Reunimos num guia prático as informações essenciais para se proteger e ajudar os outros. Ainda a recuperar dos impactos da tempestade Kristin, o concelho enfrenta agora novas horas de incerteza, em que a segurança de todos depende também da forma como cuidamos uns dos outros, em especial das pessoas mais vulneráveis, sem transporte ou em situação de maior fragilidade. Esperamos que a subida do nível de água do Mondego não faça com que o rio transborde e inunde a Baixa Coimbrã, como tantas vezes aconteceu em tempos históricos.

Enquanto órgão de comunicação sediado em Coimbra, queremos ajudar a manter a comunidade informada, em alerta e ligada, com informação verificada e de fonte oficial – nomeadamente da Câmara Municipal de Coimbra, Proteção Civil e Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Este guia reúne contactos úteis, zonas seguras, recomendações de prevenção e formas de ajudar, para que possam preparar-se e apoiar quem mais precisa.

1. Aviso à população e estado de alerta

O concelho de Coimbra encontra-se sob aviso laranja (nível elevado de risco meteorológico) devido à previsão de vento forte, com rajadas que podem atingir cerca de 100 km/h, e precipitação intensa a partir da próxima madrugada, entre as 00h00 e as 03h00. A Câmara Municipal está a acompanhar em permanência o agravamento das condições meteorológicas previstas para as próximas horas, sendo Coimbra uma das zonas mais afetadas pelo aumento significativo da intensidade do vento e da precipitação. Mantém-se o risco de cheias, com afetação das zonas ribeirinhas do rio Mondego, numa região já muito afetada pelos danos da tempestade Kristin – embora a intensidade do vento não se compare à registada então, os impactos poderão ser igualmente significativos.

Equipas de proteção civil (serviços que coordenam respostas a emergências), segurança e socorro, bem como os serviços municipais, estão em prontidão no terreno, em ações de prevenção e vigilância.

As autoridades recomendam que evite deslocações desnecessárias, em especial junto a zonas ribeirinhas e arborizadas, e que siga sempre as indicações oficiais. Acompanhem a evolução meteorológica e os avisos em tempo real nos canais da ANEPC (Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil) e do IPMA (Instituto Português do Mar e da Atmosfera).

2. Zonas ribeirinhas de risco e ZCAP

Se vive numa zona ribeirinha de risco, é importante saber antecipadamente qual é a sua ZCAP – Zona de Concentração e Apoio à População (o local seguro para onde deve dirigir-se em caso de inundação). Estes espaços são preparados para receber a população afetada e garantir bens de primeira necessidade, como higiene, alimentação, apoio social e psicológico.

Em caso de inundação, deve dirigir-se para a ZCAP da sua área de residência:

Freguesias/ZonasZCAP (Zona segura)
São Silvestre, São João do Campo, São Martinho de Árvore e LamarosaEB 2/3 de São Silvestre
Antuzede e Vil de Matos, Trouxemil e Torre de Vilela, Eiras, São Paulo de Frades, PedrulhaCaves de Coimbra
União de Freguesias de Coimbra, Santo António dos OlivaisEscolas Secundárias Dona Maria e Avelar Brotero
Torres do Mondego e CeiraCasa do Povo de Ceira
Conraria, Santa Clara e Castelo ViegasPavilhão Desportivo de Santa Clara
São Martinho do BispoEB 2/3 Inês de Castro
Ribeira de Frades, Taveiro, Ameal, ArzilaEB 2/3 de Taveiro

EB 2/3 significa Escola Básica do 2.º e 3.º Ciclo. Se puder, combine previamente com familiares, vizinhos ou amigos como irá deslocar-se até a ZCAP, sobretudo se não tiver transporte próprio ou mobilidade reduzida.

3. Kit de emergência: o que preparar

As famílias são aconselhadas a ter uma mala ou kit de emergência preparado, em casa ou facilmente acessível, para situações de cheias, cortes de luz ou necessidade de evacuação rápida.

