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Caminhos do Cinema Português

Já sabem que filmes e conversas degustar nestes Caminhos do Cinema Português?

Damos uma ajuda e dizemos quais são as paragens mais pertinentes da peregrinação cinéfila deste ano em Coimbra, que inclui dois dedos de conversa moderada por nós sobre «O Espaço da Cultura nas Cidades».

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A marca de um grande filme é quando o vemos e ficamos imediatamente com aquela vontade de ir beber qualquer coisa e ficar algum tempo a falar sobre ele com os amigos. É isso o que nos espera na edição deste ano do Caminhos do Cinema Português, que sempre teve encontros com os realizadores ou outros intervenientes no final das sessões, mas este ano não quer limitar a conversa à sétima arte.

No final da exibição de dois filmes que demonstram o paradoxo sobrevivente e sustentável que vem ocorrendo nas urbes principais do nosso país, não só a nível cultural mas comunitário, a Coimbra Coolectiva modera uma troca de ideias com Miguel Ribeiro, director do festival Doc Lisboa e membro do júri do Caminhos do Cinema Português este ano, Catarina Pires da associação local Há Baixa e Paulo Carneiro, realizador do filme Via Norte. Vai ser no dia 15 de Novembro, pelas 22h30, no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV).

O primeiro filme dessa dupla é A Morte de uma Cidade de João Rosas, documentário sobre uma antiga tipografia no centro de Lisboa que é demolida para dar lugar a apartamentos de luxo. Exibido às 17:30, relata o afastamento (ou desaparecimento) de muitos residentes e trabalhadores que labutam pela capital para a periferia da mesma, envergando uma mensagem caucionária para qualquer cidade do país.

Nas palavras de João Pais, trata-se «uma chamada de atenção, de reflexão e ponderação sobre o futuro da nossa cidade, a qual poderá ainda estar a tempo – pelo menos, essa é a minha esperança – de evitar a sua morte», apontando a metamorfose urbanística e comunitária que ocorre em Lisboa ou Porto, onde a gentrificação é cada vez mais palpável e a cultura local cede lugar a chamarizes turísticos.

Em Via Norte, que passa às 21h30, o cineasta entrevista a população imigrante em França, usando o tuning como desbloqueador de conversa para saber «porque é que tiveram que emigrar, a falha da oferta laboral em Portugal, as condições precárias, as saudades do país», enumera-nos o programador, rematando que a abordagem antropológica sobre esses veículos, intimamente ligados às escolhas de vida desse povo emigrante, «é a ultíssima camada de um filme muito inteligente, porque conheces pessoas que vão para lá poupam dinheiro e vivem nesse carro, que é o que querem trazer para Portugal.»

«Uma chamada de atenção, de reflexão e ponderação sobre o futuro da nossa cidade.»

João R. Pais, programador do Festival Caminhos do Cinema Português

Antes desse documentário, podem ver a curta de animação O Homem do Lixo, de Laura Gonçalves, relato familiar de um emigrante que trabalhou como homem do lixo em França. Também Alma Viva, da luso-francesa Cristèle Alves Meira, versa sobre a questão da emigração e será exibido no TAGV no penúltimo dia do Festival. Mas esperamos que o seu mediatismo – dado que é candidato nacional aos Óscares de 2023 – não ofusque As Sacrificadas, de Aurélie Oliveira Pernet, curta precedente que fala de uma empregada de limpeza na piscina municipal localizada numa serra atormentada por incêndios que mantém a residência e o emprego com o motivo ulterior de poder auxiliar sozinha a mãe.

Mais para ver e fazer até dia 19

Há algumas retrospectivas e restaurações na programação do Caminhos do Cinema Português este ano, como é o caso de Histórias Selvagens, de António Campos (que marcou o ponto de partida este ano na Casa do Cinema de Coimbra) ou Pixote, de Hector Babenco e Hipnotismo ao Domicílio, de Reinaldo Ferreira, este último em formato cine-concerto na cerimónia de encerramento no Convento São Francisco.

Não obstante o interesse histórico destas curiosidades cuja (re)descoberta advém das novas tecnologias de ressurreição fílmica, o festival não se prende num mero prisma de nostalgia cinéfila. De facto, a programação é composta por sete secções distintas, sendo duas de teor competitivo, mas todas de contemplação, reflexão e discussão do melhor que actualmente se faz no cinema nacional. Por entre várias visões de teor social e citadino a averiguar nesta viagem, passamos a destacar algumas meritórias da nossa atenção.

Recordemos as paragens físicas: até dia 11 de Novembro é a Casa do Cinema de Coimbra que, com o Auditório Salgado Zenha (no edifício da Associação Académica de Coimbra), exibe os filmes das Secções não-competitivas (Outros Olhares, Juniores, Filmes do Mundo, Turno da Noite e Filmes da Lusofonia); o Teatro Académico de Gil Vicente junta-se à festa na semana de 12 a 18 de Novembro, acolhendo as competições da Selecção Caminhos e Selecção Ensaios, enquanto a Casa do Cinema vai acomodando mostras paralelas com o aval da Fipresci ou do Poitiers Film Festival, assim como algumas reposições – de 15 a 18 – de filmes entretanto exibidos no TAGV.

João R. Pais já nos assegurou da raridade excepcional dessas repetições, de maneira a reunir e acomodar o público itinerante em fóruns diários de apreciação e diálogo com o grande ecrã e as temáticas que se desassossegam por entre as imagens em movimento. O programador-geral do Caminhos indica-nos que, durante a tarde do dia 12, serão apresentados no TAGV ficções sobre a identidade e o género: Tornar-se um Homem na Idade Média, de Pedro Neves Marques, Uma Rapariga Imaterial, de André Godinho e Fogo-Fátuo, de João Pedro Rodrigues.

Já no dia 11, os tópicos da sexualidade e do género estarão explicitamente presentes na Casa do Cinema de Coimbra a partir das 17h30, com o filme Jonathan Agassi Saved My Life, de Tomer Heymann a preceder a mesa redonda sobre Trabalho do Sexo no Cinema e Audiovisual, a ocorrer a partir das 19h nesse mesmo espaço, seguida de uma retrospectiva sobre o cinema erótico de António da Silva sob a alçada no Turno da Noite. Mas a ribalta dos Caminhos não ilumina somente tabus sociais.

Trilhos nada secundários

Os Demónios do Meu Avô, de Nuno Beato, é exibido dia 14 às 17h30 no TAGV. Trata-se da primeira longa-metragem de animação stop-motion portuguesa e aborda questões de identidade e tradição no nosso quotidiano nacional, sendo de índole mais adulta que infantil. Para esta última faixa etária, recordamos que há a Secção Juniores, a decorrer nas sessões matinais das 10h30 na Casa do Cinema, dias 7 a 12 e 14 a 18. Uma das muitas secções do Caminhos mais virada para o entretenimento e contemplação, mas onde, juntamente com o Outros Olhares e Selecção Ensaios, pulsa sempre uma veia de debate.

Outra dialéctica é aquela onde o cinema versa sobre o próprio cinema, em jeito de fornecer uma sustentabilidade que a 7.ª arte nacional procura desbravar para os restantes meios culturais e artísticos. Estará em destaque no último dos diálogos promovidos pelo Festival, de seu nome Arquivo e Memória, que ocorrerá no dia 16 às 21h30 na Casa do Cinema. Além dos debates agendados, após cada sessão abre-se espaço para se discutir visões distintas de um público multifacetado, ora partidárias do passado, ora fascinadas pelo futuro.

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