No Beco do Forno, uma das ruelas mais estreitas e misteriosas da Baixa de Coimbra, surge um novo espaço com nome quase igual ao do lendário restaurante ao lado — Rui Manuel dos Ossos. Entre paredes de pedra antiga, quase coladas às do mítico Zé Manel dos Ossos, a cidade já olha com curiosidade para a promessa de histórias que se renovam.
A coincidência do nome não é acaso. Rui Ferreira trabalhou durante anos na casa ao lado, onde aprendeu cada segredo do molho, cada gesto do tacho, convivendo com a equipa do mítico Zé Manel dos Ossos, ponto de encontro de estudantes, turistas e habitantes locais, famoso pelos ossos de espinhaço e dezenas de mensagens escritas à mão nos pedaços de papel afixados nas paredes. No início de junho, anunciou discretamente a saída nas redes sociais — «a equipa já não se encontra a laborar no Zé Manel dos Ossos» — e deixou no ar a promessa de novidades. Meio ano depois, as portas do novo restaurante estão prestes a abrir.?
A visita ao novo espaço revela bastidores de obra, engenho e dedicação: escadas ainda por fixar, mesas alinhadas com precisão, prateleiras à espera das garrafas que vão compor a garrafeira iluminada. Rui aponta com orgulho para os detalhes: a cozinha profissional agora maior, os arcos de pedra restaurados, a plataforma removível para acessibilidade e a cozinha de preparação no primeiro andar que apoia a cozinha principal, visível aos clientes. «Cada canto tem uma história, cada mesa vai ter um significado», repete o anfitrião, rodeado por uma equipa fiel de antigos camaradas.
«A carta? Tudo o que já conhecem… e mais algumas coisas», garante Rui. Ossos, Costela de porco com molho segredo, Arroz de feijão malandro com barriguinhas, Polvo na brasa com molho especial, Lombo de javali assado no forno e até o doce com o nome curioso de «vomitado» regressam à mesa, ao lado da mousse de chocolate e outros clássicos: agora preparados com mais fogões, mais forno, mais mãos.
O passado? «O passado é o passado. Agora quero é viver o futuro», resume Rui, de olhos brilhantes, sem ressentimentos mas com entusiasmo genuíno de quem volta a começar. Esse futuro começa ainda este mês, num espaço renovado que promete manter viva uma tradição muito coimbrã: a da tasca onde cabem os pratos de sempre e muitas histórias.
O pequeno Beco do Forno, porta de entrada da lendária «faculdade secreta de Coimbra», vai ganhar nova lição: dois restaurantes quase lado a lado, duas visões da mesma herança, e uma cidade inteira curiosa para provar o resultado.





