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Solve - Soluções em Engenharia

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Projectos da Solve

A Solve é uma equipa de estudantes que quer «aprender só para ajudar»

Na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, há uma empresa composta por jovens com vontade de educar Coimbra a ser mais consciente e sustentável.

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Fotografia: Mário Canelas

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Projectos da Solve

É uma tarde solarenga, diante das escadas do Departamento de Engenharia Civil, entre convívios amenos e conversas animadas de estudantes, centradas nos tópicos típicos das semanas iniciais do ano lectivo. Estamos no Pólo II da Universidade de Coimbra, que tem vindo a hospedar, há já quase 10 anos, várias iniciativas com diversos escopos empresariais, entre as quais descobrimos a Solve – Soluções em Engenharia.

Trata-se da primeira e única Júnior Iniciativa em Portugal cujo núcleo ocupacional se assenta na prestação de serviços de consultoria sustentável. Sendo uma associação sem fins lucrativos totalmente gerida por estudantes, a actual presidente Mariana Fernandes começa por expor os seus parâmetros de recrutamento, que abarcam a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

«Infelizmente, nós só podemos aceitar estudantes da FCTUC, mas estamos num caminho para aceitar todos os estudantes da UC porque cada vez vemos mais gente interessada neste tema da sustentabilidade em toda a universidade e não só nas partes das engenharias e das ciências exactas», adianta-nos, enquanto sublinha que a iminente época de recrutamento da empresa ocorrerá após a realização da Festa das Latas, também conhecida como Latada.

«Estamos num caminho para aceitar todos os estudantes da Universidade de Coimbra porque cada vez vemos mais gente interessada neste tema da sustentabilidade em toda a Universidade e não só nas partes das Engenharias e das Ciências Exactas.»

Mariana Fernandes, presidente da Solve

Não é a única altura do ano onde a Solve se dedica a angariar novos membros, pois a presidente recorda-nos que entrou num mês de Março bem memorável. «Quando entrei na Solve foi literalmente quando começou a pandemia. Ou seja, as primeiras reuniões que eu tive foram logo online.» Apesar dessa iniciação peculiar, o ímpeto colectivo da empresa foi sempre o de instaurar uma familiaridade combativa a essa distância, hoje manifestando-se em «evitar totalmente as reuniões online, porque as reuniões presenciais são muito mais produtivas.» 

Produtividade manifesta em iniciativas no âmbito da sustentabilidade, que se vão originando pelas diferentes ideias dos seus membros, ora por ocasião das cadeiras dos cursos, ora por vontade pessoal. «Valorizamos e incentivamos na Solve que toda a gente pode desenvolver o seu próprio projecto, o que por vezes na Universidade é muito complicado fazer», confessa-nos Mariana, realçando a lacuna didáctica dos cursos universitários, que assentam em demasia no ensino teórico, descurando a aplicação prática, sobretudo a nível empresarial.

Missão: consciencializar

A Solve foi criada em 2019 precisamente para edificar uma ponte sustentável das cadeiras universitárias para o mercado de trabalho. «Muitos já tiveram boas oportunidades de estágios e trabalhos só por terem estado na Solve», atira Mariana Fernandes. Esse elo é somente um filamento de uma extensa rede de colaborações, que abarca não só um conselho científico composto por membros do corpo docente da FCTUC – que, juntamente com um grupo de alumni da empresa, os auxilia no esclarecimento de dúvidas –, mas também inúmeras empresas sediadas noutras cidades e universidades do país.

«Tentamos sempre procurar empresas que têm os mesmos objectivos que nós. É assim que nos conseguimos interligar com os nossos parceiros.» Ao pedirmos exemplos sonantes, apontou-nos de imediato a E-Cycle – Associação de Produtores de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos, cujo escopo se manifestou numa sinergia inata com a Solve, originando o EWUC (E-Waste at the University of Coimbra), projecto de recolha e subsequente desmantelamento adequado do lixo electrónico, por via de contentores disponibilizados em empresas locais, bem como em todos os departamentos universitários.

Esta gestão de resíduos perpassa todo um cerne informativo pleiteado pela Solve, que se traduz na consciencialização da comunidade académica. «Há temáticas que as pessoas não conhecem», lembrando-nos que mesmo as vantagens da reciclagem, hoje considerada normal, demoraram a ser aceites. «Isto é uma reciclagem diferente, tendo em conta a presença de elementos tóxicos que podem contaminar ou danificar o ambiente quando são despejados em lixeiras ou até quando não são devidamente desmantelados. Notámos que há muitos alunos e até mesmo professores que não sabiam disso.»

Um inteirar que se concretiza enquanto cunho constante em todas as actividades da Solve, como as investidas publicitárias exclusivamente pelo digital (de maneira a evitar o desperdício de papel) ou o evento EnGenious, conferência anual que se foca no empreendedorismo, fomentando a referida osmose entre alunos e empresas. Também a iniciativa TechUp, que consistirá em sessões e competições de índole académica para apresentar tecnologias vanguardistas no mercado das engenharias, foi-nos aludida enquanto sonho a concretizar-se.

De momento, a principal atenção da empresa volta-se sobre o projecto U-Carbon, com o qual a Solve se presta em sensibilizar as pessoas para a diminuição da pegada carbónica. «Estamos a desenvolver um website em que as pessoas vão poder preencher um quiz para conseguirmos fazer um cálculo. E depois o nosso objectivo também será de dar dicas de como diminuir tal pegada, como não andar de carro e andar mais de bicicleta.» Nesse tópico da mobilidade, salientou a presença da vereadora Ana Bastos no último EnGenious como manifesto do apoio moral da Câmara Municipal às suas campanhas de consciencialização. 

E apoios financeiros? Embora seja uma empresa com uma gestão própria, Mariana Fernandes admite que é possível a Solve obter pontualmente financiamento de entidades públicas. «Temos aqueles incentivos de projectos que as Câmaras Municipais promovem. Apresentamos o nosso projecto e, dependendo se o acham interessante ou não, é que depois financiam.»

Ficar em Coimbra

«Tentamos abranger um bocado mais, mas é sempre mais difícil chegar à outra população de Coimbra que não a comunidade académica.»

Mariana Fernandes, presidente da Solve

Após mencionar que também já obtiveram financiamentos europeus, perguntámos à responsável se há a tentação de mudar a sede da Solve para fora de Coimbra. A resposta foi imediata e assertiva. «Não é das coisas que sequer pensamos, ser sediada noutra cidade ou até mesmo em outras universidades fora de Coimbra.» Apesar da ausência de uma sede física, este sentimento de pertença motiva a Solve a atrair parceiros de fora de modo a beneficiar a cidade, citando de novo o caso da E-Cycle. «Puxámos uma empresa que era do Porto para também ter actividade cá, porque achámos que era uma coisa que fazia falta em Coimbra.» A esse intento de persuasão junta-se a tarefa hercúlea de chegar a toda a população da cidade. 

«Tentamos abranger um bocado mais, mas é sempre mais difícil chegar à outra população de Coimbra que não a comunidade académica.» Num apelo final, esclarece que, embora a Solve seja uma empresa exclusivamente composta por estudantes, «qualquer pessoa ou qualquer empresa que queira ser mais sustentável pode vir falar connosco, se tiver dúvidas sobre sustentabilidade. Nós vamos aprender só para ajudar, porque estamos interessados em que as empresas também queiram ser mais sustentáveis.»

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