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Coimbra no Portugal Smart Cities Summit 2022

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Beatriz Marques: «Coimbra está a fazer um grande esforço para ser uma cidade inteligente»

Mais esclarecimento e trabalho em rede podem ser soluções para os desafios da área da construção em Coimbra. É a opinião da arquitecta que representou o Itecons no Portugal Smart Cities Summit 2022 e nos apresentou o instituto sediada em Coimbra.

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Com cerca de duas décadas de vida e hoje quase uma centena de trabalhadores, o Itecons – Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Ambiente, Energia e Sustentabilidade em Coimbra desdobra-se em diferentes áreas de atuação, desde a consultoria técnica e elaboração de projectos, à parte mais tradicional da construção e da energia, passando pela medição e ensaios laboratoriais, com mais de três centenas de ensaios acreditados nas suas modernas instalações, em constante atualização.

A associação sem fins lucrativos classificada como instituição de utilidade pública, que funciona como interface dinâmica do conhecimento entre a comunidade científica e a indústria, fez parte da comitiva coimbrã no stand da Câmara Municipal de Coimbra do Portugal Smart Cities Summit 2022, o maior evento nacional dedicado às cidades inteligentes. Conversámos com Beatriz Marques para não só conhecer melhor o instituto que tem «recebido uma grande aposta e uma grande confiança» nos últimos anos, como ouvir as ideias da arquitecta lisboeta sobre a realidade local.

Filipa Queiroz: O Itecons trabalha com entidades públicas e não se limita a Coimbra, pois não?

Beatriz Marques: Não, são essencialmente da Região Centro, que está mais perto, mas não apenas de Coimbra. Trabalhamos com a Câmara Municipal de Coimbra mas também de Penacova, Ansião, Penela, Montemor-Velho, entre outras. Temos empresas privadas, grandes e pequenas, que nos procuram para o desenvolvimento de materiais e de soluções para a construção, mas não só.

FQ: São conhecidos os desafios da área da construção, desde o fornecimento de materiais à falta de recursos humanos e demoras nos licenciamentos. O que é que leva as pessoas a procurar o Itecons?

BM: De há uns anos para cá começou a apostar muito na sustentabilidade. No desenvolvimento de materiais inovadores e que sejam sustentáveis, quer seja pela incorporação de resíduos, quer seja pela recuperação de materiais naturais. Tentamos não deixar nada de fora à partida e, se as empresas estão dispostas a apostar, vamos atrás, procuramos perceber até que ponto, qual que é a validade de poder usar este tipo de materiais, quais as limitações, como todos os materiais têm, não é? Ajudar nesse processo de entrada no mercado. Uma das vertentes que também temos é o apoio na marcação CE, ajudamos as empresas com esse processo.

FQ: São um Organismo Notificado e Organismo de Avaliação Técnica. O que é marcação CE?

BM: É uma marcação que tem vários sistemas, obrigatória pela Comunidade Europeia para que os produtos da construção possam ser comercializados e para que idealmente sejam aplicados produtos apenas com marcação CE, que demonstrem determinadas características. Como a génese do Itecons está da Universidade de Coimbra, no Departamento de Engenharia Civil, também temos uma área de formação, não só naquelas coisas mais tradicionais, como software, como formação à medida para empresas através de congressos e workshops. Tudo aquilo que vamos sentindo da parte quer dos nossos clientes como do próprio mercado que possam ser interessantes, que vamos tentar dar esta resposta . Por exemplo, há uma legislação nova relativa aos resíduos e já estamos a pensar no que podemos fazer para no fundo partilharmos dúvidas e conhecimento. Por isso é que acho que isto tem crescido tanto, porque estávamos muito focados na construção e neste momento já temos análise de dados, análises químicas, há muitos trabalhos que não têm nada a ver com construção.

FQ: Têm quase uma centena de trabalhadores. É uma equipa diversa em termos de género, faixa etária ou mesmo formação?

BM: Sim, sim. Há muita gente jovem. Acho que houve uma grande aposta nos últimos anos em pessoas jovens. Trabalhar com materiais inovadores e soluções inovadoras, não é que as pessoas mais velhas não consigam, mas os jovens ficam logo muito mais cativados. Mas é uma equipa muito diversa. Temos arquitectos, engenheiros eletrotécnicos, já tivemos biólogos, engenharia física…

FQ: São pessoas que estão a tempo inteiro no Intecons?

BM: Sim.

BM: E estão todos em Coimbra?

BM: Sim.

FQ: Também prestam apoio com as questões burocráticas, do licenciamento, por exemplo?

BM: Tentamos ajudar. Mas a parte burocrática, na minha opinião, deveria ser uma solução que fosse uma coisa mais uniforme entre as câmaras. Porque podemos conhecer muito bem a Câmara Municipal de Coimbra, mas se depois vamos a outra câmara se calhar a situação já é diferente, tem outros tipos de procedimentos e se calhar temos que reaprender, temos que nos ajustar sempre. Se isso é difícil para nós que trabalhamos na área, imagina-se para quem não é. Há muita gente que vem ter connosco para procurar apoio nessa área.  É moroso e às vezes é dispendioso, porque as pessoas acabam por, sem saber, gastar dinheiro sem necessidade.

FQ: Qual é a solução?

