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Coro das Mulheres da Fábrica

Há vozes femininas à solta no novo Coro das Mulheres da Fábrica

Assistimos à estreia da iniciativa da associação de promoção de educação pela arte para crianças e adultos Catrapum Catrapeia, que é uma celebração de liberdade e diversidade e tem Vânia Couto na proa.

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Fotografia: Mário Canelas

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São 25 mulheres. Três estrangeiras e de faixas etárias tão diversas quanto seus backgrounds. Exatamente o que Vânia Couto, diretora musical do coletivo cantante, procurava: «Um novo coletivo intergeracional em Coimbra aberto a todas as mulheres, sem excepção, com ou sem experiência musical, para todas as idades». Segundo ela, não há, em Coimbra, um coro exclusivamente feminino, e que tenha um repertório multiverso.

A grande maioria das mulheres que estiveram no Ateliê A Fábrica na noite de quarta-feira, dia 26 de outubro, não tem nenhuma formação musical. Como a alemã Katrin Pieper, que veio pela primeira vez a Coimbra em 2001, como estudante do Erasmus, retornou para a Alemanha e agora está a tirar doutoramento, além de trabalhar como tradutora. 

Algumas já são familiarizadas com o canto, a exemplo da inglesa Joann Helms, a morar em Coimbra há 25 anos, que foi integrante de um coro, que se desfez. Soltar a voz, para ela, ajudou-a a «libertar-se de traumas, abrir o coração e encontrar a paz». Precisamente um dos motivos que levou Vânia a fundar o Coro: «criar um espaço de partilha, de healing, de troca, e não apenas de serviço cultural».

Outras têm muita experiência com música, como Luisa Levi, cantora e compositora. Um das fundadoras da Peixinhos da Horta, projeto que conjuga o canto e a poesia portugueses, ela disse não ter nenhuma expectativa sobre o que vai encontrar, mas sabe que será uma experiência positiva, pois aderiu ao projeto por conhecer e respeitar o trabalho de Vânia Couto, que chama de one woman show

Pianista de formação, executiva em organizações artísticas e tendo regido três coros no Brasil, Neli Belotti não trabalha mais profissionalmente com música. Além de cantar, ela também está na direção artística do Coro, como disse Vânia. Modesta, Neli refuta o título: «Não, eu apenas farei a preparação vocal. Não há ninguém como a Vânia como diretora artística».  

O nome do coletivo tem duas razões. A primeira é que os ensaios acontecem no Atelier A Fábrica. A outra é histórica e muito cara ao feminismo: Em 8 de março de 1917, um grupo de operárias russas deu início a uma onda de protestos contra a fome e a Primeira Guerra Mundial. Como ganhou a adesão dos trabalhadores, o movimento tomou conta da Rússia naquele ano, e acabaram levando à Revolução. Assim, nascia o Dia Internacional da Mulher

Mas tem ainda uma razão subjacente: construir coletivamente um espaço onde «quanto mais mostramos nossa vulnerabilidade, mais geramos empatia», e, por extensão, mais todas, individual e coletivamente, se fortalecem.

À medida que as mulheres vão chegando e subindo ao palco, elas são separadas por tipos de vozes. A vasta experiência que tem em teatro Vânia utiliza para reger o grupo e explicar, de forma simples e lúdica, aspetos mais técnicos. A paixão que ela tem pela arte é compartilhada e muito bem recebida por todas que estão no tablado.

A primeira canção do ensaio número um é «Desenrola o teu cabelo», que faz parte do cancioneiro das Aldeias do Xisto. Mas com um diferencial: há a inclusão de vozes em estribilhos pouco convencionais entre as estrofes, distanciando-se o mais possível do canto tradicional – adjetivo que só é referido como oposto à direção musical de Vânia.

Desenrola o teu cabelo
Não o tragas enrolado
Desengano o teu amor ioai
Não o tragas enganado
Cabelo preto às ondas 
Penteado no deserto
Se o meu amor não é firmo ioai
O teu também não é certo
Penteei o meu cabelo
Penteei-o para trás
Cuma travessa de mão ioai
Que me deu o meu rapaz
Há ondas no teu cabelo
Há ondas no teu olhar
Há ondas, meu bem, há ondas
Há ondas no teu olhar
Há ondas no teu cabelo ioai
Há ondas no teu olhar

Além de obras do cancioneiro de Portugal, o repertório do coro cantante de mulheres, segundo Vânia, incluirá também músicas de outros países, «de outros continentes, de qualquer lugar do mundo».  

O Coro Mulheres da Fábrica proporcionará às suas participantes aprendizagem de técnica vocal, canto em coro e também haverá composição em criação coletiva. No primeiro ensaio, na noite do dia 26 de outubro, Vânia disse às coristas que elas farão mais do que cantar. Às vozes serão acrescentadas uma presença performática em palco como instrumento artístico, como convém a um coro cénico. 

O grupo cantante de mulheres de Coimbra é um coletivo porque todas as integrantes participarão na construção dos arranjos e do repertório, em um processo de criação artística (com)partilhada. Atributos que Vânia repete com frequência durante o ensaio: coletivo e criatividade. Por este motivo, a alemã que chegou a pensar em montar um coro só para poder cantar uma música que gosta imenso – Canción sin medo – e agora já não vai mais precisar fazê-lo, pois o repertório será construído por todas.

Com uma hora de canto, houve um intervalo para que as mulheres se apresentassem e indicassem o melhor horário para os ensaios. A menção ao Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra (GEFAC) apareceu com alguma frequência. 

«Gosto desta coisa de coletivo», atira Sofia. «Meu coração vibrou quando vi o post no Facebook», diz Manuela. «Só tenho experiência de canto na escola», confessa Dora. «Estudei música e procurava um projeto para fazer algo diferente», comenta Rita. «Não tenho experiência…. acho que canto mal», admite Margarida. «Cantava música tradicional portuguesa. Que maravilha poder fazer parte de toda esta força conjunta!», dispara Matilde. Daniela conta que fez parte de um coro gospel, mas não se identificava com o repertório e Katrin não tem dúvidas: «Tem potencial para ser uma coisa muito bonita.»

Mais do que as palavras, o que marcou fortemente ouvindo as partilhas foi perceber o desejo de ser como o poeta Gonzaguinha e que o projeto de Vânia propõe-se a atender: uma necessidade visceral de soltar a voz.

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