Miguel e Álvaro Melo são dois irmãos que estão a ajudar o pai no espaço que salta à vista na Alta de Coimbra, e onde, durante muitos anos, funcionou o Governo Civil do distrito. O espaço do bar foi alterado ao nível do mobiliário e da carta de cocktails, que conta uma história que vai para além do seu simples consumo. No andar de cima nasceu um restaurante com produtos locais.

«Juntámos um grupo de pessoas com muita vontade de trabalhar, num espaço que a cidade não tem em mais lado nenhum», conta Álvaro Melo. A vista da cidade, admite a gerência, é a grande mais valia do espaço. Mas também a parte interior foi alvo de um grande investimento, com novo mobiliário e um espaço junto à lareira para os dias mais frios. «Quisemos também tornar estas salas interiores mais agradáveis, dar alguma leveza, e quisemos tornar o espaço cada vez mais cómodo», sublinha Miguel Melo. A distinção entre bar e restaurante também marca esta nova etapa do Passaporte, com o bar a ser destinado às bebidas (com destaque para os cocktails) e o restaurante para a comida de prato. 

No bar também há comida, mas mais como aperitivo, com uma variedade que vai da tempura de bacalhau, croquetes de novilho e tacos de carne, vegetarianos ou de gambas. O consumo é obrigatório, mas deixou de ser mínimo. «Deixámos de ter o consumo mínimo à porta, que na altura era de cinco euros. Agora temos consumo obrigatório, mas não temos consumo mínimo», destaca Miguel Melo.

A história nos cocktails

«A cidade assistiu ao acontecimento que mesmo as mais férteis imaginações não conseguiram prever. Esta é a festa em que se celebra o início de uma nova viagem. A celebração da loucura, da coragem, da amizade. Essa amizade que perdoou corações desunidos, fronteiras imaginárias e sentimentos mal-amados». Esta passagem podia ser o início do capítulo de um qualquer livro, mas não. É a história de um dos cocktails do bar do Passaporte, o Amizade, composto por Kombucha de framboesa, Pitaia, Gengibre, Lima, Martini Vibrante e Manjericão. E é esse o objectivo do bar: contar uma história nas suas bebidas.

«Temos um estilo de fazer bebidas que não há em Coimbra. Queremos que os clientes experimentem coisas diferentes, numa cidade que tem uma série de pontos de inspiração. Criámos um universo, uma história através dos cocktails”, explica o chefe de bar do Passaporte, Gonçalo Bragança. Segundo o chefe do bar, o conceito passa por não dar apenas uma bebida ao cliente, mas sim uma experiência. «O conceito dos nossos cocktails é minimalista, também para me poder sentar com o cliente, conversar com ele, explicar-lhe o conceito e fazer parte da sua experiência», completa.

A História do edifício

Estima-se que, naquele espaço, funcionou o Colégio de Santo António da Estrela a partir do início do século XVIII. O local haveria de ser atingido por um incêndio durante esse século, tendo sido remodelado na década de 20 do século XX, pelo arquitecto Raúl Lino. Aí viveu o médico e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Ângelo da Fonseca, com a sua família. 

A partir da década de 1940, o edifício albergou o Governo Civil de Coimbra até 2011, altura em que os Governos Civis foram extintos. Abriu como Passaporte em Junho de 2015. «O nome tem a ver com o facto de ser aqui que se tiravam os passaportes», lembra Miguel Melo, acrescentando que foi mantido por respeito à história do edifício. «Mantivemos também os painéis de azulejos, com quase 100 anos. Sabemos que estamos num espaço com história, e é nossa intenção respeitá-la na totalidade», sublinha o gerente. 

O menu

No primeiro, o Passaporte tem, desde Agosto de 2021, um restaurante. O local, com três salas e uma esplanada na varanda, tem ementas variáveis conforme a sazonalidade. «Temos agora uma ementa que irá até à Primavera. A carta tem diversas inspirações, como o milagre das rosas e a doçaria conventual», conta o chefe de cozinha, Afonso Carvalho. A confecção de produtos oriundos de produtores locais é outra preocupação da cozinha do Passaporte. «Temos também um menu de degustação, onde levamos o cliente a uma experiência diferente.»

É uma refeição crescente, com três “snacks”, uma entrada, um prato de peixe e outro de carne e sobremesa. É um convite a uma experiência prolongada por parte do cliente», sublinha Afonso Carvalho.

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