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Jornalismo feminista para não deixar temas «à borda»

Em pouco mais de um mês de funcionamento, a Aborda, primeira plataforma de jornalismo feminista portuguesa lançada em Coimbra e no Dia da Liberdade já conta com duas dezenas de colaboradores voluntários, além da redacção fixa que é constituída apenas por mulheres.

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Fotografia: Mário Canelas

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Uma visão feminista da Bienal Ano Zero, as mulheres invisíveis da Revolução ou a presença feminina no mundo dos videojogos. Três temas que não são lidos habitualmente noutros órgãos de comunicação social a não ser no Aborda, ou, se preferirem, no aborda.pt. O primeiro site de jornalismo feminista em Portugal foi fundado em Abril por Analú Bailosa, uma jovem luso-brasileira de 22 anos, finalista do curso de Jornalismo no Instituto Superior Miguel Torga, em Coimbra, que pretende incidir sobre temas relacionados com o feminismo que, segundo a directora, não se veem na comunicação social.

«Aborda vem de abordagem, mas também transformamos o A em artigo e fica À borda, ou seja, à margem», explica Analú Bailosa, completando que demorou meses a definir o nome para o portal. Mas como surgiu então a ideia para o Aborda? A directora explica que começou no último trimestre de 2020, aquando de uma candidatura ao projecto REDE – Jovens pela Igualdade, uma associação sem fins lucrativos destinada a jovens entre os 18 e os 25 anos, que tem como objectivo a promoção da igualdade de género na juventude.

«É um projecto que promove a participação activa, política e cívica. Ao candidatar-me queria fazer alguma coisa em jornalismo, que é uma área do meu interesse, e tentei perceber como podia relacionar o jornalismo com o feminismo», descreve, assumindo que, quando começou, não tinha ainda uma ideia fixa do que fazer. «Nas conversas com a minha mentora fomos percebendo como se relacionam os dois conceitos e foi nascendo a ideia do Aborda», explica.

A primeira publicação do Aborda data de 25 de Abril de 2022, uma data por si só marcante, como recorda a directora, referindo-se à Revolução dos Cravos que representou o fim da ditadura em Portugal há quase meio século. Desde então, acumulou mais de duas centenas de seguidores no Facebook, 1300 no Instagram e 766 no Twitter. «O feedback está a ser 100% positivo, até agora só recebi críticas construtivas, o que tem sido uma surpresa. Houve alguns comentários negativos antes de o site ser lançado, mas não tiveram continuidade. O facto de termos feito um trabalho mais didáctico nas redes sociais, a explicar o objectivo do portal, fez total diferença», entende Analú Bailosa.

Muita autonomia

O site aborda.pt tem, na ficha técnica, 11 mulheres enquanto elementos da redacção do jornal, mas a directora afirma ter, neste momento, cerca de 20 mulheres a colaborar. «Tem havido muito interesse e temos sempre as portas abertas para quem queira trabalhar connosco. Neste momento é feito de uma forma voluntária, porque ainda não temos fundos e é um trabalho muito colaborativo, não costumo impor temas. O ambiente é muito aberto, muito horizontal», descreve.

Quanto aos temas, Analú Bailosa revela que há muita autonomia no seu tratamento, passando pela abordagem de assuntos que não são muito desenvolvidos noutros meios. «Há sempre coisas para melhorar, como por exemplo temas relacionados com a saúde da mulher. Não se vê muitos meios a discutir isso. Vejo só no meio activista», considera. A saúde da mulher é mesmo um dos temas que Analú mais quer abordar, assim como outras situações, que têm a ver com a igualdade nas oportunidades de emprego. «Acredito que ainda há muito a fazer nestes dois temas e queremos abordar isso», salienta.

À procura de apoios

O trabalho, neste momento, é feito de forma voluntária, mas o objectivo é conseguir fundos para que as jornalistas sejam remuneradas e as condições sejam melhores. «Tenho visto tudo o que são candidaturas a financiamentos, mas são processos demorados. Neste momento tenho tido apoio da REDE, mas ando a correr atrás», salienta a directora. Acrescenta que qualquer pessoa pode ajudar o projecto, através de uma aba no site do Aborda. «Qualquer ajuda é bem vinda», aponta.

Para o futuro, o grande objectivo de Analú Bailosa é chegar a cada vez mais pessoas. «Não sei se vamos ser melhores ou maiores, mas estamos em fase experimental. Espero chegar a mais pessoas», destaca. No futuro, também não fecha a porta a ter homens na redacção. «Neste momento queremos ter só mulheres, também para afirmar o Aborda como um site de jornalismo feminista, mas futuramente as portas estão abertas», assegura.

Entusiasmo na redacção

«Com o feminismo em foco, o intuito não é colocar em plano de superioridade o feminino, mas sim mostrar como há capacidade, também na mulher, para desempenhar certos cargos. Esta é a primeira edição da Bienal Anozero com mulheres na posição de curadoras. 2022 sinaliza também o ano em que há maior representatividade feminina. Entre o corpo de artistas, elas representam 65% dos 45 nomes que expõem». Este parágrafo faz parte do artigo do Aborda sobre o olhar feminista da Bienal Ano Zero, assinado por Ana Carolina Patrão.

Ana Carolina conheceu o Aborda através de Analú, sua colega de curso, e confessa que sentiu logo vontade de fazer parte do projecto. «O Aborda despertou-me a atenção por causa de assuntos que não são habitualmente falados. Quando a Analú me apresentou o projecto achei muito interessante. Quando entrei para o curso, foi a pensar no papel do jornalismo na procura pela verdade e pela igualdade. O Aborda permite-me juntar esta vontade de procurar igualdade com a paixão pelo jornalismo», conta a jovem, de 20 anos, finalista de Jornalismo no Instituto Superior Miguel Torga e uma das jornalistas do A borda.

Carolina já escreveu o artigo sobre a Bienal Ano Zero e tem mais dois agendados, destacando a autonomia que lhe tem sido dada pela directora. «Tem sido incrível. Tenho tido um apoio excepcional e quero continuar a fazer parte deste projecto», salienta.

Muito caminho a fazer

A directora do Aborda vê com optimismo que já alguns meios de comunicação nacionais sejam dirigidos por mulheres, como o Diário de Notícias, o Jornal de Notícias e a revista Sábado. No entanto, apenas o vê como um primeiro passo e não como um grande avanço. «Haver directoras em órgãos nacionais é um primeiro passo. Já se começa a discutir a igualdade de género nas redacções. Mas não impede que os temas sejam tratados de forma diferente», considera. No entanto, acredita que «se está a caminhar para um lugar melhor».

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