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E se o Bairro Norton de Matos fosse transformado em comunidade energética?

De uma conversa no Portugal Smart Cities Summit 2022 saiu a vontade de retomar o projecto Bairro A++, lançada pelo empresário e «business angel» Basílio Simões.

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Fotografia: Mário Canelas

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E se as casas no Bairro Norton de Matos, em Coimbra, tivessem todas painéis solares e um carro eléctrico estacionado em cada porta ou garagem, com tomadas para serem carregados? «Trotinetes e bicicletas eléctricas já vamos tendo mas o bairro não devia ser uma autoestrada», diz Basílio Simões. É o empresário e business angel que lembra o projecto Bairro A++, guardado há cerca de uma década na gaveta, assente nos pilares da sustentabilidade económica, social e ambiental, com o «foco nos cidadãos». «Um sítio onde as pessoas podem facilmente ver os filhos a brincar nas ruas e onde passa um carro de vez em quando, e devagar». 

Por esta altura já todas as atenções da segunda smart talk do primeiro dia do Smart Cities Summit 2022, em Lisboa, estão pregadas em Simões, inclusive a dos colegas de painel: Manuel Tovar (The Loop Co.), Paulo Caridade (Primelayer), Pedro Resende (OWL) e Helder Loio (Urubu, TUU) a moderar.

O objectivo é reunir um conjunto de empresas que permitam às pessoas poupar energia em casa, reestruturá-la com janelas eficientes, trocar equipamentos como o frigorífico e muitas outras iniciativas possíveis, além de estimular a economia circular e criar bons hábitos com a reciclagem. «Isso gerava poupanças e as poupanças seriam aplicadas na melhoria dos espaços comuns ou na atribuição de bolsas de estudo para os filhos das famílias mais carenciadas», continua a explicar o fundador da Cleanwatts, co-fundador da ISA – Intelligent Sensing Anywhere, co-fundador e investidor da VPS – Virtual Power Solutions, professor convidado de Empreendedorismo e Inovação Tecnológica na Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

É também business angel, que são os investidores privados que apostam em oportunidades nascentes como as star ups e participam em projectos com o chamado smart money, ou seja, além da capacidade financeira também contribuem com a sua experiência e network de negócios.

«Ouvimos o Governo a dizer que quer apostar na transição climática e tudo isso. Mas o que é que significa no nosso dia-a-dia? Não chega ao nosso dia-a-dia, porque a mensagem se perde pelo caminho. Depois não ouvimos o mesmo tipo de mensagem do presidente da Junta de Freguesia ou da Câmara Municipal, não vemos as instituições a facilitar esse caminho», afirma.

Actualmente, o quadro regulamentar europeu prevê comunidades de energia, com duas abordagens associadas àquelas que já são entendidas como entidades juridicamente reconhecidas: a Comunidade de Energia Renovável e a Comunidade de Cidadãos para a Energia, maneiras de organizar a cooperação em coletivo, geralmente não profissionalizado, no caso das primeiras, de uma actividade relacionada à energia em torno de propriedade específica, governança e finalidade não comercial.

Basílio Simões refere que «o facto de haver hoje em dia na legislação a possibilidade de criar comunidades energéticas traz uma sustentabilidade económica que torna mais fácil monetizar algumas acções e depois libertar então meios para outro tipo de actividades, que podem não ser tão tangíveis no curto prazo».

Helder Loio atira: «não se pode retomar o projecto?». Simões responde: «Vamos a isso. Pelo menos esta Câmara já nos ouve, não é? Vamos pôr mãos à obra» e garante que a iniciativa privada está em Coimbra. «Só precisamos que a Câmara Municipal e os governos não compliquem, não demorem um ano a aprovar uma coisa simples que não causa problemas a ninguém e criar alinhamento, para que isto seja um desígnio nacional e municipal e não sejam só umas coisas que ouvimos na televisão.»

A Cleanwatts dedica-se a montar comunidades de energia renovável. «Elas representam o que chamamos de quarto D da transição energética, que tem a ver com a democratização da energia. Isso toca na questão social, que é muito grata para nós, porque a cidade ser inteligente é muito focada nas pessoas e pode ser porque a vida torna-se mais fácil, em todos os aspectos. Porque com o mesmo orçamento se consegue fazer mais coisas. A componente social que as comunidades de energia trazem é a possibilidade de, se o meu vizinho, porque vive num prédio, não tiver espaço para instalar painéis solares e paga energia mais cara por causa disso, se eu tiver espaço no meu telhado para pôr não apenas os painéis que eu preciso mas os painéis que fazem falta ao meu vizinho, eu posso fazer isso e partilhar a energia a mais que estou a produzir a mais no meu telhado. Há esta componente social, de criar estes laços e fazer com que outros beneficiem de energia mais barata.» 

Impacto social

Basílio Simões defende que é essencial activar a economia local, e os acontecimentos dos últimos anos, da pandemia ao estalar da Guerra da Ucrânia, só aumentaram os argumentos e o sentido de urgência, tornando mais real o tema da resiliência e da segurança energética.