BM: Mais esclarecimento. Se calhar haver uma maior homogeneização para não estamos sempre a pensar que temos de partir do zero outra vez. Se simplificar isso para a população é meio caminho andado para ultrapassar este tipo de barreira. Agora há outros problemas. A construção é uma actividade muito complexa, envolve muitos tipos de pessoas, muito tipo de actividade. É um organismo muito complexo, muito robusto, mas ao mesmo tempo parece que é muito delicado e frágil. Somos todos muito interdependentes uns dos outros. Mas é muito interessante, nenhum trabalho é igual ao outro. Eu, que trabalho na área, acho isso muito interessante, muito desafiador, mas admito que para um cliente pode parecer tudo uma grande confusão e muito complicado.

FQ: Por que é que é importante para a Itecons marcar presença em eventos como este Portugal Smart Cities Summit e de braço dado com a autarquia?

BM: Na minha opinião, o papel do Itecons dentro deste tema das Smart Cities, não só em Coimbra mas a nível nacional, tem muito a ver com este braço dado com as entidades públicas e privadas. Quando estamos a falar de Smart Cities estamos a falar de muitas coisas, desde mobilidade até energia, sustentabilidade, questões de resíduos. São todas áreas onde actuamos e todas as empresas estão a precisar, e nós sentimos muito esta necessidade, de esclarecimentos. De saber qual é o caminho, para onde devemos ir, para onde não devemos ir. Assim, andarmos de braço dado com as empresas, para nós, é o ponto de partida. Não somos nós do Itecons que vamos apresentar as soluções. O ponto de partida sai sempre das empresas, das entidades que nos procuram e nós a partir daí é que tentamos ajudar. 

FQ: O ambiente entre colegas é bom?

BM: Sim, é. É um ambiente muito diverso, há muita diversidade. Estava há pouco a falar dos géneros, há um grande equilíbrio de homens e mulheres. Há muitas áreas profissionais ali misturadas. Mas é muito fomentado dentro do Itecons este espírito de complementaridade. Não temos que ser todos iguais, não temos que fazer todos o mesmo. É muito valorizado o papel que cada um possa ter possa trazer mais-valia.

FQ: E Coimbra é uma cidade inteligente?

BM: É uma cidade que está a fazer um grande esforço. Acho que isso é muito importante. Como em todas as cidades, há muitos aspectos a melhorar, principalmente em termos de mobilidade. Eu diria que para a escala da cidade é um aspeto que tem mesmo de melhorar, espero que o Metro Mondego consiga trazer esta melhoria tão desejada. Mas também acho que não deve ser só através do Metro Mondego, acho que devem ser mais coisas, tem de haver uma aposta real, não só da Câmara mas deste organismo todo que está por trás da cidade para que isto seja possível. Para tirar carros de uma cidade com uma escala tão pequena. Não faz sentido ter tantos carros. Não faz sentido as pessoas não utilizarem transporte público, de uma maneira geral. Para mim, que vivi a minha vida inteira em Lisboa e estou há 10 anos em Coimbra, é algo que me faz muita confusão. Sinto-me uma estranha por utilizar o autocarro.

FQ: Estamos a falar de preconceito?

BM: Exactamente 

FQ: Em Lisboa, para si, era natural usar o transporte público.

BM: Sim, era. Perde-se um pouco mais de tempo, mas tem outras comodidades. O carro dá-nos umas liberdades, mas tira-nos outras. E dá mais despesa, sem falar da poluição. Quer dizer, conduzir um carro não é só o combustível, é o investimento que é preciso fazer. Acho que numa cidade com a escala de Coimbra podia-se facilmente encontrar soluções. Tem outros desafios, claro.

FQ: O que é que Coimbra tem de bom para quem vem de Lisboa?

BM: Gosto muito da escala da cidade. É uma cidade onde, apesar de tudo, com alguma facilidade conseguimos chegar a todo lado, não temos algumas barreiras – tirando algumas horas em que realmente existem desafios. Tem uma boa escala para se viver, muito boa qualidade de vida. Tem uma zona junto ao rio que nos últimos anos tem melhorado imenso e dá uma riqueza à cidade, dos espaços públicos, de vivência de comunidade. É muito bonita, muito rica. Senti isso desde as primeiras vezes que vivi a cidade, que é uma cidade que vive do conhecimento, vive da sabedoria, vive à volta da Universidade, vive à volta do Itecons, destas pequenas empresas que vão aparecendo e que atraem pessoas e que atraem uma riqueza que se sente no ar da cidade. É uma cidade pequena e cosmopolita. Já me sinto de Coimbra. 

FQ: Quem quiser saber mais, basta dirigir-se ao Itecons?

BM: Procuramos sempre ter uma primeira conversa para perceber do que é que as pessoas precisam. Há vários tipos de pessoas: há pessoas que não percebem nada de como isto funciona. Tentamos numa primeira conversa perceber até onde é que as pessoas estão dispostas a ir. Mas também há pessoas que já vêm preparadas, com soluções muito boas.

FQ: O desafio é serem sustentáveis em termos ambientais mas também económicos.

BM: Nós percebemos que muitas empresas têm esse desejo, esta procura de soluções mais sustentáveis. Mas também compreendemos que há o lado da viabilidade económica e da recompensa nessa aposta. Nós também tentamos ter sempre esta análise de mercado ao mesmo tempo, as duas coisas, porque percebemos que pode ser uma solução espectacular quer em termos de produção quer em termos de comercialização.

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