Inês Rodrigues assina este texto, produzido no âmbito da parceria entre a Coimbra Coolectiva e estudantes do Mestrado em Jornalismo e Comunicação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, com acompanhamento do professor Francisco Sena Santos, para a cobertura colaborativa do Tech & Arts Festival, no TUMO Coimbra.

 

À entrada do TUMO Coimbra, o movimento de jovens, os passos apressados e a música que ecoava pelo espaço deixavam claro que ali se vivia um dia diferente. No passado dia 10 de maio, o Tech & Arts Fest transformou o centro num ponto de encontro entre arte e tecnologia.

Entre as 10h e as 18h, os visitantes puderam explorar exposições de projetos desenvolvidos pelos TUMOnautas, participar em workshops, assistir a talks, ouvir podcasts em direto e acompanhar showcases tecnológicos ligados a áreas como robótica e programação, sem perder de vista a música e a fotografia.

Na sala 1 decorreu o workshop Music Technology. Do lado de fora, o céu ameaçava chuva, mas dentro da sala reinava um ambiente animado. Risos, trocas de ideias e entusiasmo marcaram a atividade, dinamizada por António Ramires, Francisco Monteiro e Tiago Mendonça, membros da CIGA 239, editora da cidade.

Esta foi a segunda participação da editora no evento, desta vez com o mesmo workshop dividido em dois momentos, de manhã e à tarde. António Ramires explica que, no ano anterior, a sessão única esgotou rapidamente. “Havia muitos miúdos que queriam vir fazer e não podiam, e fizemos outra à tarde, que também encheu, e por isso este ano surgiu logo o convite para repetirmos”, recorda.

Para o responsável, a relação entre música e tecnologia é “um mundo infindável”. Na CIGA 239, essa ligação tem também uma dimensão educativa, com a intenção de “promover a cidade de Coimbra para que todas as gerações consigam fazer música eletrónica”. “Há imenso talento em Coimbra a fazer música eletrónica e queremos muito capacitar as pessoas para fazerem música eletrónica connosco”, afirma.

Mais do que ensinar teoria musical, o workshop procurou abrir possibilidades. Os jovens foram introduzidos à utilização de inteligência artificial na música, através de algoritmos treinados com milhões de canções, capazes de transformar sons e ideias em novas formas de criação.

Ramires considera que esta ligação entre música e tecnologia democratiza o processo criativo. “Antigamente precisava-se ter um conservatório, precisava-se aprender tudo o que era teoria musical, e hoje em dia, com as digital audio workstations, como o Ableton, como o Logic, qualquer pessoa consegue ter isso no computador e fazer música em casa”, explica.

Ainda assim, sublinha que a tecnologia não resolve tudo nem substitui a sensibilidade artística. “Acho que depende muito de pessoa para pessoa”, refere. E, sobre o papel do TUMO neste processo, deixa uma ideia central: a experiência pode ser decisiva no futuro destes jovens. “Acredito que, daqui a uns anos, quando estes adolescentes chegarem à maioridade e puderem decidir o que querem fazer da vida, esta experiência vai abrir-lhes imensas portas”, conclui.

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Nasci em Belém, vivo em Coimbra e me reinvento constantemente entre projetos. Comecei na RUC – Rádio Universidade de Coimbra, vivi o ritmo acelerado da Rádio CBN na Amazónia e me apaixonei pela ponte entre Ciência, Comunicação e Sociedade durante a especialização em divulgação científica na Fiocruz. Agora, enquanto doutoranda em Ciências da Comunicação, continuo jornalista porque gosto de contar as histórias das pessoas. Para mim, histórias sonoras são as melhores, o que me levou a criar o podcast investigativo narrativo O Caso Boaventura. Escrevo guiões e faço pesquisas para cinema documental. Aprendo as regras do rugby com o meu filho e continuo convencida de que o melhor perfume do mundo vem do patchouli. Sigo fiel aos jornais de papel, às séries true crime para espairecer e à frase de Cláudio Abramo que melhor define o ofício: «O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter.»

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