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Voluntariem-se

UC Transforma ou UC Social

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Curso de Voluntariado

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Para a Cruz Vermelha Portuguesa

Abriu mais uma porta para transformar a cidade através do voluntariado

A Universidade de Coimbra lançou a inovadora e disruptiva plataforma de voluntariado UC Transforma e o seu braço social, o UC Social, dando espaço e mão a diversas instituições e projectos de voluntariado.

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Fotografia: Mário Canelas

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UC Transforma ou UC Social

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Para a Cruz Vermelha Portuguesa

A Universidade de Coimbra (UC) lançou um programa de voluntariado chamado UC Transforma, desenhado à imagem do Transforma Brasil, uma plataforma criada por Fábio Silva e que marcou várias gerações de voluntariosa gente brasileira. A UC articulou este seu novo programa com esse programa gémeo e em parceria com a revista Fórum Estudante. 

Cristina Albuquerque, Vice-Reitora da UC para os Assuntos Académicos e Atractividade de Estudantes Pré-graduados, comenta em traços gerais: «Não é apenas um programa de voluntariado social, é um programa de voluntariado em sentido lato. É uma plataforma onde as várias iniciativas e organizações se inscrevem e os próprios estudantes procuram essas iniciativas e há um match entre aquilo que são as competências dos estudantes e aquilo que é procurado pelas organizações. A partir daí há a contabilização de horas, através dum barómetro de voluntariado».

UC Transforma

José Dias, coordenador do Student Hub, amplia a resposta: «O nosso objectivo quando criámos esta estrutura, era precisamente o apoio nas suas mais diversas vertentes. Uma das vertentes que considerámos muito relevantes é o voluntariado. O voluntariado estudantil é um espaço que Coimbra sempre ocupou, muito por via da Associação Académica de Coimbra (AAC), que sempre teve muitos programas vocacionados para esse tipo de actividades».

A UC é a universidade portuguesa com mais estudantes brasileiros e também aquela com mais estudantes brasileiros fora do Brasil. Daí que tenha feito parceria com o Movimento Transforma Brasil. «É algo que queremos potenciar. A Transforma Brasil, que é a instituição mãe, tem plataforma de match entre estudantes, professores e investigadores, não é um programa fechado na comunidade de estudantes. Eles fizeram esta parceria connosco e criaram a fórmula. Nós convidamos as organizações a colocarem as suas vagas na plataforma e os estudantes inscrevem-se. Eles têm diferentes vagas e podem candidatar-se consoante o seu perfil e interesses. Toda a plataforma foi construída entre as duas instituições. Conseguimos perceber as boas práticas que na [Transforma Brasil] eles têm na organização e financiamento, na comunicação com os voluntários

Mariana Felício, Gestora do Projecto UC Transforma, acrescenta: «As instituições vêm ter connosco, contactam directamente porque já ouviram falar, mas há também um trabalho de procurar as instituições, de as ajudar na logística, na inscrição. As instituições também nos procuram e elas próprias inscrevem as suas iniciativas».

Como é que se desenha um programa de voluntariado? José Dias esclarece: «Tentamos criar linhas de voluntariado, mas também que seja a academia a criar as suas próprias iniciativas. Temos alguns programas que foi o Student Hub que desenhou, outros foram os próprios estudantes. Um dos projectos futuros é a criação de uma incubadora social de base estudantil, em que queremos colaborar com a AAC. Vamos abrir linhas para que os estudantes coloquem ideias e apresentem os seus projectos».

Voluntariando

Alguns voluntários partilharam a sua experiência com a plataforma. João Pedro trabalhou como voluntário no apoio à vacinação da Covid19. É mestrando em Investigação Biomédica na UC e conheceu o programa de voluntariado durante a licenciatura. Comenta: «É bom que haja este tipo de programa para a comunidade estudantil. Acaba por ser um complemento interessante, [equivale a] um estágio e melhora as nossas aptidões. Melhoramos a nossa área de actuação e fazemos networking. É muito importante».

