Olá, meus pantagruélicos coimbrinhas.

Uma rua. Cento e cinquenta metros. Seis restaurantes. Juiz desembargador, fundador do Sinédrio. Figueirense de nascença, nunca pensou que a rua que o recorda albergasse, em tão curto espaço, seis restaurantes. Um dos quais aquele que hoje visitamos, na Rua Fernandes Thomaz.

Na senda do que foi a repentina disseminação de petisqueiras à la española que cobriram a cidade na segunda metade do decénio passado, surge, inaugurado há quase dois anos, o Boutique – Tapas & Petiscos. Assim, ninguém vai ao engano.

O que primeiro nos chama a atenção é a decoração, a fazer lembrar uma casa de restauro da cidade, shabby chic. Espaço exíguo, mas aconchegante e acolhedor.

Iniciamos com Sardinha Teriyaki, lombos de conserva marinados no dito molho, lascando-se suavemente, sempre equilibrados pelo lustroso agridoce. Conforme vamos deslizando os olhos sobre o menu, o que salta à vista é um ponderado equilíbrio entre opções vegetarianas e omnívoras, não discriminando ninguém. Diferentes Risotti, de Espargos Frescos e Cogumelos, de Abóbora e Frango, de Alheira Vegetariana, ainda várias saladas e, para quem opta pelas carnes, diferentes vazias à disposição, mostarda, chimichurri, rum e cinco pimentas. Um hino à diversidade.



Assim, optámos, num conceito muito maniqueísta, por um Brás de Cogumelos Frescos e por um Pica-Pau, pelo qual nos perguntaram se já havíamos provado, pois é muito diferente dos habituais, mas já lá vamos. Aliás, como também vamos votar no dia 10 de março.

A grande qualidade dos cogumelos frescos é garantirem a profusão dos aromas telúricos que se procuram nestes fungos. É assim também a grande qualidade deste prato, uma perfeita irmanação daqueles com o cremoso envolvente que lhes serve de cama, a fragrância e o paladar encerram o prato.

De seguida, o famigerado pica-pau. É o molho que lhe dá o toque distinto – não tão distinto quanto as recomendações Michelin atribuídas esta terça-feira à sublime e delicada cozinha do sushiman Ricardo Casqueiro do M – A a afinar ainda o caótico sistema de reservas! E ao arrojo e irreverência do chef Marco Almeida d’ O Palco (ambos, obviamente, já alvo de análise desta rubrica) – não conseguimos descortinar completamente os matizes que o compõem, mas para melhor resumir, fez despertar o
amante de moelas que há em nós.



O final ficou a cargo do Crepe de Ovos Moles e Gelado, melhor o crepe que o gelado. As diferentes opções das sobremesas, de tão desinteressantes, fazem destas um ponto fraco na carta. Cheesecake, Mousse de Chocolate e Petit Gateau recordam-me o cheiro a alcatifa e vejo-me a recuar a um qualquer avermelhado bar no Astória.

Vão com tempo, demorem-se. É um restaurante para namorar e Coimbra já dispõe de aplicação de pagamento de estacionamento à distância, o iParque Driver, por isso despreocupem-se.

Pantagruélicas saudações, meus coimbrinhas.

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