Sugestão de conteúdos para o seu kit de emergência:

  • Documentos essenciais (identificação, cartões de saúde, contactos de emergência em papel)
  • Medicação habitual e um pequeno estojo de primeiros socorros
  • Água potável e alimentos não perecíveis (conservas, bolachas, barras energéticas)
  • Artigos de higiene pessoal básicos
  • Uma muda de roupa, especialmente agasalhos e calçado confortável
  • Lanterna com pilhas, rádio portátil e baterias extra
  • Carregador portátil para telemóvel (powerbank)
  • Apito ou outro meio sonoro para pedir ajuda
  • Algum dinheiro em numerário

3.b. Possível interrupção de água: faça reserva para necessidades básicas

É possível que os municípios de Coimbra, Miranda do Corvo, Mealhada, Penela, Lousã e Condeixa-a-Nova venham a registar interrupções no abastecimento de água. Por precaução, recomenda-se uma reserva de água para beber, cozinhar e higiene essencial por 2-3 dias, em recipientes limpos e bem fechados.

4. Números de emergência e contactos úteis

ServiçoTelefone
Número Europeu de Emergência112
Polícia de Segurança Pública (PSP) Coimbra239 073 500
Guarda Nacional Republicana – Comando Territorial de Coimbra (GNR)239 794 300
Serviço Municipal de Proteção Civil de Coimbra239 497 302
Bombeiros Sapadores de Coimbra239 792 800
Bombeiros Voluntários de Coimbra239 822 323
Bombeiros Voluntários de Brasfemes239 910 000
Piquete da E-Redes (avarias elétricas)800 506 506
Piquete das Águas (avarias na água)800 202 354
SNS 24 (linha de saúde)808 24 24 24

5. Como ajudar as regiões e pessoas afetadas

A Associação Académica de Coimbra tem ponto de recolha de donativos na papelaria (9h30-17h30): água, alimentos não perecíveis, produtos de higiene, lonas e plásticos.

6. Fontes oficiais e contacto

No site do IPMA Instituto Português do Mar e da Atmosfera, pode consultar a previsão meteorológica em Coimbra em tempo real.

Estes são os canais principais onde a Câmara publica atualizações em tempo real sobre alertas.Siga-os para informações fidedignas e partilhe com familiares e vizinhos.

Nós estamos aqui para ser a sua ponte neste momento tão delicado. Estamos em contacto direto com as autoridades envolvidas e comprometemo-nos a encaminhar todos os pedidos de ajuda que nos chegarem, bem como a divulgar formas concretas de apoio – seja para oferecer boleias até às ZCAP, alojamento temporário, voluntariado no terreno ou donativos.

Pode escrever-nos para geral@coolectiva.pt com a sua situação ou disponibilidade. Juntos, cuidamos melhor de todos – vamos atravessar este alerta lado a lado, com informação fidedigna e entreajuda genuína.

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Autor

  • Vilma Reis

    Nasci em Belém, vivo em Coimbra e me reinvento constantemente entre projetos. Comecei na RUC – Rádio Universidade de Coimbra, vivi o ritmo acelerado da Rádio CBN na Amazónia e me apaixonei pela ponte entre Ciência, Comunicação e Sociedade durante a especialização em divulgação científica na Fiocruz. Agora, enquanto doutoranda em Ciências da Comunicação, continuo jornalista porque gosto de contar as histórias das pessoas. Para mim, histórias sonoras são as melhores, o que me levou a criar o podcast investigativo narrativo O Caso Boaventura. Escrevo guiões e faço pesquisas para cinema documental. Aprendo as regras do rugby com o meu filho e continuo convencida de que o melhor perfume do mundo vem do patchouli. Sigo fiel aos jornais de papel, às séries true crime para espairecer e à frase de Cláudio Abramo que melhor define o ofício: «O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter.»

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