Ana Miguéis assina este texto, produzido no âmbito da parceria entre a Coimbra Coolectiva e estudantes do Mestrado em Jornalismo e Comunicação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, com acompanhamento do professor Francisco Sena Santos, para a cobertura colaborativa do Tech & Arts Festival, no TUMO Coimbra.
A sala enche-se, os corredores ganham movimento e o antigo edifício dos Correios, Telégrafos e Telefones de Coimbra, hoje TUMO Coimbra, abre as portas para um domingo dedicado à experimentação, à criatividade e à tecnologia. Foi nesse ambiente que decorreu o Tech & Arts Fest 2026.
Ao longo da manhã, o festival acolheu várias atividades, entre workshops, podcasts e palestras, mostrando como a relação entre arte e tecnologia pode ser vivida de forma concreta e participada. O espaço transformou-se num ponto de encontro entre gerações, ideias e linguagens criativas.
Numa conversa para o podcast da Coimbra Coolectiva, o vice-presidente da Câmara de Coimbra, Miguel Antunes, sublinhou o potencial do desenvolvimento tecnológico na criação de novas ferramentas, na flexibilização de competências e na ampliação de conhecimentos.
Essa ligação entre tecnologia e criação esteve também presente no workshop de música dinamizado pela CIGA 239, onde se percorreu a história da música através de ritmos, harmonias, melodias e texturas. Baterias, vozes e sintetizadores fizeram parte de uma atividade pensada para aproximar os participantes da produção musical de forma prática e acessível.
No meio de computadores, auscultadores e instrumentos à espera de novos projetos, a música criou um encontro entre filhos, pais e avós, unidos pela curiosidade e pela vontade de experimentar. O festival mostrou, assim, que a tecnologia pode ser uma aliada da criação artística e abrir caminho a novas formas de expressão.
Miguel Antunes alertou, contudo, para as desigualdades no acesso a estas ferramentas, lembrando que a democratização tecnológica ainda tem caminho a percorrer em Coimbra. Mesmo assim, destacou a importância de projetos como o TUMO, que promove um programa educativo dirigido a jovens entre os 12 e os 18 anos e articula tecnologia com criatividade.


Também João Seabra defendeu a importância de “pensar fora da caixa”. Mestre em artes digitais e animação por computador, e fundador do itMatters.studio e da BrandingStudio.ai, destacou a junção entre animação, código, música, design e inteligência artificial como caminho para ampliar possibilidades criativas. No seu percurso, projetos de rebranding para marcas como a Coca-Cola e a Vodafone ilustram o cruzamento entre linguagem visual e tecnologia.
Mas a tecnologia no Tech & Arts Fest não se resume a computadores e robôs. A música fez-se também de vozes, harmonias, palmas e estalar de dedos, como mostrou o Coro Coimbra Cantat. No fim, o festival deixou clara uma ideia essencial: por detrás de cada projeto está uma pessoa, um percurso e uma forma própria de olhar o mundo. E é nesse lado humano que arte e tecnologia encontram o seu equilíbrio mais forte.
