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Os vossos prognósticos

Como vai ser a Coimbra de 2023?

Perguntámos a várias pessoas que prognóstico fazem para o novo ano, a começar pela própria área de trabalho ou acção.

Partilha

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Os vossos prognósticos

O que vai acontecer e o que gostavam que acontecesse na nossa cidade? O que prevêem e esperam, a começar pela área ou áreas em que trabalho, que melhor conhecessem ou vos interessam? Convidamos à reflexão, à discussão, à inspiração e quem sabe intervenção através da partilha, sempre nesta senda de construção de melhorar o lugar onde vivemos. Fizemos a pergunta a várias pessoas de Coimbra ou a residir cá e estas foram as mais de três dezenas de respostas que nos atiraram de volta.

Catarina Maia, coordenadora do projecto «O Jardim Mais Charmoso do Monte Formoso»

Vai ser uma cidade mais florida. Isto é ao mesmo tempo um desejo vago e uma projeção realista. Durante o ano de 2022 trabalhámos intensivamente na construção de pontes entre cidadãos, decisores políticos e a academia na busca de soluções simples e eficazes que deem resposta ao problema sério do declínio dos insetos polinizadores. Uma das soluções passa, naturalmente, pelas flores. Centenas de milhares de sementes foram lançadas à terra, e, junto com elas, a convicção partilhada de que as cidades têm um papel importante a cumprir na defesa e restauração dos ecossistemas naturais. Coimbra pode e deve estar na frente dessa defesa.

Rita Alcaire, investigadora (foto: João Azevedo)

Estão lançadas as fundações para um ano muito desafiante. A metáfora não é à toa, mas não foram as só as obras do Metrobus que (quase) terraplanaram Coimbra. Também a falta de atenção às freguesias menos centrais, à Baixa, aos animais de rua, ao comércio local, à população mais velha… Na falta de políticas estruturadas, impera a perseverança e solidariedade entre associações locais e agentes culturais que, tantas vezes sem apoios, muito têm feito pela cidade. Estes meus desejos para o próximo ano são também uma celebração destas importantes figuras. 2023 será (mais) um ano para resistir e insistir para continuar a existir.

Olga Filipova, engenheira informática e empresária

Até agora, viamos Coimbra como cidade dos doutores, advogados e professores. Mas cada vez mais é reconhecida pelo empreendedorismo principalmente na área tecnológica. Creio que em 2023, veremos Coimbra ainda mais como uma cidade de empreendedorismo, bem como de activismo, criatividade e colaboração. Espero ver as empresas apostarem mais em aprendizagem, desenvolvimento em soluções tecnológicas para alavancar esta área. Espero ver Coimbra a usar a colaboração de diferentes iniciativas para fazer uma forte frente à propaganda pró-guerra. E acredito que assim será!

Rita Januário, engenheira civil e coordenadora do departamento de Novos Negócios da empresa TUU – Building Design Management

Sendo certo que em 2023 teremos de fazer mais contas para perceber aquilo que financeiramente nos será permitido, se conseguirmos encontrar aquilo que que precisamos no local de trabalho, na comunidade, na cidade, temos uma solução de sucesso para ganhar o ano. A responsabilidade de «encontrar» também é nossa, mas que Coimbra seja ambiciosa e criativa, capaz de atrair e potenciar talento, um meio fértil para quem pensa e quem faz. Melhor porque é urbanisticamente mais cidade, energeticamente mais sustentável, mais capaz no apoio social, centro inovador de formação, porque é inspiradora!

Clara Almeida Santos, professora (foto: Francisco Oliveira)

O actual reitor vai ser eleito para um segundo mandato. Em Maio, vamos viver um caos (animado). As pessoas de Coimbra vão dizer que nada acontece em Coimbra (e que quando acontece, é tudo ao mesmo tempo). «Potencial» como substantivo vai continuar a ser usado como complemento directo em frases em que Coimbra é o sujeito. As pessoas de fora de Coimbra vão continuar a achar (lá de longe) que não acontece nada em Coimbra (e a dizer que cheira a mofo). Uma exposição magnífica vai abrir o apetite para o anozero de 2024. Entre os piores pesadelos e os mais delirantes sonhos, Coimbra há-de acontecer.

Rita Marques, terapeuta

Trabalho na área do bem estar há 13 anos. Vivemos numa época realmente bastante desafiadora, mas também numa época em que cada vez as pessoas estão a dar importância ao seu bem estar, quer seja físico, o mental, o emocional, o energético e o espiritual. Um corpo com dor não vive a sua plenitude, e as pessoas cada vez mais procuram qualidade de Vida. Nesta área temos de marcar a diferença de quem me procura, e perceber que cada dor uma lição, e transformar a dor em amor. Como vai ser o Ano de 2023? Sinceramente não penso nisso, o meu foco, é dar o meu melhor é estar ao serviço de quem me procura, fazendo a diferença na vida das pessoas.

