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Cidadãos Cool: Sofia Correia 

A Livraria Faz de Conto encanta os olhos de todos os que por ela passam. Com a ambição que desde sempre a acompanha de mudar o mundo, Sofia convida-nos a subir as suas escadas e a olhar para dentro dos livros e sonhar.

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Fotografia: Mário Canelas

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«Quem quer cultura recorre à leitura», diz Sofia Correia, que gosta de ver os livros como um prazer, como algo que nos abre a mente para algum ponto de vista que ainda não tínhamos percebido sozinhos, seja pelo nosso contexto familiar, social ou económico. Para a livreira, esse é o grande poder do livro, já por isso lhe construiu uma casa, com umas escadinhas à porta, pássaros que pousam no telhado e muitas estrelas lá dentro. Mas já lá vamos.

Sofia nasceu, cresceu e estudou em Coimbra, e o carinho que guarda pela cidade motiva-a a «criar na cidade uma comunidade para o mundo e para quem gosta de livros». O amor pela arte e literatura, sobretudo ilustrada, desde cedo a acompanha em conjunto com uma grande vontade de mudar o mundo. Foi essa ambição que a motivou a enveredar pela área da Engenharia Ambiental. Sempre quis trabalhar na área da sustentabilidade, especialmente na conservação da natureza, mas quando se deparou com a realidade da profissão percebeu que, afinal, não era o que esperava.

Cansada de trabalhar num escritório, em frente ao computador, sem ver muitas pessoas, acabou por se despedir, sem plano B. Foi nessa altura que perguntou a si mesma: «O que farias se não tivesses medo?». Sofia tentou perceber o que a animava e decidiu fazer uma viagem pela Itália, Suíça, Holanda e Inglaterra. Num hostel onde ficou hospedada, em Londres, conheceu uma mulher que também viajava sozinha e confiou-lhe o que a inquietava. «Não sabia o que queria fazer da minha vida, queria fazer muitas coisas, mas o que quer que fosse tinha de me concentrar e tinha de gostar. Ela aconselhou-me, então, a tentar perceber do que é que eu falava às pessoas com mais entusiasmo.»

Na altura, ouviram-se grilos. Sofia não tinha percebido o que ela queria dizer. Mas tentou fazê-lo, encarando-o como um exercício e chegou à conclusão de que o que o contava mais às pessoas era sobre as livrarias que tinha visitado, os livros que tinha comprado ou que trazia sempre consigo. «Às tantas já trazia mais livros na mala do que roupa e,quando voltei, percebi que era isto que eu queria fazer!». 


E o que fez Sofia ao medo? «O medo tive de o ultrapassar, por fases. Quando percebi que era este o projeto que queria levar para a frente, tive medo de contar às pessoas pelo julgamento que iam fazer, por ser uma engenheira ambiental a abrir uma livraria infantil.» Apesar de colegas e família não compreenderem a vontade que tinha no projeto, Sofia foi avançando lentamente. «É preciso muita força de vontade e explicar porque é que o queremos fazer. Quando explicamos às pessoas que é realmente aquilo que queremos e que nos vai fazer feliz, as pessoas percebem». 

Sofia deu aulas de yoga e foi uma aula debaixo das estrelas que a levou até ao Exploratório – Centro Ciência Viva de Coimbra, que lhe abriu as portas para avançar com o novo projeto de vida. «Reuni com o Diretor do Exploratório, Paulo Trincão, e falei-lhe no projeto que conspirava e este respondeu-me que gostava de ter uma livraria infantil no Exploratório. Foi como uma sinergia». Uma vez que Coimbra não tinha uma livraria dedicada à infância, a Faz de Conto veio ocupar esse lugar.


«Quando temos uma ideia e a queremos ver realizada, acho que o melhor é ir falando com as pessoas e explicar. Eu fui falando e as coisas foram acontecendo. Fiz um curso de Gestão de Projetos e Empreendedorismo no IEFP, que me ajudou bastante a preparar o plano de negócio e a estruturar a ideia. Aí, conheci muita gente que me ajudou a conseguir concretizar a livraria. Acho que não devemos, de todo, guardar as ideias para nós. Tive oportunidade de ajudar o Rui Loureiro numas sessões de empreendedorismo com jovens até ao nono ano, e este disse-me que devia fazer Erasmus para jovens empreendedores. E eu fui fazer. Eu já tinha a ideia de negócio estruturada, plano de negócio mas não tinha experiência profissional na área, e o intercâmbio podia ajudar-me a ganhar experiência. Tentei ir trabalhar para a Bertrand e para a Fnac, mas sem sucesso.»

«Eu acredito que uma livraria é um centro cultural e um centro de comunidade. Gosto que este seja um local de encontro e de partilha de experiências e gostos. Acho que as livrarias devem ser vistas como tal. É isto que eu pretendo dar às pessoas, partilha de coisas em comum e espaço para aprendizagem.»


