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Curso Profissional de Jazz: mais de uma década a formar músicos e apoiar alunos com bolsas e subsídios

Tem ajudado a formar alguns dos novos nomes do jazz nacional. Existe desde 2010, mas são sobretudo alunos vindos de fora de Coimbra a formar as turmas e a aproveitar os apoios financeiros integrados no plano de formação.

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Fotografia: Mário Canelas

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O músico e fundador do Curso Profissional de Jazz do Conservatório de Coimbra, Rui Lúcio, relembra a vontade de, após terminar os seus estudos na Escola Superior de Música do Porto, criar alguma coisa em Coimbra, mas num contexto de escola oficial de ensino artístico. Já na altura, existiam na cidade alguns exemplos de ensino particular ligados ao jazz. «Houve muitos músicos que saíram daqui, que hoje são jazzistas, que nasceram dessas escolas». «O interesse no jazz proporcionado por essas escolas tornou o projecto mais credível», assevera. 

A Portaria n.º 1040/2010 do Ministério da Educação permitiu em parte a materialização desse sonho, com a criação dos cursos profissionais de instrumentista de jazz. Rui Lúcio, frisa também a importância da passagem pela escola artística da escola profissional Jobra, no distrito de Aveiro, que abrira as portas ao curso jazz no ano anterior, na partilha de experiência e informação para replicar e implementar a nova formação curricular. 

O teste piloto começou com curso livre, antes de se iniciar a aventura de procurar e preencher as vagas de um curso profissional que pressupõe a matrícula de alunos do 10º ao 12º ano de escolaridade, e definir todas as componentes do curso, desde a carga horária e conteúdos ao material de apoio. 

O preconceito dos cursos profissionais

Complicada foi, precisamente, «a batalha de conseguir candidatos em Coimbra». Rui Lúcio critica esta ideia, que se generalizou, de que os «cursos profissionais são para burros».

«Há esta ideia absurda que está semeada na cabeça das pessoas, que é um bocado uma ideia portuguesa mas em Coimbra, na terra dos doutores, é exacerbada.» Se olharmos para a origem dos alunos, a grande maioria não são de cá. «Começámos a trazer alunos de Leiria, Castelo Branco, Viseu, Aveiro ou Figueira da Foz», explica.

«Este curso é muito exigente e a carga lectiva é densa», defende Mauro Ribeiro, um dos professores do curso profissional jazz, que demoniza essa desvalorização recorrente à formação profissional. Realça o vasto repertório a estudar nas diferentes disciplinas, toda a teoria musical, quase ao nível superior, o trabalho desenvolvido nas aulas de instrumento e, até, a tese de final de curso. A prova de aptidão profissional final implica também a investigação e desenvolvimento teórico de um determinado tema. «Demora um ano a fazer e temos dois orientadores, o professor de instrumento, e outra pessoa responsável por orientar todas as teses». Mauro Ribeiro enfatiza a qualidade e nível de exigência: «acredito que muitos alunos do ensino regular não consigam fazer aquilo, é um trabalho muito sério. Todos os anos temos teses que nos orgulham e farto-me de aprender com os trabalhos deles». 

Bolsas de estudo

Uma valorização importante, transversal aos cursos profissionais, muitas vezes desconhecida por parte dos alunos ou encarregados de educação, são os apoios e subsídios atribuídos durante a formação. Existe uma bolsa material, consoante o escalão de abono; bolsa de profissionalização, inserida na disciplina Formação em Contexto de Trabalho; subsídios de alimentação, transporte e alojamento (ver separador), que são uma ajuda e incentivo aos estudantes que chegam vindos de fora da cidade de Coimbra.

Rui Lúcio explica que os alunos têm refeições gratuitas na escola e que, para garantir também a qualidade da refeição nocturna, foi estabelecido um protocolo com o Instituto de Engenharia de Coimbra, no edifício vizinho, para utilização da cantina e serviço de alimentação daquela instituição. 

Ana Maria Ramos está nos primeiros dias de aulas e, embora já tivesse ingressado no ensino secundário na área de Humanidades e Ciências Sociais, acabou por reiniciar esse percurso no curso profissional de Jazz. «Tinha pensado até vir logo para cá, mas tive medo e não vim. Quando cheguei ao curso de Humanidades percebi que não era aquilo que eu queria, então, este ano inscrevi-me». O percurso musical da aluna começou aos 10 anos de idade, no Orfeão de Leiria. 

Enquanto Ana Maria tomou conhecimento do curso por conhecidos, Vicente Pechorro, aluno de piano, encontrou informação sobre o curso ao pesquisar online. «Interessei-me pela música já desde pequeno, mas comecei a desmotivar um pouco na música clássica e então quis experimentar outro tipo de música; como era mais dado à improvisação, pensei no jazz». A iniciar o seu terceiro ano lectivo, Vicente  explica-nos a escolha do Conservatório de Coimbra: «em Lisboa só conhecia o Hot Club Portugal, mas é uma escola paga, pensei: “Vou tentar arranjar outra alternativa” e achei que também iria crescer mais indo para um sítio morar sozinho». Sobre as perspectivas futuras, quando terminar o curso, Vicente prevê o regresso à cidade natal para ingressar no ensino superior. 

Sucesso no ensino superior artístico

«Tenho uma listagem de alunos que concluem e seguem música, estava a inserir os últimos que entraram nas universidades desta rodada e estava a contar 60 músicos. São muitos miúdos para um curso que tem uma média de 15 por ano a entrar», explica Rui Lúcio, que enfatiza a grande evolução dos alunos, durante os três anos lectivos. «A realidade deste curso profissional não é caírem-te miúdos já com uma experiência de jazz ou de domínio de instrumento que só vêm aqui limar uns pormenores e aprender conteúdo, tens aqui malta que não sabe ler partitura, nem sabe os rudimentos básicos do instrumento. É possível, nos 3 anos, estes miúdos que não são nada, tornarem-se gente grande.»

Desde 2013, os combos e turmas que marcam presença na competição anual da Festa do Jazz do Teatro S. Luiz, em Lisboa, vão somando prémios. Ora de melhor combo, ora com menções honrosas pelo desempenho individual de alguns dos seus instrumentistas. O professor e, até há pouco tempo, coordenador do curso, sumariza esse reconhecimento do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido. «Hoje é difícil, quando se fala em jazz e formação, não se falar no curso profissional de jazz do Conservatório de Coimbra e dos miúdos que vêm para cá». 

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