Marcela Matos, psicóloga e investigadora

Perante os desafios globais que afetam o mundo e a nossa vida todos os dias emerge a necessidade de ação coletiva inspirada pela promessa de uma evolução consciente em direção a um mundo mais compassivo. Este caminho em direção à mudança coletiva tem tanto de vital quanto de possível, e começa em cada um de nós. Parte de cultivarmos em nós esta motivação inata que é a compaixão. Sermos mais sensíveis ao sofrimento, em nós e nos outros, desenvolver a sabedoria, a coragem e o compromisso para fazer o que é necessário para o tentar aliviar ou prevenir, e comportarmo-nos de formas que sejam úteis e não prejudiciais para nós e para os outros. Na área da saúde mental e do bem-estar, em 2023 serão implementados em Coimbra projetos que espelham esta missão. A minha expectativa é que sejam dados passos importantes para pôr em marcha esta «revolução da compaixão», dentro de nós e na nossa relação com os outros e com a nossa comunidade. Um movimento capaz não só de nos tornar seres humanos mais resilientes e felizes, mas também mais despertos e ligados aos outros e à nossa comunidade/cidade.

Inês Moura, artista e educadora

​Em 2023, gostava de ver por aí mais gente que não vem só pelo carimbo no passaporte. Gente de dentro, que coloca Coimbra no seu mapa, como destino frequente para viver cultura. Gente que sabe que Coimbra tem uma força geradora e criativa, multidisciplinar. Gente que voltaria porque o que aqui encontraria, seria reflexo de uma nova, dinâmica e pujante expressão artística, espelho de uma cidade em que as instituições dialogam, se apoiam mutuamente, conciliam datas e reúnem esforços para formar públicos, apelando à sua participação mais activa.

Eunice Santos, jornalista e atleta de futebol para cegos

Como moradora com necessidades especiais, desejo que a cidade de Coimbra seja mais inclusiva. Que as obras nas ruas, especialmente na Baixa, não causem tantos constrangimentos, nomeadamente com as alterações nas passadeiras e paragens dos autocarros como está a suceder. Para pessoas com deficiência visual, estas alterações causam grandes transtornos. Se uma passadeira ou paragem de autocarro forem mudadas de lugar, já nos vão condicionar todo o nosso mapa mental da rua. Se ainda acrescentarmos o facto de as passadeiras provisórias não terem semáforos para peões, vemos a nossa autonomia ameaçada. Temos quase sempre de pedir a alguém para nos ajudar a atravessar. Outro flagelo é o caso das trotinetes deixadas seja onde for. Muitas dessas trotinetes estão mal-estacionadas e muitas são colocadas deitadas nos passeios, o que pode ser um perigo real para uma pessoa com deficiência visual.

Maria Cristina Vieira de Freitas, directora do arquivo da Universidade de Coimbra (foto: Francisco Oliveira)

Espero ver uma Coimbra cidadã, participativa, que se reveja nos seus equipamentos culturais. Ser Arquivista por um Dia, escrever o Documento do mês, realizar exposições, seguir os posts nas redes sociais, sugerir novas actividades, enfim… encontrar formas criativas e inovadoras de participar da «onda» comunitária e cidadã que vem atingindo arquivos e outros equipamentos culturais, um pouco por todo o mundo. Fazer desses equipamentos a Casa de todos/as e para todos/as. Construir uma experiência «coolectiva», inclusiva e assente na valorização e no enriquecimento do património. Será esse o desafio a lançar a Coimbra, em 2023!

Adriana Bebiano, professora

Vivemos de costas voltadas para o futuro: o que sabemos, é que não sabemos. Basta lembrar a recente e imprevista pandemia para ter consciência aguda dessa nossa circunstância. Não o podendo prever, não escapamos a ter expetativas sobre o futuro. Na área dos Feminismos e dos Estudos Feministas, no curto prazo, tenho uma perspetiva otimista. Vivemos um bom momento, com a consciência cada vez mais generalizada das condições de subalternidade em que vivem ainda as mulheres. Dou particular importância às conversas que oiço na pastelaria onde tomo o café matinal, frequentada por pessoas de condição social vulnerável: a atitude de condenação da violência doméstica difere muito da indiferença com que a olhavam ainda há meia dúzia de anos, quando ainda era frequente responsabilizarem as vítimas. Isto é apenas um exemplo – e dá-me esperança no futuro. Mas não sabemos. Tudo muda o tempo todo.