Já Catarina Cunha, a frequentar a Licenciatura em Direito da UC, acrescenta: «Creio que a primeira vez que me inscrevi foi quando participei no projecto UC Open Week, que creio que era um projecto piloto. Para além da UC Transforma ser uma plataforma superintuitiva, acabou por ser uma experiência super divertida. Eu estava em casa, dada a situação pandémica, estávamos a contactar com pessoas do ensino secundário que estão agora na UC. E gostaram do projecto, gostaram das pessoas. Eu senti-me acolhida e senti que acolhi alguém. Acho que isso é “o” voluntariado. Um projecto muito positivo, sem dúvida».

José Dias confirma. «Até agora temos recebido bom feedback. Em termos de números, temos 1500 registos na plataforma e 40 instituições. Estes são os últimos números, o que também revela uma plataforma que está a ser conhecida, que mostra tracção. Não só da comunidade, mas da cidade. Fizemos este convite às organizações para também terem aqui uma plataforma com voluntários disponíveis para ajudar. O projecto foi inaugurado em Novembro de 2020, com a pandemia houve um rombo nas actividades mais presenciais. Agora que voltamos à normalidade, o programa também».

UC Social

José Dias refere também um projecto que considera prioritário e disruptivo, o UC Social. «O chapéu é o UC Transforma; UC Social é um dos projectos englobados», comenta. «O projecto UC Social é um projecto muito recente: estamos a tentar dar um pequeno contributo às instituições sociais naquilo que têm necessidade. Esperamos que seja um projecto pioneiro em Portugal, porque esta simbiose entre a UC e o sector social é muito relevante, temos conhecimento que podemos partilhar e ajudar ao desenvolvimento destas instituições». 

A UC assinou protocolos com diversas instituições da área social para desenvolver uma linha de voluntariado responsável e sustentável. A cooperação será ao nível técnico, científico e académico e pretende-se que os voluntários do programa participem de forma mais aproximada e integrem as estruturas das instituições associadas. 

Um dos primeiros actos de cooperação foi um Summer Camp, um campo de férias para crianças e jovens migrantes, requerentes de asilo ou com protecção internacional, feito em parceria com a Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação de Coimbra (CVP) e a AAC, que decorreu ao longo de Julho e Agosto de 2022, em três edições de duas semanas cada. Estes campos de férias, pretendem promover o acolhimento e a integração de crianças e jovens na cidade através da dinamização de actividades culturais, desportivas, lúdicas e científicas. José Dias completa: «Este Summer Camp é um projecto diferenciador porque temos o acolhimento destas crianças e jovens».

Férias no Campo

Numa sala brinca um grupo de crianças, perdidas num jogo e indiferentes a quem as observa. Adriana Cruz, voluntária na CVP, é licenciada em animação socioeducativa e frequenta mestrado em Educação Especial na ESEC. Participa como voluntária no Summer Camp da CVP. 

Conta que nunca se imaginou nisto. «Foi a minha quinta opção, fiz o primeiro ano e pensei: até gosto disto. Adoro trabalhar com crianças, desenvolver as competências da criança. Depois surgiu a Cruz Vermelha, este ano. Isto é o culminar de tudo, até tenho uma cadeira de campo de férias. Ainda por cima com crianças refugiadas. Isto é uma aventura. Vou ser sincera: não foi fácil. Nós temos na licenciatura a visão duma coisa e na prática é outra. Na licenciatura não nos preparam para a vida real. No início foi aquele impacto, mas correu bem».

