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«Filmes, Figuras e Factos da História do Cinema Português, 1896-1949»

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História do cinema em Coimbra

Fomos à procura de Coimbra no baú do cinema e a cidade olhou-nos de volta

Mapeamos a cinematografia conimbricense, percorrendo títulos e realizadores, e procuramos a presença da nossa cidade na sétima arte, seja como motivo ou paisagem.

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Fotografia: Mário Canelas

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História do cinema em Coimbra

Primeira parte

Em Novembro de 2021, terminava mais uma edição do Caminhos e a Alta da cidade vibrava com os gritos de «Acção!» das filmagens do último filme de António Ferreira, A Bela América. Não se atropelam os títulos quando pensamos na presença de Coimbra na 7ª arte, pensamos nos filmes de António Ferreira, da Raquel Freire, no filme com a Amália e talvez no Amor de Perdição de Manoel de Oliveira.

A demanda de Coimbra no baú do cinema torna-se necessária e, além de ser um exercício arqueológico, é também um gesto de amor. Desvenda-se a cidade através daquilo que a tela fixou, é um registo histórico e social, e nesse sentido até as ficções se tornam documentais. Alguns cinéfilos da cidade deram orientações: Tiago Santos, da Casa do Cinema de Coimbra, deu sugestões; Abílio Hernández, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra deu dicas. E recorremos ainda à Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema. Não se pretende fazer uma lista exaustiva, destacam-se pepitas, relevâncias, de forma a traçar uma cartografia fílmica da cidade.

Primeiros filmes

Aurélio Paz dos Reis, o pioneiro caçador de imagens, filmou uma pequena sequência em Coimbra, em 1896, o primeiro registo feito na cidade. Teria cerca de 1 minuto e podemos apenas conjecturar se mostraria os operários a saírem de uma fábrica ou o movimento das gentes nalguma rua. Nesta era de primeiros passos, são feitos vários registos documentais, com destaque para El-Rei em Coimbra, de 1908 (sobre a passagem de D. Manuel II pela cidade), ou um Eclipse do Sol em Coimbra, de 1912, filmado pelo escritor conimbricense Costa Lobo. Há referência a um Inês de Castro, de 1911.

Podemos imaginá-los exibidos a uma multidão exultante nos primeiros cinemas da cidade, no animatógrafo do Salão da Trindade, no Colégio da Trindade, ou no Teatro-Circo do Príncipe Real D. Luiz Filipe, precursor do Avenida, ambos a funcionar desde 1908. Os registos multiplicam-se com o crescer da segunda década do século, como Aspectos da Viagem Presidencial a Coimbra, de 1919; Aspectos de Coimbra Pitoresca, de 1925; Panorama de Coimbra, de 1926; ou um interessante Desafio de Foot-Ball Coimbra-Aveiro, de 1926 (talvez o primeiro registo fílmico da Briosa), entre muitos outros documentais.

É possível ver alguns destes filmes no site da Cinemateca, como o Coimbra (Aspectos) – Uma Reunião de Curso, de 1929, ou o Belezas de Portugal, de 1931, em que se vêem imagens da Alta desaparecida ou as encostas de Montarroio por urbanizar.

Coimbra Filmes e publicações cinéfilas

É também por esta altura que é fundada a Coimbra Filmes, que laborou de 1929 a 1938. São criadas em Coimbra três publicações exclusivamente sobre cinema, Portugal Cine, em 1930, Projecção, em 1931, e ainda o semanário A Legenda, no mesmo ano. Sabe-se também o nome de um empresário cinematográfico da cidade, Hildérico Cardoso Inácio. Coimbra borbulhava cinema. Perderam-se muitos destes filmes da época do cinema mudo, ou porque foram vendidos à tonelada para deles extraírem substâncias necessárias ao esforço de guerra ou porque sofreram um destino mais modesto, como
aquele descrito por Félix Ribeiro para a Cinemateca, sobre os filmes de Paz dos Reis.

Os filhos do pioneiro do cinema português descreveram-lhe, certamente perante um Félix Ribeiro horrorizado, que recortavam as figuras dos fotogramas do pai para deles fazerem colagens. E assim se perdeu parte da história do cinema português, despedaçado num brincar de olhos.

Primeiros filmes

O primeiro filme de ficção feito em Coimbra foi o Amor de Perdição, de 1921, realizado a partir da obra de Camilo Castelo Branco pelo francês Georges Pallu, um dos nomes da Invicta Film. Foi filmado na Universidade, com autorização especial do reitor, desde que «os trajes escolhidos para a indumentária dos estudantes correspondessem à verdade histórica da época». Foi a primeira adaptação de Camilo ao cinema e foi também o primeiro filme português a ser distribuído comercialmente nos Estados Unidos.

Filmou-se depois A Fonte dos Amores, de Roger Lion, estreado em 1925, filme francês feito a partir de um folhetim da escritora Gabrielle Réval, que viveu em Coimbra e que terá mantido uma relação com um estudante local, o que alimentou algum escândalo na imprensa da época, pela diferença de idades. Foram filmadas cenas na Couraça dos Apóstolos, Quinta das Lágrimas, Largo da Feira, Sé Velha, Choupal e Picadeiro da GNR. As Capas Negras, de Gennaro Dini, filme franco-português de 1928, produzido pela Invicta Film e pela Coimbra Filmes, percorreu quase o mesmo contexto do filme de Lion e foi muito bem recebido em França.