Patrícia Miguel, arquitecta e co-fundadora da organização comunitária Coimbra em Transição

Que se comece a pensar no chão que pisamos. No desenho desse chão, textura, materialidade, conforto, acesso, porosidade, futuro. Podem pensar que estou a falar sob a forma da metáfora: fazer valermo-nos do chão que pisamos, subvertendo o dito. E estou mesmo. Quero um chão sem buracos, sem rupturas, com muitos troncos de árvores, desses que deixam distâncias largas para a passagem de todos os seres, e com ervas a conduzirem o caminho, um chão que brote legumes e cereais. Quero um chão vital, com rampas afectivas, um chão para piqueniques, para bicicletas, dirigido à nossa infantilidade e empatia. Todas as coisas altas começam no chão.

Inês Lacerda, designer e o-organizadora do Salão 40

Esta cidade está a crescer, ainda que devagarinho. Desde festivais de cinema, música, fotografia, teatro, feiras, mercados, exposições ou workshops, é com grande alegria que vejo cada vez mais entidades (pequenas ou grandes) a dinamizar eventos em Coimbra. Mas o meu maior desejo era ver a Baixa com mais gente, com espaços e lojas ocupados. Quando era pequena, achava a Baixa um sítio mágico onde todo o tipo de gente se encontrava e cruzava e desejava voltar a ver isso. O «coração» de Coimbra devia estar a pulsar de vida e criatividade.

Filipa Alves, facilitadora da associação cultural Casa da Esquina (foto: Miguel Seone)

Adoptei Coimbra, que antes era só de passagem, para fazer o curso e fazer um projeto cultural de que muito me orgulho e com muita gente a quem muito estimo. Não sou saudosista, mas agora que nos encontramos numa situação difícil gostaria mais de estar numa situação em que a Casa da Esquina teria apoio e estaria prestes a consolidar-se um pouco mais. Isso não aconteceu pelo que estamos a fazer o que podemos sempre com um fim em perspectiva. Gostaria de ver mais apoio para o nosso sector e sobretudo a sua valorização através de um plano definido de colaboração entre entidades e também destas com o sector público. Vivemos sempre na corda bamba pelo que seria bom sentir o afeto que o reconhecimento nos dá. Espero uma ideia, um rumo, uma perspectiva do que seria um futuro em que a arte realmente importasse. Já dizia o Gilberto Gil : «É preciso acabar com essa história de achar que a cultura é uma coisa extraordinária. Cultura é ordinária!». Sim cultura é mesmo tudo!

Carla Duarte, gestora de inovação no Instituto Pedro Nunes

Encontro no meu trabalho pessoas que diariamente contrariam dificuldades e põem o seu empenho em inovar e melhorar o mundo. Sou afortunada. O que esperar para 2023? Novas startups serão criadas e vão usar tecnologia baseada em investigação do melhor que se faz nas nossas universidades, em especial na de Coimbra, vão aplicar tecnologia espacial e vão ser apoiadas pelo nosso ESA Space Solutions Portugal. Um novo grupo vai estar na 9ª edição da Coimbra Space Summer School, no Ineo Start – Programa de Aceleração, na 6ª edição do Summer@IPN – Programa de Estágios de Verão. Vamos fazer isto e muito mais! Vamos fazer o que for preciso, de forma criativa e inovadora para, a partir de Coimbra, captar talento, criar startups, criar emprego, criar valor e ter impacto social e económico positivo na cidade, na região, no país. Um desejo que muito me é caro: em 2023 e em todos os anos, que se atinja uma participação mais igualitária, justa e equilibrada de mulheres nas tecnologias, nas equipas, como fundadoras de startups, como mentoras, como investidoras, em lugares de decisão, nos painéis dos eventos, nas notícias. Em 2023 vou continuar a trabalhar, a partir de Coimbra, onde fazemos coisas incríveis, para o mundo!

Patrícia Dinis, estudante e atleta de boccia

Para 2023 gostaria que a cidade de Coimbra tivesse mais acessibilidade nos restaurantes e outros espaços comerciais, nos lugares históricos, transportes públicos, supermercados, parques para as pessoas com carrinhos de bebés, idosos e especialmente para pessoas cegas. Gostaria ainda que a cidade melhorasse a acessibilidade nalgumas faculdades, politécnicos, pavilhões desportivos e no queimódromo. Gostaria ainda que a minha cidade tivesse ainda mais zonas verdes, lugares de estacionamento para pessoas com cadeiras de rodas, sanitários acessíveis e que o acesso aos hospitais fosse melhorado.