No grupo de crianças a mais nova tem 7 anos, é moçambicana, e a mais velha tem 17, já no limiar da idade. Em termos socioeconómicos, a maioria dos mais novos vêm de contextos bem desfavoráveis. «Quatro estão em instituições, não estão com os pais, os pais até estão fora de Portugal. Temos quatro irmãos, também em termos sociais não têm as melhores condições. Temos um menino de São Tomé, que chegou há umas semanas e veio logo fazer o campo de férias, e depois temos os meninos ucranianos, que são três. Uma delas não está com a mãe, está com a tia. Em termos de traumas – estas três crianças -, não achei que fossem muito evidentes. Eles sentem-se em segurança. Divertem-se, interagem com os outros meninos, até fazem um esforço para brincar com eles mesmo sem o tradutor. Eles adaptam-se bastante bem», descreve a responsável.

O programa foi feito pela Cruz Vermelha em conjunto com a UC e algumas actividades são repetidas de campo para campo. Mas não há actividades repetidas no mesmo campo. Segundo Adriana, «algumas actividades já estavam planificadas, por exemplo, a ida ao Exploratório, a ida aos Bombeiros Sapadores, ao Museu da Ciência da UC e outras. Depois há actividades plásticas porque tinham a parceria, e actividades físicas e verbais. Para eles estarem em movimento, para descobrirem Coimbra. Também tivemos actividade [na] praia, eles adoram. Nas duas praias, fluvial e marítima, foi uma experiência diferente. As crianças ucranianas nunca tinham visto o mar. Via-se os olhos deles a brilhar».

Aker

Em português pontilhado aqui e ali de inglês, falamos com Aker Mawod Leak, refugiada vinda do Sudão do Sul, já há alguns anos em Portugal. Aker está em Coimbra – Qulumriyah, numa das suas duas línguas natais, o árabe – com os seus seis filhos. Destes, três vão fazer o Summer Camp. Têm 13, 11 e nove anos. Os restantes, o mais novo com dois anos apenas, «ficam comigo em casa». 

Aker já conhecia um pouco do nosso país, da sua história e que era um país mais quente. Em casa falam árabe e também dinka, a língua da sua tribo, o maior grupo etnolinguístico do Sudão do Sul. Conta, entre sorrisos oportunos: «O Summer Camp é bom para mim, mas ainda mais para eles, que têm a possibilidade de ver coisas novas. Têm uma boa mente, em casa brincam; vivem num meio urbano, é bom que saiam para ver a natureza e os animais. Vão ter muitas informações novas, coisas que irão ver pela primeira vez. Vão ver o mar – no nosso país não temos mar, só rio, e o rio é muito perigoso, as crianças não vão ao rio, porque a corrente é muito forte e pode levar as crianças. É por isso que não sabem nadar. E agora eles podem tentar aprender a nadar. Têm muito medo dos cavalos, mas agora [estão] melhor, podem subir aos cavalos».

Aker partilha que tem que «ter força por causa dos meus filhos. Eu tenho sonhos. Um dos meus sonhos é que eles tenham uma boa educação. A minha filha quer ser médica. Um dos mais novos quer ser advogado, como eu. Outro quer ser comandante de avião. Eu espero que um dia estes sonhos se tornem realidade, porque tudo é possível».

Continuidades

Após a conclusão do programa, desenham-se perspectivas muito positivas para a sua continuidade. Quem o anuncia é Rodrigo Branco, assistente social da CVP de Coimbra, que já nos tinha simpaticamente recebido na primeira visita às instalações da CVP na Avenida Fernão de Magalhães, à Casa do Sal. Acrescenta: «O Summer Camp teve um saldo muito positivo, tendo sido dadas às crianças diversas oportunidades para conhecerem a cidade e a sua história, também por elementos fornecidos pela UC. Será dada continuidade nos anos seguintes». 

Segundo Adriana, o desafio maior no Summer Camp é a questão da língua. Como o voluntariado é o cerne da CVP, precisam de donativos. Adriana adianta: «Aí está, precisamos de donativos, muitos, podíamos ter outras actividades. Se tivéssemos financiamento iríamos ao Zoo de Lisboa ou Oceanário. Falta-nos financiamento. Voluntários nunca nos faltou. Isto tem que haver paixão. Isto agora são eles, não sabemos se amanhã somos nós».

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