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A diversidade tem sabor A Leste e forma de chaminé na zona histórica

Achavam que não cabia mais doçaria em Coimbra, e em particular no Quebra Costas? Pois há um novo residente e vem da Polónia.

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Fotografia: Mário Canelas

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O disco de vinil decorado com flores à entrada do número oito do Quebra Costas indica que em tempos o espaço foi uma loja de música. Os álbuns há muito que já foram, contudo, o seu som melodioso transformou-se em sabor autêntico e reconfortante, tal como só a música consegue ser.

Na malha urbana de Coimbra, entre a Alta e a Baixa, nasceu A Leste, o novo estabelecimento que não é só um sítio para comer, nem tampouco apenas um negócio local. É a afirmação de que Coimbra está de boa saúde e recomenda-se.

O conceito é simples: diversificar a oferta doceira conimbricense com algo inovador, vistoso e saboroso. O Bolo-chaminé é feito de uma massa fofa mas crocante, cozida em espiral, que pode ser recheada e ter uma panóplia de coberturas, nomeadamente chocolate, amêndoa ou ainda o tradicional doce de ovos.

Como os olhos comem primeiro do que a boca, também este é um local cujo ambiente criado através da decoração, combina com a doçura e leveza dos bolos que lá são feitos. As paredes pintadas num tom de verde pastel acolhedor, contrastam lindamente com os
apliques de madeira clara, que refletem a atmosfera contemporânea que foi idealizada para a loja.

Quem do passeio se depara com a fusão do design moderno com o aroma açucarado, não resiste a aproximar-se e contemplar a confecção feita no open space montado por Rui Pais. O proprietário e responsável pela identidade da marca diz que tudo começou numa viagem a Cracóvia, na Polónia, onde contactou com o Chimney-cake pela primeira vez. «Vimos e gostamos», atira Rui, na altura ainda longe de pensar que traria o bolo do leste da Europa para Portugal.

Muito populares em países com a Hungria e a Roménia, os kürtöskalács (nome original) já se comercializam em Lisboa. Em Coimbra, o Quebra Costas foi a escolha óbvia para Rui Pais pela congregação «de energias». Pelo turista «que sobe e desce» a rua a caminho da Universidade de Coimbra e pelos conimbricense atraídos pela atmosfera típica do largo.

O empresário afirma com orgulho que a primeira publicação que partilhou nas redes sociais recebeu milhares de visualizações. De um público alvo com idades entre os 40 e os 60 anos no Facebook, o Bolo-chaminé começou a fazer salivar os mais jovens no Instagram e no Tik-Tok. As visitas sucedem-se de Domingo a Domingo, entre as 11h e as 19h (mais tarde à quinta, à sexta e ao Sábado).

Apesar de Coimbra ser conhecida pelo seu património doceiro, Rui Pais considera que há espaço para novos conceitos e produtos, assegurando que o seu negócio só tem a ganhar com a captação de «atenção e gente». Até à data, diz que só tem a agradecer aos vizinhos lojistas o acolhimento e a «ambiência bastante engraçada» e afirma que um dos seus propósitos é mesmo o de dar vida ao centro da cidade. Uma tarefa que se tem revelado mais complicada do que esperava devido a uma certa dispersão da cidade que considera «multicentrada e sem [um verdadeiro] centro» e onde faltam «negócios diferenciadores» que consigam atrair novos clientes, onde, no entanto, o Quebra Costas pode ser considerado um «bom exemplo» da reabilitação urbana e comercial de que a cidade necessita.

Diversidade e dinamismo

Estamos sentados no largo. Rui Pais olha em volta e confirma que a maioria das lojas do Quebra Costas estão ocupadas com «negócios com diferenciação». «Está um espaço muito usufruível», nota, admitindo no entanto que, não obstante o sucesso comercial da zona, os trabalhos de requalificação na Alta atrapalham e são morosos.

Para Rui Pais, o dinamismo do centro histórico de Aveiro é um bom exemplo, porque o centro permite que os visitantes se dispersem mais. Quando estava à procura do espaço para abrir o negócio dos bolos-chaminé em Coimbra, considerou a Rua Adelino de Veiga, na Baixa, e até considerou as rendas «muito mais apelativas». Não avançou porque abrir um negócio «numa dessas ruas é meio caminho andado para fechar» num curto espaço de tempo.

Apelando à autarquia que se encarregue de estimular a instalação de espaços comerciais e empresariais que chamem de novo a população para as ruas da Baixa, Rui Pais confessa que o novo executivo camarário tem dado sinais de esperança, por apresentar uma visão concreta daquilo que quer reformular na cidade. Também congratula a iniciativa privada por, no seu ponto de vista, ter conseguido reabilitar «várias partes da cidade que estavam completamente devolutas», no entanto, é crítico em relação à gentrificação que aconteceu em Lisboa e no Porto e receia que o mesmo possa acontecer na nossa cidade.

O empresário defende uma reabilitação ponderada, cativando pessoas de perfis socioculturais diversos e atentando à distribuição das funções urbanas pelos imóveis existentes, rematando que «ninguém quer que a baixa continue a ser um sítio onde apenas existem pessoas de baixos rendimentos e idosos».

Se as vendas se mantiverem estáveis, é possível que o Bolo-chaminé que Rui Pais trouxe de Leste viaje até novas geografias nacionais, mas por agora lambem-se os dedos e celebra-se a diversidade gulosa no coração da cidade.

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