Sandra Bettencourt, empresária

Que Coimbra continue a fazer-se viver. Que a Baixa de Coimbra seja cada vez mais um centro borbulhante de encontros, vivências e experiências. Que o comércio local se sinta apoiado e acarinhado. Que os jardins da cidade sejam espaços vivos, de lazer, cuidados e acolhedores. Que as instituições culturais vibrem com acontecimentos e afluência de público. Que as bibliotecas sejam espaços dinâmicos, abertos e de diálogo. Que as árvores cresçam fortes e em liberdade. Que o Mondego seja a um marco de dinamismo e de encontro. Que a rua seja de todxs, para todxs, que acolha em diversidade e segurança. Que Coimbra continue a ser comunidade.

Adriana Rodrigues, chefe do núcleo de Comunicação, Imagem & Relações Públicas do Turismo Centro de Portugal

Coimbra necessita de uma estratégia visionária e, sobretudo, de grande empreendedorismo. É reconhecida como um centro de conhecimento, de cultura, e de Saber. A redefinição do branding territorial de Coimbra, com uma forte vertente cultural, de conhecimento, e de empreendedorismo, parece-me ser um passo importante, para que se possa afirmar com ainda mais pujança no panorama nacional. Claramente, o turismo poderá ser um importante elemento na construção desta estratégia, com o desenvolvimento de vigorosas políticas públicas que fomentem e apoiem a iniciativa privada, assim como, suficientemente envolventes e mobilizadoras das forças vivas da cidade. Este poderá ser, na minha perspetiva, o fator decisivo do futuro de Coimbra: o trabalho em rede e colaborativo.

Sara Matos, educadora certificada Wine & Spirit Education Trust (WSET)

Em 2020 criei a The Wine House, uma escola de vinho em Coimbra. Os cursos que concebi, nomeadamente os Wine Games, são dirigidos a qualquer amante de vinho, trabalhe ou não no sector, porque se centram não apenas num propósito de formação profissional, mas também de crescimento pessoal. O que desejo para 2023 é prosseguir com esta missão de formação inclusiva, focada na ideia de que quando aprendemos sobre vinho aprendemos sobre geografia, geologia, história ou microbiologia, mas também aprendemos sobre nós e sobre os outros, e sobre as razões para cada um de nós gostar dos vinhos que gosta.

Ana Sousa Amorim, coordenadora remota de projetos

O que espero de Coimbra em 2023 é, infelizmente, muito diferente do que gostava de ter. Espero uma cidade mergulhada num caos por causa das obras do Metrobus (mais ainda) e espero mais atrasos no arranque deste sistema de mobilidade. Também espero mais manobras de diversão como o concerto dos Coldplay que nos distrairão do que interessa (pensar a cidade para quem cá reside). Gostava de ver uma cidade comprometida com as alterações climáticas e com o combate à desigualdade. Gostava de ver a expansão das ciclovias (como infraestruturas plenas de mobilidade e não pensadas apenas para lazer). Adorava ver uma comunidade civil empenhada e coesa. Numa cidade plena de debate e discussão, com tão forte vida académica, gostava que a partir de 2023 não existisse nem mais um manel (painel constituído inteiramente por homens).

Maria Carlos Baptista, designer de moda

O meu prognóstico para 2023 é de uma Coimbra cada vez mais enérgica e recheada de novas opções relacionadas com os jovens e a cultura. Uma vez que sou de Coimbra e me ausentei da minha cidade por não haver oportunidades dentro da área das Artes, espero que novas oportunidades surjam para que não nos tenhamos de afastar de casa. Com a pandemia que ultrapassámos e a guerra que vivemos presentemente, espero que as artes e cultura sejam um refúgio para todos e que predominem para mantermos uma voz activa na sociedade, uma vez que as camadas mais jovens estão cada vez com mais força e vontade. Espero que haja apoios e iniciativas que façam de Coimbra não só um ponto de passagem de jovens estudantes, mas sim um local de oportunidades de crescimento para jovens empreendedores que queiram construir um futuro relacionado com o mundo das artes.

Joana Freitas, advogada

Está a terminar mais um ano… E que ano este! 2022 foi um ano de grandes desafios. Sofremos, todos, os resquícios da pandemia, e o medo da iminência de uma guerra a entrar-nos em casa. É inevitável que pensemos: e agora? Depois da tempestade virá a bonança? Ou aguardamos a prognosticada crise? Também esta minha cidade berço se revela um retrato do ano que chega agora ao fim. Obras aqui e ali, buracos, trânsito… O espelho das dificuldades que nos tiram do sério. Mas, também, símbolo de reconstrução! Várias vezes me questiono se a transformação a que assistimos em Coimbra fará compensar os transtornos de hoje. Creio, ainda assim, que como fénix renascida, assistamos ao engrandecimento da Lusa Atenas! Que aprendamos com os erros de 2022, e sigamos cheios de força para o ano que se avizinha.

