Preparados com sacos de ráfia e luvas resistentes, cidadãos empenhados em melhorar as suas comunidades tornam as ruas mais limpas. O movimento cívico e ambientalista Não Lixes é um exemplo de um conjunto de pessoas que decidiu mobilizar-se para diminuir o impacto causado pelo lixo abandonado na cidade.

Moradoras da urbanização da Quinta da Portela, numa sessão voluntária de recolha de lixo

Qualquer cidadão pode organizar uma limpeza de rua sem estar ligado a um grupo, como já aconteceu na Quinta da Portela, onde bastou uma pessoa desafiar a vizinhança para surgirem sessões voluntárias. Para lá do cuidado com o planeta, as iniciativas são uma lição de cidadania ativa e construção de uma comunidade atenta e próxima. Joca, ativista do Não Lixes, dá-nos algumas dicas de como fazer uma limpeza de rua.

Joca acredita que cuidar do local onde se vive é “cultural e educacional”, pois existem “países onde as pessoas limpam as ruas por iniciativa própria e outros onde sujam”. Nesse sentido, defende que se deve passar a mensagem que os cidadãos devem “limpar, no mínimo, a parte da rua que está anexada à sua casa e isso tornaria o sítio onde vivem muito melhor”.

#1: Preparação de uma limpeza de rua — comunicação, dia e horário

Segundo Joca, devem fotografar o local que se encontra em mau estado para, assim, poderem fazer um apelo nas redes sociais para mais cidadãos se juntarem à limpeza. “Há sempre pessoas que querem fazer parte da solução, há também outras que apenas criticam. Com meia dúzia de pessoas consegue-se alcançar objetivos notáveis”, realça. Aconselha ainda a que se juntem a indivíduos que já organizaram limpezas de rua.

As pessoas dão com alguma facilidade uma hora em prol do bem comum”, conta. De acordo com o ativista, as manhãs de sábado e domingo são os melhores horários para realizar estas iniciativas.

#2: Materiais necessários

Materiais utilizados numa sessão de recolha de lixo do movimento Não Lixes

Para realizar uma limpeza de rua são necessários materiais que “toda a gente tem em casa”: sacos de ráfia e luvas grossas. “Uma das mãos segura o saco e na outra usam uma luva grossa para não se magoarem e não estarem em contacto com lixo menos saudável”, explica Joca. Também é possível utilizar pinças de recolha de lixo para ajudar no processo.

#3: Descarte do lixo

No final da limpeza, os participantes que têm sacos com os resíduos que foram retirados das ruas devem concentrar-se junto dos ecopontos e separar os que podem ser reciclados dos que têm como destino os contentores de lixo indiferenciado.

O ativista esclarece que as embalagens de plástico duro, como garrafas e detergentes, são recicláveis, ao contrário dos sacos de plástico fino. Por sua vez, o vidro é 100% reciclável e o papel, apenas é reciclável quando não está contaminado ou não é plastificado. O que significa que vários objetos vão parar ao lixo indiferenciado.

Em zonas com resíduos volumosos, como colchões, Joca refere que é possível contactar previamente a Divisão de Ambiente da Câmara Municipal de Coimbra para os monos serem recolhidos no final da limpeza.

#4: Medidas de segurança

É possível fazer um seguro coletivo para acidentes que possam ocorrer durante as limpezas de rua. Joca esclarece também que os movimentos que organizem este tipo de iniciativas podem dizer que não se responsabilizam por qualquer incidente que ocorra. Porém, aponta que nunca aconteceu nenhum acidente nas limpezas que organizou.

#5: Impacto das limpezas de rua

Joca considera que o impacto é visível quando se mostra o antes e o depois do local que foi limpo nas redes sociais. “Ao fazer uma limpeza num sítio que não esteja bem, o impacto é sempre muito positivo e as pessoas ficam agradecidas”, declara.

Contudo, o ativista considera que, em Portugal, falta “sentido de comunidade”. A seu ver, os portugueses importam-se com a limpeza do interior das suas casas e não tanto com a das ruas. “Temos de começar a ter um espírito comunitário melhor, isso traz-nos felicidade, o que ajuda na nossa saúde, porque nos sentimos melhores”, reflete Joca.

Joca, ativista do movimento Não Lixes
Joca
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Autor

  • Daniela Fazendeiro

    A curiosidade por explorar o vasto mundo que habitamos aliada à vontade de escrutinar as instituições de poder que o governam como bem entendem levaram-me a estudar Jornalismo e Comunicação na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Tive o gosto e o privilégio de ter o Jornal Universitário de Coimbra – A CABRA como segunda casa durante três dos cinco anos do meu percurso académico. Aprendi e cresci muito com os camaradas de excelência que lá conheci. Ao longo do caminho também tive a oportunidade de estagiar na Coimbra Coolectiva e conhecer ainda melhor o jornalismo de soluções e proximidade que aqui é produzido. Um ano depois, estou de volta e pronta para produzir jornalismo capaz de contribuir para um mundo melhor, uma história de cada vez.

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