O Milagre da Rainha, sobre o Milagre das Rosas, foi filmado por António Leitão, de 1931. Perdeu-se este filme. Leitão de Barros filmou As Pupilas do Senhor Reitor a partir da obra de Júlio Dinis, naquele que é um dos primeiros registos sonoros de Coimbra, de 1935. Vê-se a cidade desde o Choupalinho, um chorrilho de estudantes trajados corre pelas Escadas de Minerva e pela Alta, importunando tricanas, filmou-se a Porta Férrea e a Via Latina. Por Coimbra passou também a pioneira Amélia Borges Rodrigues, que filmou Coimbra em 1936. Fátima, Terra de Fé, de Jorge Brum do Canto, de 1943, mostra a Sala dos Capelos e um panorama da cidade. Do mesmo ano é a nova versão de Amor de Perdição, de António Lopes Ribeiro. Foram filmadas algumas cenas na Universidade, com os trajes da época.

Capas Negras

António Lopes Ribeiro alimentou o projecto para filmar em Coimbra um A República dos Pardais, que
arregimentou os notáveis da cidade à época, mas que não chegou a descolar. Este projecto terá dado origem ao Capas Negras, de 1947, filme distinto daquele com o mesmo nome de 1928. Este Capas Negras, realizado por Armando de Miranda, foi o primeiro filme de Amália. É considerado o melhor filme do realizador e teve um enorme sucesso à época, o que contrastou com a crítica local, por subverter alguns aspectos da Academia e da Canção de Coimbra.

Foi gravado na Real República do Rás-Teparta, então localizada na Rua dos Estudos, que desaparecia com a destruição da Alta. Foram também filmadas cenas no Laboratório Chimico, Jardim da Sereia, Sé Nova e no Portugal dos Pequenitos, então recém-inaugurado. Assiste-se também a um aguerrido cortejo da Queima, que atravessa uma Baixa reconhecível, se bem que com lojas bem diferentes das actuais. Deste filme é que surge uma das mais famosas canções portuguesas, Coimbra, também conhecida como Coimbra é uma Lição, e reconhecida internacionalmente como Avril au Portugal. Em 1948 filmou-se o Não Há Rapazes Maus, sobre o percurso do Padre Américo, com partes filmadas em
Coimbra. Perdeu-se este filme. É feito o pequeno filme Fado Hilário, filmado em Coimbra com música do
famoso fadista viseense, de 1949 (depois de um projecto para uma ficção, Hilário, ter falhado em 1948).

A cor preenche a tela

Enche-a em pulsões de alegria; as temáticas dos filmes desmultiplicam-se, somam-se as tentativas, surgem outros autores. Os filmes documentais aprimoram-se e trabalham com mais cuidado o ângulo turístico da cidade, sendo feitos diversos filmes nas décadas de 60 e 70. A cidade que lhes serve de pano de fundo aproxima-se daquilo que conhecemos.

Manoel de Oliveira filma alguns exteriores em Coimbra para a terceira versão de Amor de Perdição: Memórias de uma Família, de 1979. O filme foi adaptado para uma versão mais longa para televisão, em formato minissérie. Uma semana de filmagens em Coimbra captou sequências no Machado de Castro, na Sala dos Capelos, nas escadas de Minerva e na Via Latina, envolvendo centenas de figurantes contratados do Colégio de S. Teotónio e trajados à moda do início do Século XIX. O filme foi polémico quando surgiu, criticado por muitos, como Natália Correia, com Oliveira a defender-se de que o cinema é o «registo audiovisual do teatro».

De 1980 é a obra Retalhos da Vida de um Médico, minissérie de 12 episódios que foi a segunda adaptação da obra com laivos autobiográfica de Fernando Namora, que estudou em Coimbra. Esta adaptação foi feita por nomes ilustres como Bernardo Santareno, Urbano Tavares Rodrigues, Dinis Machado, entre outros. De várias cenas filmadas em Coimbra, destaca-se a sequência em que se vê o Hospital ainda instalado no Colégio de São Jerónimo, um exame oral e um rasganço no mesmo Colégio, um cortejo fúnebre nos Arcos do Jardim e uma noite de farra que envolve um jovem Virgílio Castelo numa tasca não identificada.

De documentários, surge o dedicado a João de Deus, que viveu e estudou em Coimbra, de João Ponces de Carvalho (bisneto do pedagogo), de 1980, que também realizou um telefilme sobre o seu avô, João de Deus Ramos, de 1994, fundador da rede de Jardins-Escolas João de Deus, a primeira das quais abriu em Coimbra, ao lado do Botânico. O filme acompanha estudantes trajados pelas ruas da Alta, muito degradada, mostrando um Quebra Costas antes de descoberto pelos turistas. Sobre Camões, que já tinha dado várias obras sem dar grande destaque a Coimbra, foi feita a minissérie ficcionada Aquela Cativa Que Me Tem Cativo, de 1995, que filma a juventude de Camões na cidade.

De carácter biográfico fez-se Almeida Garrett, que estudou em Coimbra, minissérie homónima de 4 episódios, de 2000. A obra Os Maias, de Eça de Queirós, que também estudou em Coimbra, tem a partir do final dos anos 70 uma sucessão de adaptações. Destas, a minissérie luso-brasileira Os Maias, de 2001, mostra sequências do percurso académico de Carlos da Maia filmadas na Universidade, no Jardim Botânico e no Largo da Sé Velha. Fez-se também Anthero – O Palácio da Ventura, de José Medeiros, de 2009, num registo ficcional que acompanha a realização de uma obra sobre Antero de Quental, que viveu em Coimbra.

Intervalo.

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