Claudia Oliveira Silva, consultora e professora

Com o aumento da taxa da inflação, escassez da mão de obra, a guerra, os aumentos de custos da energia, combustíveis, não se preveem bons tempos. É estratégia da Câmara Municipal de Coimbra para 2023 atrair investidores e pessoas de todo o mundo a virem trabalhar, estudar e cá viverem mas é essencial pensar nas pessoas de cá. Para melhorar a vida da comunidade ela terá de estar engajada e orgulhosa em cá residir. É importante criar mais forças comunitárias que se mobilizem, se juntem e que façam acontecer. Sentir orgulho de serem de cá, trabalharem para melhorar a qualidade de vida aumentando, assim, a sua autoestima.

Marisa Ramos Gonçalves, investigadora

Como recém-chegada a Coimbra, desejo que uma parte do tradicionalismo que carateriza a cidade dê lugar a alguma rebeldia e abertura a novas culturas e visões para o futuro! No espaço onde trabalho, a universidade, é urgente preservar o património e renovar, criando lugares mais acolhedores de estudo, trabalho e lazer. No espaço que habito, a baixa de Coimbra, espero maior atenção à limpeza, espaços verdes e menos carros. 2023 deveria mostrar o que Coimbra poder ser: uma cidade mais interligada social e culturalmente, com maior equidade no acesso à habitação e melhores transportes públicos.

Bárbara Fonte, estudante

As minhas expectativas para o ano de 2023 como estudante finalista na cidade de Coimbra estão centradas principalmente no meu percurso pós-licenciatura e entrada para o mundo do trabalho. Espero ter a oportunidade de encontrar um emprego onde me sinta realizada e que me permita evoluir. Tenho perspetivas de mudar de cidade, uma vez que procuro outras experiências e locais diferentes, mas tenho a expectativa que Coimbra se torne cada vez mais uma cidade de cultura, com eventos, exposições e iniciativas que promovam sobretudo a inclusão, liberdade e expressão individual.

Helena Gomes, comerciante

Eu tive um sonho. O sonho em que, depois de uma depressão social, económica e política, virá a estabilidade do mundo novo. O sonho de que, depois de uma pandemia, de uma guerra, de um crise de valores, o mundo se tornará melhor, mais humano, mais solidário, mais saudável física e mentalmente. O sonho de que comecemos a olhar para o outro como irmão, e não como inimigo, que consigamos olhá-lo e ver o que sente, o que precisa, que lhe consigamos dar o nosso tempo, o nosso afecto. Este ano de 2022 encerra o ciclo em que nos vimos forçados a pôr em causa tudo quando sabíamos. O meu sonho para 2023 é que sejamos melhores e mais sábios, dentro de nós e para com os outros… Que Coimbra continue a ser a cidade do acolhimento, que continue a ser uma lição, de sonho e tradição.

Lilia Santos, professora, investigadora e directora da Algoteca de Coimbra

Coimbra teria mais encanto se muitos espaços verdes se interligassem por circuitos pedestres bem cuidados! Coimbra teria mais encanto sem circulação automóvel, servida por transportes públicos elétricos eficientes, frequentes, de preço acessível, passe único, interconetando parques de estacionamento periféricos, áreas de trabalho e residenciais! Coimbra teria mais encanto se cada recanto, rua e viela fosse da limpeza uma prioridade, sem vislumbre algum de plástico, máscara, outro lixo! Coimbra teria ainda mais encanto se cada parque, rotunda, floreira ou jardim fosse uma ode à Arte! Não é fado, nem é sonho, COIMBRA PODE SER ASSIM!

Isabel Gomes, directora-geral da empresa SRAM PORT

Gostava que houvesse a reabilitação da Baixa, porque é fundamental. Acho que se podiam trazer empresas de tecnologia da informação e fazer outras coisas na Baixa, com uma reabilitação urbana bem feita. Depois chamar as pessoas, podiam também morar na Baixa, como se faz noutras cidades, porquê morar apenas na periferia? Devia haver mais indústria, crescer e criar parques industriais à volta de Coimbra. Muitas pessoas vêm estudar, mas não há fixação, não ficam. Se houvesse empresas, trabalho e habitação, as pessoas poderiam ficar.