«Não faz sentido estar a trazer técnicos de Lisboa para fazerem instalação ou manutenção de painéis solares de virem para Coimbra. Nós activamos a economia local. Quer a nível da instalação, do projecto ou da manutenção. O impacto é maior começando por produzir energia limpa e mais barata e conseguir reduzir 30, 40 ou 50% dos custos. Depois com a eficiência conseguimos mais uns 20%. Temos a sorte de não nos faltar a luz e termos dinheiro para a pagar», comenta Basílio Simões. «Há pouco vi uma fatura a 35 cêntimos por kilowatt/hora. A energia pagava-se a 0,5€ ou 0,10€ kw/h há poucos anos. E vai piorar este Inverno. Há pessoas que vão ter de decidir se querem ter a casa quente ou se querem comer. Nós podermos produzir a nossa energia é muito importante.»

Paulo Caridade, fundador e director geral da empresa de tecnologia e consultadoria Primelayer, diz que gostava de se associar ao Bairro A ++ com um dos projectos que a empresa sediada na Urubu tem de monitorização ambiental, numa «lógica associada ao próprio cidadão.» «A empresa está ainda incubada na Agência Espacial Europeia, temos acesso a um banco de dados muito importante e, seja através das imagens satélite, seja pela via da sensorização, com sensores partilhados entre si, em cada uma das casas ou nas próprias ruas, gerar dados ou alarmística útil para o cidadão que, por exemplo, tem algum tipo de doença respiratória, de pele ou de olhos. De uma forma preventiva, essa alarmística avisaria que dali a x horas o bairro terá um pico de UV ou outra degradação da qualidade do ar qualquer. Diz a que quem lá habita que deve resguardar-se dessa situação ou levar a bomba de asma, no caso de ter asma, e fazer um cross selling [ou venda cruzada] com a farmácia local, ter essa capacidade de interligação.»  

«É um projecto muito interessante e se há 10 anos era um rasgo de tecnologia, hoje não é tanto e temos outra capacidade de resposta», atira Caridade, explicando que a Protecção Civil tem uma plataforma que agrega informação de várias fontes, como a Agência Portuguesa do Ambiente, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera e a Guarda Nacional Republicana. «As nossas plataformas acabam por mastigar esta informação e criar análise de dados, seja para o espaço urbano seja para o espaço rural – que não podemos esquecer que uma parte significativa de Coimbra é rural. O espaço florestal e a ligação com a cidade é complexo», remata Caridade.

Pedro Resende também não deixa passar a oportunidade. «Contem connosco para ajudar nos projectos de arquitectura», diz o fundador da Our Watch Leads (OWL). «Vamos licenciar esta semana um projecto de um Bairro A++ na Lousã, com 207 apartamentos e todo o desenho do bairro pensado para ter flexibilidade e adaptabilidade. O pavimento é todo desmontável, dá para fazer carregadores, resolver a questão dos resíduos. Há espaço para os residentes conseguirem fazer a separação dos lixos com comodidade, compostagem e aproveitamento da energia produzida por este bairro», conta.

A OWL é uma empresa, incubada no Instituto Pedro Nunes, que trabalha no sentido de democratizar os dados de observação da terra por satélite. «Nós não vemos só a partir do espaço, ele espaço serve para ampliarmos os recursos disponíveis. Vem trazer uma série de parâmetros aos quais não conseguiríamos ter acesso de outra forma. Podemos informar, monitorizar e mostrar trabalho feito e ainda vai haver mais, com o Sistema de Mobilidade do Mondego. A nossa tecnologia e da Primelayer também consegue mapear o que foi feito, não só os impactos visuais mas também ao nível da vegetação. Muitas vezes pode ser o suficiente para mostrar aos cidadãos que a Câmara Municipal está a trabalhar no sentido certo», diz Resende, que não tem meias medidas e diz que «muita gente fica em casa a investir em canais de streaming quando podia estar a investir na cidade, no usufruto, na conexão dos espaços que a cidade tem e nos negócios que a cidade tem». 

Helder Loio conclui a smart talk com a pergunta: o que é que falta a Coimbra e, juntamos nós à do início da sessão, como pode ser smart? Resende não tem dúvidas de que «equilíbrio, conectividade e adaptabilidade» são três boas soluções, não liderasse uma empresa cuja missão passa por unir soluções de base na natureza e soluções altamente tecnológicas, aproximar as pessoas dos espaços verdes e dos espaços históricos da cidade através da tecnologia. «Já não são só os cidadãos que estão conectados entre si, as infra-estruturas também, os próprios edifícios, permitindo a troca de energia e outros recursos. Captação de água para hortas urbanas, por exemplo. Tanto o Estado como os cidadãos têm interesse nestas trocas», declara o empresário.

Basílio Simões faz o xeque-mate: «Até 2030 Coimbra ser a primeira cidade carbono zero da Europa. Só carros eléctricos, produzir mais energia do que consome, de preferência de forma independente – armazenando energia de dia para a noite – isso trazia muita gente para Coimbra, muitos estrangeiros, muito investimento e muitas start ups».

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