Aos 50 anos, Alexandra fundou a Circle For Pets, uma start-up incubada no Fator C’Idade que alia tecnologia e responsabilidade ambiental para criar soluções inovadoras de proteção animal e promoção da sustentabilidade em Coimbra. Trabalhadora desde os 17 anos e com mais de duas décadas de experiência na produção de eventos e associativismo cultural, decidiu aventurar-se na criação da Circle For Pets por se tratar de um projeto alinhado com as suas crenças: «Tenho de ter um propósito, se não fico inerte». Por isso, ambiciona disponibilizar uma aplicação comunitária e coleiras inteligentes feitas de plástico reciclado, com geolocalização, para proteger animais.

A criação de um projeto com «propósito»

A vontade de consciencializar a população para o impacto negativo das suas ações no planeta e para as necessidades dos animais foi o motor para o nascimento do projeto. Motivada pelo Fator C’Idade, apresentou a sua ideia, que se tornou uma das 16 incubadas no programa.

Para Alexandra, o seu negócio diferencia-se ao acrescentar a aplicação comunitária de entreajuda à vertente de geolocalização, criando uma rede de apoio que beneficia a sociedade. «Os utilizadores podem ajudar a encontrar um animal perdido, procurar clínicas ou veterinários, grommers ou pet-sitters, entre outras funcionalidades», explica. Os atos de entreajuda serão recompensados com um sistema de pontos que permite obter produtos na aplicação.

Os valores que guiam a Circle For Pets

Com a sustentabilidade e a tradição em mente, os produtos serão elaborados com excedente têxtil de mantas tradicionais portuguesas. Alexandra pretende também contribuir para a criação de emprego para pessoas com mais de 50 anos ou que estejam marginalizadas pela sociedade, «como pessoas com doenças mentais, toxicodependentes em recuperação e imigrantes». No âmbito da consciencialização ambiental, está a desenvolver um kit educativo sobre reciclagem para as escolas. A fundadora admite ainda querer criar um projeto de lei que proíba o uso de plástico virgem em produtos recicláveis e candidatar a start-up ao Estatuto de Utilidade Pública.

«Pretendemos ter propósito em tudo o que fazemos, desde os materiais que utilizamos até à forma como o fazemos. Temos a intenção de usar energias renováveis quando tivermos fábrica. Queremos ser uma referência na cidade e além», destaca Alexandra. Ela acredita que os consumidores atuais são mais conscientes e procuram produtos sustentáveis, e espera que a Circle For Pets seja um exemplo para outras empresas que partilhem os mesmos ideais.

As ferramentas que obteve no Fator C’Idade

Destaca a mentoria e o networking como os maiores benefícios, que lhe abriram portas para um mundo desconhecido. «Uma pessoa vai com um turbilhão de ideias e ajudaram-me a focar e ter noção de todos os passos que preciso de dar», relata.

«As coisas vão mudando, uma pessoa pensa fazer uma coisa e, de repente, tudo muda de rumo, e vamos nos adaptando»

No quarto mês de incubação, a Circle For Pets procura parcerias e investidores, desenvolve a aplicação, contacta empresas têxteis portuguesas, pretende realizar um crowdfunding e prevê ter o primeiro produto disponível no mercado no próximo mês. Alexandra ambiciona expandir além de Portugal.

O processo de desenvolver uma start-up com 50 anos

A Circle For Pets prioriza a contratação de pessoas com mais de 50 anos, pois esta faixa etária corresponde a uma grande parte do desemprego no país. «As pessoas andam num sistema viciado de formações que não lhes trazem benefícios porque o mercado não as absorve», lamenta. Para Alexandra, são profissionais valiosos descartados pela sociedade, uma discriminação que ela própria sentiu quando quis mudar de profissão — uma das motivações para criar a sua start-up.

Caracteriza o processo como «desafiante e gratificante» e que lhe trouxe uma «aprendizagem brutal». Autodidata, está sempre pronta para realizar os seus projetos, sabendo que «não há desculpa para não obter conhecimento graças à Internet». Com dificuldades técnicas para encontrar desenvolvedores, está a aprender a criar a aplicação com a ajuda de cursos online. A equipa atual é composta por quatro funcionários pro bono que acreditam na missão da Circle For Pets.

Fator C’Idade é um projeto do Instituto Pedro Nunes, da Fundação Bissaya Barreto e da Coimbra Coolectiva. São investidores sociais do projeto a Câmara Municipal de Coimbra, a Climacer, a Black Monster Media e a GEHC – Global Elderly Health Care.
A operação Fator C’Idade – Empreendedorismo Sénior e de Impacto em Coimbra é apoiada pelo Portugal Inovação Social, pelo Centro 2030, pelo Portugal 2030 e pela União Europeia. Os Fundos Europeus Mais próximos de si.

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Nasci em Belém, vivo em Coimbra e me reinvento constantemente entre projetos. Comecei na RUC – Rádio Universidade de Coimbra, vivi o ritmo acelerado da Rádio CBN na Amazónia e me apaixonei pela ponte entre Ciência, Comunicação e Sociedade durante a especialização em divulgação científica na Fiocruz. Agora, enquanto doutoranda em Ciências da Comunicação, continuo jornalista porque gosto de contar as histórias das pessoas. Para mim, histórias sonoras são as melhores, o que me levou a criar o podcast investigativo narrativo O Caso Boaventura. Escrevo guiões e faço pesquisas para cinema documental. Aprendo as regras do rugby com o meu filho e continuo convencida de que o melhor perfume do mundo vem do patchouli. Sigo fiel aos jornais de papel, às séries true crime para espairecer e à frase de Cláudio Abramo que melhor define o ofício: «O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter.»

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