Maria de Lurdes, costureira e telefonista reformada

A cidade precisa de dinamismo, de novos projetos de urbanismo. Há muitas casas antigas, lindas, completamente abandonadas e degradadas. Algumas destas casas são propriedades da Câmara Municipal e poucas estão a ser reabilitadas. Os jardins outrora arranjados, estão quase ao abandono. É muito triste porque os nossos jardins eram muito bonitos! Antigamente na Baixa, pela altura do natal, as pessoas acotovelavam-se de tanta gente. Hoje em dia é uma tristeza, lojas fechadas, casas abandonadas. No meu bairro a maioria da população é muito idosa, seria importante haver um centro recreativo onde estes pudessem ficar durante o dia e, assim estariam acompanhados e conviviam.

Catarina Vitorino, coordenadora da Associação CVI – Centro de Vida Independente

Coimbra tem uma longa tradição de resistência e luta pela liberdade. No entanto, as pessoas com deficiência sempre permaneceram esquecidas e excluídas do espaço público. É tempo de o poder político quebrar esta tendência, acabando com o ciclo de exclusão que impera na cidade. A sua participação ativa nos processos de tomada de decisão é crucial para políticas públicas centradas nas suas verdadeiras necessidades, vontades e direitos. É uma questão de visão estratégica: o investimento público tem de servir as pessoas, e não as instituições que as representam. Para 2023, deixo o desafio, a quem nos representa, para «colorirem» a sua equipa com todas as cores que Coimbra tem. Queremos uma cidade diversa, plural e ocupada por pessoas reais!

Lia Cachim, estudante e editora da revista AZAR

O que desejo para Coimbra em 2023 é que se mantenha humilde, focada na sua humanidade. Que valorize os artistas e os agentes da cultura, que têm vindo fazer renascer o espírito da cidade, não só da sombra da tradição académica, como dos destroços que a pandemia deixou no psicológico coletivo, principalmente. Desejo um maior cuidado para com aqueles que, seja qual for o motivo, dependem dos transportes públicos, agora. Espero que 2023 seja o ano em que será dada mais atenção, por parte de todos, à limpeza das ruas, e em que os nossos espaços verdes possam ser agradáveis e seguros o ano inteiro. Entre outras tantas coisas, a mais importante será, talvez: que Coimbra encontre forma de ser uma cidade onde se quer viver.

Goreti Valença, auxiliar de educação

Gostaria que a minha cidade voltasse a ter o comércio na Baixa como tinha há uns anos e para isso que tal fazer da Baixa um centro comercial coberto. Com as ruas protegidas da chuva estaria o problema resolvido e os investidores apostariam mais no negócio na baixa de Coimbra, criavam mais postos de trabalho. Ambiciono também um novo canil com melhores condições, tanto para os animais, como para quem cuida deles. A nível geral que todos os patrões não olhem à idade para dar emprego; é triste que a partir dos 50 sejamos considerados velhos, porque velhos são quem pensa dessa maneira, pessoas mais velhas têm mais experiência. Vamos mudar mentalidades para construir não só uma Coimbra melhor, mas um Portugal melhor.

Assunção Ataíde, educadora e presidente da Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra

Nos últimos tempos, a Baixa de Coimbra tem sido alvo de atenção da Câmara Municipal de Coimbra, da União de Freguesias de Coimbra, da Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra e de outras entidades que, em conjunto, e de forma coordenada, têm dinamizado atividades nos diferentes espaços, fazendo com que os conimbricenses, cada vez mais, tenham vontade de frequentar a Baixa de Coimbra, e assim de a potenciar. A cidade está a conquistar, novamente, o seu tempo áureo, em que os eventos referência, eram vividos, em conjunto, no seu centro urbano. Com o projecto COL.ECO ativou a criação de ferramentas de inclusão laboral que, num espaço colaborativo e com o apoio de uma equipa multidisciplinar, apoia o crescimento e autonomia de cerca de 20 empresas que pretende fixar na Baixa de Coimbra. A APBC tem vindo a estabelecer um conjunto de protocolos com parceiros e forças vivas da cidade que acreditamos que vão continuar, em 2023, a mobilizar o nosso centro histórico, porque que se traduzem em sinergias constantes e multidisciplinares.

Juliana de Paula, estudante

Eu desejo a Coimbra no próximo ano mais cores, mais fitas, mais sorrisos, mais festas, mais música, mais vida florescendo em cada uma das suas freguesias, acompanhado de muitos passeios de bicicleta. Quero me perder pelas ruas da Alta a conhecer a morada de poetas, músicos e escritores, tomar um gelado na Baixa, explorar o verde do Botânico, fazer yoga cercada pela natureza no coração da cidade, buscar flores no Mercado, me encantar com um concerto nos jardins, ou com a apresentação de uma orquestra clássica no Convento, enfim, descobrir a cada caminhada nesta cidade a sua rica história, as pessoas acolhedoras e testemunhar seu crescimento.

