fase, o alargamento da cobertura não faz parte dos objetivos deste Conselho de Administração. Face aos problemas enfrentados pelos SMTUC e, na impossibilidade de alargar a frota de autocarros, no muito curto prazo, o objectivo passa por aumentar a qualidade e fiabilidade do serviço já criado e oferecido», aponta.

Para atingir esse objectivo, foi lançado, na reunião de Câmara de 16 de Maio, o concurso para aquisição de 22 autocarros elétricos de transporte urbano de passageiros e respectivos carregadores de baterias. Esta operação é financiada pelo Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR) num investimento total de 8,8 milhões de euros. Estes autocarros terão ainda os requisitos para o acesso facilitado para pessoas com mobilidade reduzida, destinados para transporte público colectivo urbano de passageiros. Para além desta aquisição, Ana Bastos anuncia o investimento nas novas tecnologias, nos sistemas de bilhética e de informação.

A administradora destaca o ano de 2024 como um ponto de viragem na mobilidade colectiva em Coimbra, devido à previsível entrada em funcionamento do metrobus.

«Foi recentemente lançada a adesão dos SMTUC à plataforma MOOVIT (aplicação mundial de mobilidade urbana), permitindo a todos os interessados aceder a informação sobre horários, em tempo real, através do seu Smartphone. Estamos a ultimar a migração para o novo sistema de bilhética, em total articulação com o sistema a ser adotado pela Metro Mondego, o que irá, com a sua entrada ao serviço, potenciar a criação de passe único e de uma bilhética integrada», adianta, completando que, «com estes investimentos, e tirando partido da sensibilidade ambiental das camadas etárias mais jovens, a estratégia dos SMTUC centra-se em cativar os jovens e estudantes a aderirem aos transportes púbicos urbanos, com claros benefícios económicos, sociais e ambientais».

A questão das paragens e do seu conforto está, para a administradora dos SMTUC, dentro do objectivo do aumento da qualidade. «Importa melhorar a qualidade e atratividade do sistema de transportes públicos, sendo as paragens uma componente essencial do sistema, enquanto interface de ligação à componente pedonal. Tal passa não só pela localização adequada para materializar as paragens, como pela garantia das melhores condições de conforto e segurança (plataformas em passeios para receção da paragem e iluminação pública). Em complemento, a salvaguarda de boas condições de espera (abrigos dotados de bancos) e de informação são componentes obrigatórias para a melhoria contínua e progressiva do sistema», descreve.

Articulação com o Metro

Os SMTUC foram uma das instituições referidas no Programa Eleitoral da coligação Juntos Somos Coimbra, que venceu as eleições e compôs a maioria do Executivo. Olhando para as 112 medidas do Programa Eleitoral, há duas que apontam para a mobilidade de transportes colectivos: a número 17, em que a coligação se compromete a «tornar os SMTUC um meio de transporte fiável em que as pessoas possam confiar para os levar a horas ao seu destino, reforçando o serviço social e inclusivo, através de uma reformulação geral da rede dos SMTUC para simplificação e otimização do seu funcionamento e introduzindo medidas infraestruturais de apoio e priorização dos transportes públicos».

Mais à frente, a medida 34 falava em «melhorar a rede de transportes públicos nas freguesias periféricas do concelho, com vista a fornecer um serviço de qualidade com horários e linhas que cubram as suas reais necessidades e permitam criar novas centralidades, dotando-as também de circuitos de qualidade para a mobilidade suave, atraindo novos residentes que procurem grande qualidade de vida».

Ana Bastos recorda esses pontos, mas lembra que o programa foi elaborado para um período de oito anos, estando ainda numa fase inicial. Acrescenta que, «a agravar, importa ter presente que este executivo tomou posse numa fase final do programa quadro de financiamentos, não tendo ainda aberto o programa de financiamento para a década 20-30».

Quanto ao futuro, a administradora destaca o ano de 2024 como um ponto de viragem na mobilidade colectiva em Coimbra, devido à previsível entrada em funcionamento do metrobus. «O ano de 2024, será possivelmente o ano de entrada ao serviço do Metro Mondego, pelo que será igualmente uma época de total reestruturação da rede dos SMTUC, adaptando-os a um serviço complementar, mas essencial para assegurar o serviço de cobertura global do território do concelho. Quero acreditar que, apesar dos inúmeros desafios e previsíveis dificuldades que os SMTUC terão de enfrentar nos próximos quatro anos, os munícipes de Coimbra, saberão rever os seus hábitos de mobilidade, reconhecendo o papel central e social assegurados pelos SMTUC», defende.

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