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Bullying nas escolas

Opinião | A banalidade do mal: por que tem de ser a vítima a deixar a escola?

Por Dina Margato

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Fotografia: Mário Canelas

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Quantos jovens estão solidários com a aluna que foi esbofeteada, agredida a pontapés, a quem foi arrancado cabelo à porta da escola Secundária Infanta Dona Maria, em Coimbra? Que iniciativas foram tomadas no interior das escolas no sentido de discutir o episódio grave que se passou à porta deste estabelecimento de ensino? 

Porque estão os casos de bullying a crescerPorque é que em casos de bullying e agressões entre jovens da mesma escola, não são os agressores obrigados a deixar de frequentar a escola? 

Antes desta agressão, a mesma aluna foi fechada numa casa de banho num estabelecimento comercial vizinho. Deitaram-lhe ketchup em cima, entre outros devaneios violentos, e teve de ser socorrida pelo segurança. A mãe conta o que se passou ao jornal Público.

Um muro separa a escola da praça dos Heróis do Ultramar, onde centenas de jovens convivem enquanto aguardam pela próxima aula. São dois mundos. Uma polarização. Cá fora: formam grupos, por vezes, autênticas rodas, e conversam, riem, ouvem música, fumam à socapa, com frequência, cigarros eletrónicos. Espreito lá para dentro: Não vejo os alunos a aproveitar o espaço ajardinado agradável que compõe o interior do recinto escolar. Esse está praticamente vazio.

Lá dentro serão bem comportados e fora transformam-se nuns selvagens? Será isso? Quem são estes alunos que viram uma colega ser pontapeada, arrastada pelo chão, e, que em vez de a ajudarem, mostrarem apoio, filmaram e difundiram o que viram? Atenção, fizeram bem em filmar, pois espalharam informação sobre o que aconteceu, mas o que não percebo é porque os seus braços e a mãos não se moveram até à colega. Porque não a resgataram do quadro sórdido? Porque optaram por assistir em vez de intervir? 

Serão certamente bons alunos, pois esta escola tem fama de ter a nata dos estudantes do secundário, aqueles que terão futuros promissores, na medicina, na política, em todas as áreas. Terão boas notas, falam bem inglês, hobbies interessantes, e quiçá serão bons desportistas. Mas são bons cidadãos, boas pessoas? 

Claro que não serão todos. E muitos haverá que pensam em como tudo isto é errado e grotesco, que estamos diante da banalização da maldade.

Mas. Mas onde estão os movimentos de apoio à jovem que sofreu tamanha humilhação e dor? Onde está a indignação? E os professores, e os funcionários, as famílias, e a comunidade escolar, e todos nós, ficamos em silêncio?

E já agora, com se explica que os mesmos alunos que mantêm a escola limpa e arrumada sejam os mesmos que abandonam restos de comida, embalagens, sacos de plástico de batata frita, caixas de fast food, na praça, transformando-a num baldio repleto de lixo. Ah, são obra dos colegas da escola ao lado! São sempre os outros. O que fizeram até agora para que os colegas da escola ao lado não espalhassem sujidade pelo chão? Ah, o episódio da aluna agredida barbaramente aconteceu à porta do Dona Maria, não foi à porta da escola Avelar Brotero. E não me sai mesmo da cabeça: Porque são sempre as vítimas a terem de fugir?

Dina Margato é jornalista (Jornal de NotíciasExpresso), professora de Jornalismo no Instituto Superior Miguel Torga, investigadora na área dos novos media, doutoranda em Ciências da Comunicação, pelo ISCTE- IUL.

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«A primeira vez que abri uma página online da Coolectiva associei-a ao formato internacional Time Out. Bastaram, porém, uns segundos para perceber que tinha um ADN próprio, que ia além da agenda cultural e das iniciativas destinadas a crianças, sem desvalorizar as agendas, pois, bem feitas, são guias de orientação preciosas.»

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