Regina Pinto, coordenadora executiva do grupo de acção local Coimbra Mais Futuro

O ano de 2023 configura-se como complexo e desafiante no que respeita às dinâmicas do desenvolvimento local, não só por nos encontrarmos numa fase de transição entre quadros de financiamento, mas também pelo avanço do processo de descentralização e os seus efeitos, mas também pelas consequências locais da situação política e económica a nível internacional. Mas as pessoas e organizações locais serão fundamentais para que, no ano de 2023, se concretizem projetos fundamentais para o território. Destaca-se a criação do Sistema Alimentar Sustentável para o concelho de Coimbra, relevando a sua importância para a qualidade alimentar e a saúde, mas também para a dinamização da economia local e para a garantia do direito humano à alimentação.

Ana Luísa Delgado, estudante

Foi ao sair da cidade para ir estudar para fora que me apercebi da lacuna que existe tanto de apoio ao estudante quanto de consciencialização para a justiça climática e para a sustentabilidade. Dou como exemplo Bordéus, em que todos os estudantes universitários têm acesso a um cabaz alimentar, semanal e gratuito. A ideia é simples: a de reaproveitamento de alimentos de grandes superfícies e também de apoio a produtores locais, aliada à iniciativa de voluntariado. Pelo que, pensando bem, quem mais livre do que um jovem estudante para emergir nessa vontade? Gostaria de ver mais envolvimento na comunidade, mais partilhas intergeracionais, mais cultura, mais associações que tenham em vista a redução do desperdício e luta contra a precaridade. Para os curiosos, mais um exemplo: a Etu’Récup é uma associação sem fins lucrativos que propõe ateliers participativos que permitem criar laços entre voluntários e aderentes, adotando e partilhando ferramentas e hábitos ecológicos.

Ana Sofia Silva, estudante

Como aluna do ISEC tenho algumas dificuldades nos transportes públicos na zona da Quinta da Várzea (Santa Clara) que me levem até lá. Assim gostaria que existissem mais transportes públicos que fizessem a travessia da ponte Europa em ambos os sentidos. Se isso não for possível, seria interessante que uma passagem pedonal nessa zona, tal como existe na ponte Açude. Com certeza que muitos alunos do ISEC e Pólo II que vivem nesta zona concordarão comigo. Seria também ideal que existissem mais campos de desporto e zonas de convívio (verdes) onde os jovens possam passar o seu tempo livre.

Claudia Acabado, designer de produto e empresária

Um prognóstico optimista para que Coimbra, em 2023, seja:

— Uma cidade que investe mais em como é vista e percepcionada. Coimbra precisa de uma nova marca, precisa de se reposicionar;

— Uma cidade que se divulga e comunica, precisamos de menos outdoors com os eventos que acontecem em Lisboa e no Porto e mais sobre o que acontece em Coimbra;

— Uma cidade com uma visão menos centrada no carro e que prioritiza o peão, os transportes públicos e a mobilidade leve, dando menos espaço aos carros no centro da cidade;

— Uma cidade que é consciente das alterações climáticas e não permite a extinção da estação central e a chacina de cerca de 600 árvores para a construção de um novo meio de transporte;

— Uma cidade que educa para a consciência ambiental e para a cidadania. Por uma cidade mais limpa e um futuro sem 11 toneladas de lixo no cortejo da queima das fitas.

Mafalda Simões, engenheira florestal

Ao longo dos anos, a humanidade sempre despendeu da sua força para conduzir rumo à execução e ao desenvolvimento urbano, conquistando, evoluindo e fazendo história, sendo as cidades a revelação da própria humanidade. Coimbra é uma cidade vasta de riqueza ligada à universidade e suas tradições, não podendo esquecer toda a seu envolvente periurbana e riqueza florestal que demarcam todo um historial e tradições ao longo do rio mondego, de montante a jusante. Desejo que toda a comunidade esteja sempre presente e pronta para dar o seu contributo, apoiando sempre na resolução de problemas, envolvendo e criando um caminho conjunto. Que a comunidade se una em prol da cidade e que todos coloquem um pouco mais de si em todo este percurso.

Helena Pratas, designer multimédia

Gostava que Coimbra se tornasse uma cidade mais humana, focada nos seus cidadãos e nas suas necessidades. Com mais e melhores transportes públicos, constituindo verdadeiras alternativas ao automóvel. Que Coimbra-A faça parte de um projecto de renovação, sendo mantida como um eixo ferroviário de acesso primordial ao centro da cidade, como de resto acontece na maioria das grandes cidades europeias. Uma cidade mais verde, onde se dê prioridade à criação e reforço de áreas naturais, funcionando como espaços de sombra e sejam simultaneamente locais de lazer e bem-estar para todos. Os espaços devolutos que contam também a história da cidade, encontrem novas oportunidades de «ser». Que os cidadãos sejam mais exigentes e proactivos e todos em conjunto possamos tornar Coimbra numa cidade viva, onde dê prazer viver, trabalhar e construir um futuro.

