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«Mercadona é bem-vinda a Coimbra, mas não ao Atrium Solum»

Lojistas e frequentadores do centro comercial da Avenida Elísio de Moura conhecido pelo «ambiente familiar» estão preocupados e avançam mesmo com uma petição contra a instalação da cadeia de supermercados espanhola no local, que o executivo confirma que vai mesmo avançar.

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Fotografia: Mário Canelas

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Gil Vieira da Silva conhece quase todas as pessoas que estão nas mesas da zona de restauração do centro comercial Atrium Solum, no final da Avenida Elísio de Moura e próximo do Centro Comercial Gira Solum. Cumprimenta-as, conversa com elas e faz algumas brincadeiras. «Isto é o meu centro de dia. Venho às oito horas da manhã e estou até à hora de jantar», conta, meio a brincar, o engenheiro agrónomo reformado, que vive numa das ruas paralelas ao local. Daí que a notícia que circula de que o espaço vai dar lugar a um supermercado da cadeia Mercadona, entretanto confirmada pelo presidente da Câmara Municipal de Coimbra, o tenha deixado incomodado.

«Não tenho nada contra a Mercadona e acho muito bem que venha para Coimbra. Mas não para o Atrium Solum, há mais locais onde se instalar. Aqui vai criar um caos, com barulho e estacionamento desordenado. Para além disso, já temos três grandes superfícies nesta zona», justifica Gil Silva. Sobre o Atrium Solum, que alberga cerca de 30 lojas, entre elas ourivesarias, livrarias, supermercado, centros de estética, bancos, quiosques, clínicas e cafés, o morador destaca o ambiente familiar que lá existe. «É um ponto de encontro de amigos, um local onde vivemos muitos momentos», destaca.

E não se fica pelas palavras. Reuniu 400 assinaturas de moradores da zona e frequentadores do centro comercial numa petição que espera entregar pessoalmente ao presidente da Câmara Municipal de Coimbra, José Manuel Silva. O objectivo, conta, é que o executivo municipal se oponha a esta instalação. «Os administradores têm direito a vender, mas não podem prejudicar a qualidade de vida dos que já cá moravam», afirma, alegando que, à volta do Atrium Solum, «moram mais de 1000 pessoas». Admite ainda recorrer a uma providência cautelar. «Está em cima da mesa reunirmos com advogados, para saber o que podemos fazer», adianta.

Lojistas preocupados

Para o engenheiro reformado, tem havido alguma redução de movimento no Centro Comercial, algo que associa a alguma desmotivação por parte das pessoas. «Estas notícias acabam por mexer com quem frequenta o Atrium Solum. Algumas lojas já fecharam e há lojistas já à procura de outros espaços, dada esta indefinição», considera.

É o caso de Maria José, que abriu a «Zé Óptica» em Outubro de 2010. «A preocupação é saber o que nos vai acontecer. Ninguém sabe e ninguém nos diz nada, tudo o que sabemos é pelos jornais», lamenta. A proprietária da óptica reforça que o Atrium Solum «tem outro carisma, é um centro comercial mais familiar».

Miguel Cristo é proprietário da loja de artigos de decoração «House and Gifts» e confirma que há preocupação no ar. «Ninguém está contra a Mercadona, mas há mais sítios na cidade para se instalarem», entende, sublinhando também o carácter social e comunitário do centro comercial. «Eu próprio sou cliente da Mercadona, mas o que está em causa é esta envolvente. É a segunda casa para muita gente», defende.

Mercadona e Atrium Solum não adiantam pormenores

Em Dezembro de 2021, a vereadora do Urbanismo da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Bastos, explicou em reunião de executivo que houve um pedido de informação prévio para a instalação da cadeia espanhola no Atrium Solum que era vinculativo, com data de Março de 2021.

Recentemente, na assembleia municipal de 19 de Julho de 2022, o deputado da CDU Rui Mendes levantou a questão: «Está em causa o encerramento de cerca de duas dezenas de pequenas lojas, aumentará para quatro as grandes superfícies naquela zona e vai privar os conimbricenses de um espaço de convívio. Vai a Mercadona ocupar o espaço sem concordância dos munícipes e do município?» E José Manuel Silva respondeu com a confirmação de que a cadeia de supermercados vai mesmo ser instalada, atribuindo responsabilidades ao executivo anterior. «Vai avançar porque a isso estamos obrigados. Herdámos uma solução definitiva», apontou.

Para perceber em que ponto está o processo, falámos com a Mercadona e com a administração do Atrium Solum, mas nem uma nem outra entidade adiantam pormenores. «Posso indicar que a Mercadona encontra-se em processo de expansão em Portugal, continuando em prospecção em vários municípios do país, mantendo o interesse em instalar-se em Coimbra. Assim que tivermos mais novidades sobre este projeto temos todo o gosto em partilhar convosco», diz a responsável pelas relações externas da Mercadona no centro do país, Carla Cunha.

A cadeia de supermercados espanhola, fundada em 1977 pelo Grupo Cárnicas Roig, actualmente com 1,633 lojas em Espanha, 29 em Portugal e uma equipa de quase 100 mil pessoas globalmente, anunciou recentemente a abertura de mais 10 estabelecimentos no país até 2023, um deles na Figueira da Foz.

Da parte do Atrium Solum, a administradora Cecília Tavares avança que não há «nada oficial e concreto» para transmitir, além do facto de terem sido feitos contactos e estudos com a intenção de instalar o Mercadona no espaço. «Neste momento, é prematuro tirar conclusões», resume.

Para apurarmos se a decisão é mesmo definitiva, falámos com David Silva, presidente da Comissão Política da Concelhia do PS Coimbra, partido que tinha a maioria no executivo na altura em que foi dado o aval para a instalação do Mercadona no Atrium. O dirigente lembra as vantagens da instalação da Mercadona em Coimbra e aponta para a complexidade da situação. «O processo avançou, teve bastantes soluções em cima da mesa, houve questões técnicas e de viabilidade financeira, tendo sido encontrada esta solução pelos privados. Se o PS, na altura com maioria no Executivo, tivesse boicotado esta solução, as críticas seriam ao contrário. É importante que se concretizem políticas de investimento e que se assumam responsabilidades», defende, deixando críticas ao actual presidente da Câmara Municipal de Coimbra. «Nada é culpa dele. Tem de se decidir se é amigo do investimento ou não».

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