Cerca de 15 mil pessoas já visitaram esta «Fábrica das Sombras», que instalou-se em Coimbra desde a primeira semana de abril. Criada pelo casal de artistas canadianos Janet Cardiff e George Bures Miller, a mostra permite que o público tenha experiências sensoriais imersivas de uma forma multidimensional, ativando diversos sentidos simultaneamente.

Esta é a última semana para esta exposição que a Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra Anozero promove como Solo Show e que acontece entre as edições bienais principais. Trata-se de um projeto que destaca um artista ou dupla de artistas de renome internacional, apresentando suas obras em um espaço emblemático da cidade, como o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova.

Em 2023, conhecemos Ragnar Kjartansson e, este ano, a Bienal convidou Cardiff e Miller para apresentar dez obras e consolidar a cidade como um ponto de referência no mapa internacional da arte contemporânea. A mostra tem curadoria do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra e despede-se de Coimbra com uma programação especial:

Sábado, 5 de julho (a exposição estará excepcionalmente aberta até às 22h)

11h Exposição
14h30 e 16h Visita guiada
14h30 e 17h30 Workshop com Marco Paiva (com inscrição)
19h Finissage com jantar (com inscrição)
20h30 Performance por Cláudio Vidal + músico convidado
21h00 Percurso: Capela > Flanco da Cerca do Mosteiro
21h30 Concerto de Ece Canli
23h David Rodrigues DJ Set

Domingo, 6 de julho

11h Exposição  
19h Cerimónia de encerramento com a presença de representantes das três entidades que organizam a Anozero.

A não perder

Nesta «Máquina do Infinito», Cardiff e Miller preenchem o espaço com uma experiência sonora e visual inspirada no conceito de música das esferas do antigo filósofo grego Pitágoras. A instalação traz aspectos desta teoria de que o movimento dos corpos celestes cria harmonias sonoras e que foram corroborados pelas sondas espaciais Voyager I e II da NASA. Os visitantes ouvem uma colagem de áudio composta pelas gravações das sondas das interações do vento solar com os campos magnéticos de planetas e luas em nosso sistema solar. Embora inaudíveis no espaço, as vibrações resultantes se enquadram na faixa de frequências audíveis ao ouvido humano e podem ser reproduzidas como som na Terra. Essa banda sonora acompanha um arranjo rotativo de 170 espelhos antigos, numa série teoricamente infinita de reflexos.

A instalação «Forty Part Motet» reúne 40 colunas espalhadas pela sala, de onde são emitidas individualmente vozes de crianças a cantar uma música do século XIX.

A exposição pode ser visitada de quarta-feira a domingo, das 11h às 19h, com entrada livre.

Janet Cardiff e George Bures Miller, trabalham com obras imersivas que exploram as possibilidades escultóricas do som. Numa carta aberta, Cardiff apresentou o seu pedido para que o Mosteiro seja reconhecido como um tesouro nacional e elevado a centro cultural,

A Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra Anozero é uma iniciativa organizada pelo Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra e Universidade de Coimbra desde 2015. É também um programa de ativação e reflexão sobre espaços patrimoniais, cujo momento fundador foi a classificação da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia como Património Mundial da Humanidade, pela UNESCO, em 2013.

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