Jennifer Jesus, tatuadora

Para este ano novo desejo que o município de Coimbra se comprometa a resolver o problema dos animais de rua e que aposte em programas de resgate e castração. Espero também que Coimbra se afirme como polo cultural no panorama nacional e que se valorizem mais os artistas e artesãos locais. E por fim gostava de ver resolvido o problema do estacionamento no centro da cidade através da criação de parques gratuitos para quem trabalha ou através da criação de linhas dos SMTUC com melhores conexões e que sejam fiáveis.

Marcella Lima, arquitecta

À nossa linda e tão diversa Coimbra, os mais sinceros desejos de que em 2023 sejam ampliados os sentimentos de empatia, partilha e solidariedade a quem a abraça e por ela é acolhido. Que Coimbra, com seu emocionante fado, serena luz e saudosos caminhos, cresça, ainda mais, unida a todas cíclicas histórias que por ela passam, mas que em 2023 nela fique. São meus votos para a cidade que meu coração escolheu para guardar novas memórias.

Mariana Mendes, empreendedora e makeup artist

Após 8 anos a trabalhar na área, posso dizer que ano após ano, sinto a mentalidade conimbricense a mudar e a apostar no bem estar interior e exterior. Sinto que 2023 será um ano desafiante e muito corrido – digo isto como reflexo da minha agenda mais concorrida de sempre. Coimbra é uma cidade com um potencial enorme que precisa de ser aproveitado. Por isso mesmo decidi apostar na abertura de um espaço profissional aqui – mesmo tendo noção de que, na minha área, é uma cidade que os colegas dizem não ter futuro. Aqui estaremos na cidade, para mostrar que Coimbra só não tem espaço para novidade e inovação se não quiser. Votos de um 2023 incrível e cheio de glitter.

Rita Almeida, empresária

No ramo da beleza as tendências estão sempre a variar, e todos os anos nos deparamos com novas ideias e previsões. Já a nível pessoal, espero continuar a colecionar sorrisos diariamente, a empoderar mulheres e fazê-las mais confiantes. Continuo ainda, a sonhar com o dia em que acabem as lojas fechadas pela nossa Baixa, e que o Comércio Local consiga conquistar novamente os Conimbricenses! Queria que todos sentissem o que sinto, todos os dias ao atravessar o nosso rio, e que nunca nos esqueçamos que se não frequentarmos e apoiarmos um espaço, ele nunca evoluirá. Feliz Ano Novo!

Helena Albuquerque, Directora da APPACDM Coimbra

Para 2023 eu desejo uma Coimbra cada vez mais inclusiva, com boas condições para que todos se sintam felizes e realizados independentemente das suas incapacidades. Desejo para 2023, a melhoria das acessibilidades – se há bem pouco tempo havia problemas de acessibilidade em certas zonas de Coimbra, agora estes estão intransponíveis com obras de requalificação que dificultam o acesso total a vários locais de referência da cidade. Por outro lado espero que em 2023 as sombras que o COVID19 criou em todos nós dêem lugar a luzes de fraternidade e solidariedade que iluminem as vidas dos que não têm voz.

Waltimira Monteiro, estudante (foto: Francisco Oliveira)

Para 2023, como estudante de Jornalismo e Comunicação, penso uma Coimbra com especial destaque nas várias agendas mediáticas em termos culturais, porque Coimbra não pode ser lembrada apenas na hora da despedida. Não quero que esta bela história termine só com o diploma na mão, mas que tenhamos condições de prosseguir a nossa vida por cá pela cidade, ao invés de rumar para outros locais. Desejo que haja uma forma de garantir possibilidades no mercado de trabalho para os recém-licenciados, assim como para outras pessoas que pretendem viver o encanto daqui.

Joana Monteiro, designer

Há já muito tempo se ouve falar da revitalização da baixa de Coimbra. Creio que esta nova vida passa por uma sensibilização, com apoio sustentado por parte da câmara de Coimbra, junto dos proprietários dos edifícios e das lojas fechadas, e pela criação de um programa de candidaturas, que permita a indivíduos, associações, empresas, etc, apresentarem os seus projetos. Este programa iria facilitar o processo de procura de local, o contacto com os senhorios e um acesso a rendas mais baixas. Gostaria que se sentisse este ano como o ano em que este assunto é tomado em rédeas e que os cavalos passem, finalmente, de passo para galope.

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