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Fugas e perdas de água

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Bebedouros

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Dicas para poupar água

As «queixas» que foram a gota de água

Coimbra vai ter 30 novos bebedouros – ou como uma escola conseguiu em cinco meses dar água potável aos alunos, levar à instalação de «uma obra de arte» em mais estabelecimentos do ensino público com o mesmo problema e ver a empresa Águas de Coimbra estender o projecto ao município.

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Fotografia: Mário Canelas

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Esta é uma daquelas vezes em que bastou falar. A Inês já não precisa de abanar o cantil para a água ficar «da cor natural» antes de a beber; a Ana Carolina pode agora matar a sede sem ter de «perder tempo a ir ao Bloco A» comprar uma garrafa e o Miguel, que acredita que «a água não se deve pagar», ganhou uma alternativa «acessível e de qualidade» à torneira do bar, que, a par da cozinha, era o único ponto na EB 2,3 Inês de Castro onde o sistema de canalização não deixava rastos de ferrugem no copo. Foi assim até ao final do ano passado. A escola recebeu o primeiro de 30 novos bebedouros previstos para Coimbra e é a protagonista da «pequena história de queixas» que, na expressão do presidente da Águas de Coimbra, Alfeu de Sá Marques, levou a empresa municipal a avançar com o projecto.

«Todas as coisas começam com uma história», retoma, na apresentação ao público do protótipo do novo bebedouro. Aqui, «a coisa» tem forma de uma gota feita em betão e resulta da campanha para promover o consumo de água da torneira e estabelecer hábitos mais sustentáveis, quando muitas das escolas mantêm a canalização antiga em galvanizado. «Andámos a distribuir garrafas [reutilizáveis pelos alunos], as nossas “Ânforas”. Como são transparentes, via-se que a água era castanha. Ninguém gosta de beber uma água castanha», atesta Alfeu de Sá Marques.

As análises feitas em Agosto na fonte colocada pela Águas de Coimbra na Inês de Castro, em São Martinho do Bispo, confirmaram a má qualidade – mesmo com o uso de filtros. «Não podíamos ficar sem qualquer bebedouro e insistimos. Encontrámos recepção no professor Alfeu, que conseguiu a colaboração da Câmara e trouxe-nos este presente. Dissemos: “Impecável”. É uma grande alegria podermos dar boa água aos nossos alunos», realça Nélson Gomes, coordenador da escola.

As notícias não ficam por aqui: em Junho arrancam as obras para substituir as tubagens no interior dos edifícios e colocar a canalização exterior um metro mais abaixo. «As infraestruturas da água estão muito velhas; sai muita ferrugem. A escola foi feita há 36 anos. Cá fora, o problema é que está tudo muito à superfície. No início de Dezembro, tínhamos aqui quatro roturas pelo facto de haver camionetas a passar para a cozinha», indica o professor.

A falta de manutenção em alguns espaços é o ponto fraco da rede pública, num concelho que oferece a melhor água do país – o valor de qualidade situou-se sempre acima dos 99,50%, entre 2014 e 2019, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

A Águas de Coimbra, garante Alfeu de Sá Marques, tem «uma taxa elevada de renovação de condutas» e quer avançar para uma «melhoria contínua» do sistema de abastecimento, que passa também pelo zelo dos consumidores. Em média, a canalização de um edifício deve ser substituída a cada 25 anos.

O caso da EB 2,3 Inês de Castro levou a empresa municipal a fazer um levantamento junto de todas as escolas sob alçada da Câmara e sinalizar as que mais precisam de novos equipamentos: numa primeira fase, são 16 as que vão receber o novo bebedouro, beneficiando quase sete mil alunos, o que representa 70 por cento do universo total dos estudantes do município.

O projecto prevê a distribuição de mais 14 «Gotas» por outros espaços urbanos, mas a localização está ainda em aberto.

«Gotas» por distribuir

A cidade conta com cerca de 30 bebedouros, mas parte está desactivada – por falta de uso ou por estarem danificados. A ideia, destaca o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, José Manuel Silva, é «somar» os novos aos que já existem, porém «poderá ser necessário fazer substituições».

O mapeamento, continua o autarca, vai caber aos “urbanistas e arquitectos paisagistas”, encarregados de escolher «sítios onde se possa localizar um bebedouro sem causar incómodo e onde haja maior afluxo de pessoas». A necessidade existe: há quem faça percursos de 12km sem conseguir encher a garrafa.

A olhar para o primeiro «Gota», instalado na escola Inês de Castro, José Manuel Silva declara-se perante uma «obra de arte» que transmite «esta mensagem extremamente importante de que as pessoas em Coimbra não precisam de beber água engarrafada» porque a que sai da torneira «é de extraordinária qualidade». E, ao fazerem-no, remata, podem usar garrafas reutilizáveis, tornando o consumo muito mais económico, sustentável e ecológico.

A comercialização de água engarrafada tem um impacto ambiental negativo significativo. De acordo com a associação Zero, parceira da EPAL – Empresa Portuguesa das Águas Livres, se uma pessoa optar pela torneira pode, por ano, evitar a produção de 5 kg de resíduos e reduzir em 25 vezes as emissões de gases com efeito de estufa. Só em Portugal, produzem-se cerca de mil milhões de embalagens destinadas à venda de água – estamos no topo da lista de países da Europa com maior consumo per capita de água engarrafada. Neste site encontram dados de diferentes estudos sobre a pegada carbónica e energética que deixamos quando decidimos comprar água.

O novo bebedouro de Coimbra (desenhado pelo arquitecto da Águas de Coimbra Gonçalo Paixão) é acessível e as peças a ser instaladas fora das escolas vão ter uma pia para servir também os animais. A superfície é lavável e Alfeu de Sá Marques convida os estudantes a deixarem mensagens sobre sustentabilidade.

Na Inês de Castro, distinguida com a «bandeira verde» do programa internacional Eco-Escolas, que certifica o trabalho na área da educação ambiental e de sustentabilidade, não faltam dicas. «Quando lavo as mãos, desligo a água para pôr o sabão. Também fecho a torneira quando escovo os dentes», começa Afonso. Mariana aproxima-se com outro hábito: «No duche, enquanto a água está fria, encho um balde». «Podes usá-la para regar as plantas», acrescenta Martim, que estende o exemplo à água da chuva.

A torneira do «Gota» está programada para encher uma garrafa ou um cantil de meio litro, mas convive bem com o improviso. «Eu vou lá com a mão e bebo», partilha Enzo, rapaz de muita sede, que, como boa parte dos colegas, está consciente de que água não é um recurso inesgotável e orgulha-se de ser um exemplo de boas práticas ambientais.

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