Olá, meus pantagruélicos coimbrinhas.
Antes de mais, sejam muito bem-vindos a um dos dois restaurantes italianos existentes em Coimbra (do outro falaremos noutra ocasião). Sim, todos sabemos, há mais umas quantas casas que servem pizas, pastas requentadas e pratos congelados onde, por vezes, a faca estanca no empedernido e gélido corte do núcleo. Esses sucedâneos são isso mesmo, pequenas Expo Cernache (de 24 a 27 de agosto, com a presença de Micaela e João Claro) ao lado da Expofacic que é o Spaghetti Notte.
Que fique desde já claro que aqui não há espaço para piza. Como já referido, este é um restaurante italiano, não uma pizzeria. Tem como fio condutor a excelsa sabedoria de quem ama o que faz, em confecionar tudo com pasta fresca, não havendo aqui lugar a comprar gato por lebre, como quem busca boa música numa noite no NB.
Quando entramos ficamos logo com a sensação de confortável acolhimento, face à imaculada decoração e ainda com o magnífico espaço exterior que é um oásis, numa das avenidas mais feias e descaracterizadas da cidade. Ótimo para acolher nestas noites de verão, que contam ainda, até dia 26 de Agosto, com o Quebra Jazz, no Quebra Costas pois claro.
Iniciamos a nossa viagem por terras transalpinas com o mavioso carpaccio. A vitela braseada laminada a dissipar-se no tépido da boca. Inolvidável fusão que nos alaga o palato. Se quisermos debruar a ouro este intróito, peça-se então o Parmigiano Reggiano, para apurar a experiência sensorial com o estrepitante cruzar do suave adocicado e o ligeiro picante deste queijo.
Para prato principal – habitualmente passo pelos Gnocchi como quem passa pelo Sereia à noite, a correr e sempre desconfiado. Não é o meu prato dileto, mas os amantes sempre terão essa opção – salto diretamente para o Risotto. Os risotti deste restaurante nascido e importado de São Paulo, são do melhor que a casa tem para oferecer e dos mais superiormente executados que provei em terras lusas.
Não vou enveredar pela consistência do mesmo e suave textura até o dente atingir o núcleo de cada bago que aí, sim, se quebra suavemente. Vou antes atentar à prodigiosa arte de impregnar de sabor cada apetitoso grão, com inestimáveis fragrância e paladar.
Recaio quase sempre sobre o Risotto de Caril Picante e Camarões Selvagens – não esquecer que vamos todos poder comer camarão no Festival de Marisco de 5 a 15 de agosto no Parque Manuel Braga – mas o Risotto de Carne de Vitela e Cebola Caramelizada com Avelã passa grande parte do tempo a sorrir na minha direção, tendo inclusive já deixado o seu número de telemóvel escrito num guardanapo.
Em qualquer restaurante que frequente tenho sempre a ligeira sensação de que podia fazer os pratos de esparguete em casa, sendo assim, em alternativa ao Risotto, é sempre melhor debruçar sobre a Pasta Ripiena, neste caso Ravioli.
Aqui optando por Ravioli d’Anatra con Crema all’Arancia e Uvette, que é como quem diz Ravioli de Pato com Molho de Laranja e Passas. Quem aprecia a contrastante dicotomia do agridoce, encontra aqui uma excelente escolha. Quem também parece adorar contrastantes dicotomias são os comerciantes proprietários de lojas em ruas total ou parcialmente encerradas devido às obras do Metro Mondego, que agora reclamam a este que lhes pague os prejuízos. Ah, Pato com Laranja!
Para a carta ficar completa há ainda a opção dos pratos de carne. Ainda que sempre me parecesse desperdício optar por estes num italiano, mesmo sabendo da fama que precede o Bistecca alla Fiorentine.
Assim, chegamos ao açucarado desfecho que, devo confessar, me impele somente num sentido: MMM – Morangos Biológicos, Mousse de Mascarpone e Merengue Assado. Não há como enganar.
Pantagruélicas saudações, meus coimbrinhas.