Olá, meus pantagruélicos coimbrinhas.

Hoje estamos aqui para algo diferente. Vamos aproveitar a canícula do estio e deixar as comezainas para outras luas.

O exercício desta crónica passa por enumerar as melhores esplanadas da cidade, com os melhores finos. Atenção, não se procura aqui elencar o melhor néctar dourado, nem a melhor calçada preenchida pelas cadeiras da Adico.

Procuramos antes, ambos, os mesmos, ao mesmo tempo. A convergência onde o melhor dos dois mundos se junta. Um pouco como ter a Ágata a atuar hoje, dia 7 de julho, no Relíquias Bar. Ouro sobre azul.

Por isso, e por muito que custe a uma larga maioria dos coimbrinhas que nos leem, locais como o Piolho, Atenas, Mónaco ou Esquininha não poderão constar nesta lista. As suas urbano-depressivas esplanadas não o permitem.

De igual forma, mas no canto diametralmente oposto, locais como o Parque Verde, Galeria, Almedina do Estádio e Loggia, que não fazem acompanhar os seus privilegiados terraços com líquido de mesma têmpera.

O que sobra a uns, carece a outros. É como ter o Toy a atuar em plena Feira Popular, com todas as diversões encerradas. Assim se faz Coimbra.

Comecemos pela soalheira S. José, no Gira. Que tanto é S. José como… as outras todas que agora a ladeiam e que, se calhar, preenchem todos os requisitos enumerados acima, mas encalham no suburbanismo de dona de casa desesperada.

São esplanadas de subúrbio sub-reptícias. Esplanadas matinais. Esplanadas de jornal debaixo de braço. Esplanada de reformado e aspirante a coimbrinha. Ainda assim digníssimas de constarem no pódio.

Voltemo-nos, entretanto, para um dos ex-libris da cidade, a Praça e as suas milhentas cadeiras. A envergonhada praça, que não se mostra ao sol, e que se parece ao pelouro da Cultura em Coimbra, fazendo qualquer dia de verão tornar-se num tenebroso e cinzentão inverno. 

A Praça é um eclipse e por essa razão imerecida daqui constar.

Há uma exceção neste círculo tropical ártico. Aquela que foi, em tempos, uma das mais badaladas casas da cidade, que se destacava por ter uma manjedoura como urinol, e que hoje dá pelo nome de Murphy’s. Conquistou, com todo o mérito e, aproveitando a boleia do Covid, parte do Sereia e aí
se tornou senhora e rainha. O Biergarten conimbricense.

Enquanto caminhamos para a cidade antiga, paramos na Geladaria Cosí, para experimentar a mais recente e inédita criação que é o gelado à base de pétalas de rosa, apresentado à cidade, neste último dia 4, Dia da Cidade.  

Já em plena Praça do Comércio, a esplanada do Coola-Boola tem-se revelado uma lufada de ar fresco naquele vetusto largo, pelas suas tardes animadas, movidas a cerveja e música, repletas de efusivo pessoal e, quase sempre, com um qualquer evento alternativo como side-kick. Orgulhosa detentora de uma boa coleção de cervejame importado e de artesanais pátrias, além, como não podia deixar de ser, das corriqueiras finadas.

Estas, com a chancela Praxis, o deck mais badalado da cidade, que talvez peque pela sua estrutura coberta e preços mais consentâneos com Quinta São Jerónimo que Quinta da Várzea.

Atravessando a ponte, achamos uma das mais prestimosas esplanadas desta aldeia. O Gula.  Um exíguo espaço interior é dono e senhor duma soberba e enorme esplanada (bendita Covid). Tem o senão de, demasiado cedo, o sol se refugiar por trás dos prédios e árvores adjacentes e o final de tarde, qual monte dos Olivais, ser perseguido por um insidioso ventinho que torna intolerante qualquer t-shirt ou calçonete.

Para finalizar, há que chamar a atenção para duas subvalorizadas esplanadas. Primeiro, a não tida nem achada esplanada do Exploratório. Sol que não acaba, recolhida dos calores dos escapes e do frenesi imediato dos transeuntes que passam, sem passarada ou gente inoportuna. Peca pela enormíssima probabilidade de nos depararmos com uma creche em potência com as suas bicicletas, trotinetes e gritos estridentes. Qual IP3 em hora de ponta, pelo qual o nosso edil se disponibilizará a cortar a A1.

Antes tarde que nunca.

Em segundo, a esplanada do Parque de Campismo. Um pequeno oásis na cidade, diferente das demais, com exposição qb, preçário à Alto de São João e com a grande vantagem de muito dificilmente lá se encontrar algum conhecido.

E para vós, quais as esplanadas aqui esquecidas, as vossas diletas? E, por favor, não procuramos recantos esconsos, cadeiras espalhadas em meio metro quadrado duma esquina qualquer. 


Pantagruélicas saudações, meus coimbrinhas.

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Jornalista

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