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Cada filme respira «como se fosse um vinho» no Caminhos do Cinema Português

Único no país, o festival de cinema de Coimbra chega agora à 28.ª edição procurando reinventar-se no meio da democratização do acesso cultural e acomodando um público vocal, com uma curadoria socialmente relevante.

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Com o cinema nacional cada vez mais acoplado às plataformas de streaming e os hábitos cinéfilos regressarem às nuances sócio-culturais, é por vezes fácil menosprezarmos – ou pelo menos presumi-los enquanto garantidos – certos eventos de programação cinematográfica da nossa cidade como o Festival Caminhos do Cinema Português. Em vésperas da 28ª edição desta celebração do cinema nacional, fomos ao Centro de Estudos Cinematográficos da Associação Académica de Coimbra – onde grande parte da programação do Festival é trabalhada – saber em que pé assenta a relevância pós-pandémica do evento.

Falamos em relevância e não resiliência porque João R. Pais repudia o uso comum dessa expressão. Prefere assentar o ímpeto do Festival no conceito de anti-fragilidade. Ou seja, na capacidade que os Caminhos têm de se reinventar para melhor, não só em termos de programação mas também de conforto para o seu público. Por exemplo, este ano já não há sessões sobrepostas, o que permite aos espectadores verem todos os filmes enunciado no programa, e esse é apenas o ponto de partida de uma acomodação responsiva do festival à linguagem corporal dos espectadores.

«Percebemos que as pessoas deixaram de estar habituadas a estar novamente fechados nas salas de cinema», confessa o programador do Festival, assegurando que, embora a audiência nas sessões de cinema já se encontre a recuperar da pandemia (enquanto que em 2020 foram 2 912 os espectadores em sala, em 2021 foram 5 392), a audiência global entre os últimos dois anos revela um decréscimo de 75%, consequência provável dessa dinâmica actual dos apreciadores da 7.ª arte. Assim sendo, a resolução do Caminhos este ano passa por se programar menos filmes no seu cardápio, de modo a «permitir que cada um deles respirasse melhor, como se fosse um vinho»

«O caminho é tornar as coisas mais acessíveis pela informalidade. Porque senão vamos ter casos como aquelas pessoas que são entrevistadas ao pé de Serralves, que moram ao pé e nunca entram, porque acham que não é um sítio para elas».

João R. Pais, programador Caminhos do Cinema Português



Uma abordagem de índole superficialmente mais enológica que cinematológica mas que se revela propícia à apreciação comum de cinéfilos e curiosos, na medida em que o número menor de filmes por sessão permite motivar não só a presença dos convidados, mas sobretudo as oportunidades únicas e particulares de conversa fluída e sem limites de tempo entre cineastas e espectadores em torno de cada sessão. Uma necessidade de respirar que surgiu do repensar sobre o que os Caminhos do Cinema Português representam nesta actualidade, bem distinta da organização e público inaugurais.

«Quem somos nós agora em 2022, após uma pandemia, como comunidade?», atira Pais. «Somos pessoas mais impacientes, queremos estar menos tempo fechados, temos demasiados estímulos audiovisuais e, portanto, também temos a humildade de reconhecer que não devemos impor a ninguém como ver o filme». Resposta sem receio de tabus ou padrões comportamentais na sala de cinema, como se manifesta no seu objectivo de «voltar a trazer as pessoas a falar numa sessão, pois há espaço para as pessoas levarem questões sociais, pertinentes e diferentes à sala de cinema».

Este combate ao «ssshh!» dogmático e imperativo – que efectivamente deixa de fazer sentido além dos créditos finais – também se coaduna com a democratização do acesso ao cinema, já salientada através do fenómeno crescente de criação de cinemas de bairro. João aponta conhecer pessoas que «não vão a determinado tipo de salas de espectáculos, porque se sentiam intimidadas quase com aquele ambiente demasiado formal», rematando que «todo aquele formalismo a que estamos habituados mas que afasta muitos novos espectadores» deve ser contrariado com o surgimento de trilhos e espaços cinéfilos mais informais».

«O caminho é tornar as coisas mais acessíveis pela informalidade. Porque senão vamos ter casos como aquelas pessoas que são entrevistadas ao pé de Serralves, que moram ao pé e nunca entram, porque acham que é um sítio para elas». Esta visão de «vamos tentar parecer menos e ser mais» no acesso à cultura está no cerne desta reformulação mais recente do Festival Caminhos, pois, apesar do número mais exíguo de filmes em cartaz, a presente edição conta com 162 metragens programadas e a exibir por 3 salas.

De 5 a 11 de Novembro é a Casa do Cinema de Coimbra que recebe a Cerimónia de Abertura e exibe filmes enquadrados nas Secções não-competitivas como Outros Olhares, Juniores, Filmes do Mundo, Turno da Noite e Filmes da Lusofonia, com o Auditório Salgado Zenha a auxiliar na exibição de algumas sessões deste última Secção.

Já na semana de 12 a 18 de Novembro, o Teatro Académico de Gil Vicente acolhe as competições da Selecção Caminhos e Selecção Ensaios, enquanto a Casa do Cinema acomoda mostras paralelas com o aval da Fipresci ou do Poitiers Film Festival, assim como conversas e reposições.

O coordenador-geral da programação aponta que as reposições são mínimas, de modo a potenciar o carácter singular das oportunidades e a evitar o grande revés programático que advém da repetição. «Se nós tivermos sessões simultâneas ou que se repitam, isso faz com que haja uma dispersão de espectadores que perdem a oportunidade de conhecer os representantes dos filmes ou de ouvir uma discussão», esclarece Pais, sublinhando que o foco deve incidir na comunicação e divulgação da unicidade destas sessões como eventos a destacar por si só.

Quanto às temáticas a serem expostas, partilharão dessa singularidade ou há receio de levarem a diálogos redundantes? «A nossa programação nunca é 100% imparcial porque toda ela, além de contar uma história, tem uma linha curatorial que tenta pelo menos ter essa particularidade de ser consciente do ponto de vista social. São obras totalmente artísticas, de reflexão e contemplação, mas também de reflexão e discussão.» Uma peregrinação assim distinta torna-se um desafio quando se lida com as crescentes expectativas do público, mas João Pais assegura que a diferença assenta aqui em se fazer um trabalho complementar e sobretudo alimentício do diálogo.

«Queremos dar espaço e divulgar títulos que sejam de difícil acesso, porque não faz sentido estar a chamar a um festival uma coisa que se está a replicar das salas de cinema.» A voz dos espectadores é um elemento-chave neste contexto de reformulação anual dos Caminhos. «A questão que geralmente fazemos quando vemos um bom filme é “o que é que o levou a fazer isto?” e, portanto, é bom que as pessoas se questionem sobre “por que é que programaram isto?” ou “porque é que não programaram aquilo?”, pois tentamos sempre reinventar o festival, adequando-o com um programar não tanto “para” mas “com” o público, ouvindo-o.»

Podem conhecer toda a programação do Caminhos do Cinema Português aqui.

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