Sofia Correia acabou por ir para Madrid, trabalhar numa livraria e aprender. A experiência trouxe-lhe segurança. Do lado mais técnico à forma de ajudar as pessoas a escolher o livro mais adequado para o que procuram, além de falar com fornecedores. «O empresário/empreendedor que nos recebe também tem a vantagem de estar a receber alguém com ideias de negócio frescas, portanto, há uma troca de aprendizagens. Tive a sorte de estar lá [em Espanha] no Dia do Livro (23 de Abril) e, em Barcelona, celebra-se muito. Há a tradição do homem dar uma flor à mulher e a mulher dar um livro em troca ao homem. É um pico de vendas brutal.»

No final de Junho de 2017, Sofia Correia regressou a Portugal e, em Novembro, deu à luz este projecto. Tratou das burocracias, encomendas, contas no banco…e inaugurou o espaço. «Havia muita gente no dia da inauguração, contaram-se histórias, tivemos uma Hora do Conto a cada hora do dia…foi um sucesso que eu não contava.»


A viagem não é linear, há momentos excelentes mas também há momentos menos bons, há angústias. Questionamos Sofia sobre como lida com as fases menos boas e ela respondeu-nos que «a livraria fez quatro anos em Novembro, em que quase dois foram de pandemia. Fui sempre seguindo o meu instinto. Na altura, tivemos de fechar mas eu queria continuar os encontros regulares de leitura de histórias que tínhamos aqui na livraria. Então, o que fiz foi uma transposição dessas leituras de histórias para Lives no Instagram, ao Domingo. A comunidade que eu criei no espaço físico, tentei não perdê-la no online. Já tinha alguma visibilidade digital e esta foi uma das formas que arranjámos para continuar a juntar as pessoas.»

Localmente, a livreira foi a casa dos clientes entregar encomendas e todo o processo acabou por ser cansativo. «Apesar de a livraria estar fechada, eu passava lá os meus dias a preparar encomendas, atender chamadas e responder a mensagens, a embrulhar livros. No início fazia gratuitamente o serviço de entrega, actualmente, continuamos a fazê-lo mas cobramos. Foi muito gratificante para mim, porque quando fazia as entregas, os miúdos conheciam-me da livraria e de contar as histórias e diziam-me adeus pela janela ou pelo corredor do prédio. Percebi que era importante para as famílias e tornou-se também importante para mim, porque pude acompanhar, consegui que as pessoas não se sentissem tão sozinhas e não se sentissem de parte.»

Perguntámos o que motivou a livreira a abrir o negócio além do sonho, o que a anima e se é importante para ela o sentido de construção de comunidade. Respondeu-nos num ápice: «Eu acredito que uma livraria é um centro cultural e um centro de comunidade. Gosto que este seja um local de encontro e de partilha de experiências e gostos. Acho que as livrarias devem ser vistas como tal. É isto que eu pretendo dar às pessoas, partilha de coisas em comum e espaço para aprendizagem.» Uma das grandes recompensas que sente, é sentir que ajuda no crescimento das crianças que a visitam. «Algumas já vêm cá desde que estavam na barriga das suas mães e, agora, já sabem ler. Sinto que de alguma forma contribuo para o crescimento delas».


A falta de hábitos de leitura na sociedade portuguesa é uma das maiores preocupações de Sofia Correia, que acredita que a mudança passa pela motivação e é uma batalha diária. Contra os números da literacia da leitura, atira como soluções a criação de hábitos de leitura desde a infância, a leitura em voz alta, a apresentação às camadas mais jovens de várias opções de leitura (até porque é uma boa fase para perceberem do que gostam) e a insistência numa mediação de leitura mais personalizada e individual. As preocupações ambientais nunca abandonaram a livreira, através das recomendações de leituras que promovam a educação para a sustentabilidade.

São principalmente famílias com filhos pequenos que procuram a Faz de Conto para escolher os livros lá para casa e o próprio contexto comunitário que é a livraria. Vão à Hora do Conto, são pessoas que dão valor ao livro durante o crescimento das crianças. Muitos são também professores que vêem e utilizam o livro nas aulas como forma de iniciar conversas, dissolver dúvidas, criar soluções em conjunto. 

Actualmente, Sofia Correia está inscrita numa pós-graduação em Livraria em Barcelona, onde pretende estender o seu conhecimento sobre a área. Uma vez que não teve formação na área das Letras, contou-nos como é importante haver conhecimento académico para conseguir fazer um trabalho mais rigoroso. A pós-graduação prepara melhores livreiros, promove a mediação de livros e acesso à cultura. 

Para além do conceito tradicional de livraria, a Faz de Conto é um espaço de encontro para ilustradores, recebe associações que apresentam novas formas de contar histórias (por exemplo, histórias sensoriais),apresentações, lançamentos de livros, oficinas e co-responsável pelo Ilustríssimo, primeiro Mercado de Ilustração de Coimbra. 





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