
A arte podia ter entrado por acaso e de forma discreta na vida de Marco Moura, mas não. Comecei a desenhar assim que consegui segurar um lápis e notou-se que havia ali um talento fora do normal. Aos poucos foi-lhe tomando a vida e hoje, aos 47, está-lhe no sangue. Confessa que não decidiu, não teve escolha. Tinha 14 anos quando começou a vender os retratos nas ruas de Coimbra. De origem humilde, conheceu a arte por intermédio de familiares e amigos da família. Foi na ARCA que ganhou abertura de mente e, a partir daí, apurou o seu gusto. Continuou o caminho das artes, licenciando-se em Comunicação e Design Multimédia, pela ESEC. A inspiração vem das pessoas e dos lugares, sem nunca se comprometer a um só estilo, porque, diz: acho que subimos aos ombros dos grandes mestres, mas também acrescentamos algo genuinamente novo. A criação artística é um portal para o lado espiritual, é o mais próximo que temos de algo sagrado. Desenvolveu trabalho em várias áreas artísticas, da pintura e retrato à ilustração, animação, banda desenhada e desenho gráfico, tendo sido distinguido com prémios nas duas últimas.
– Qual é a app mais estranha no teu telemóvel?
Meitu, instalei só por causa do efeito Glitch.
– Que site visitas mais vezes?
Google.
– Que séries estás a ver?
Acabei de ver a última temporada do Game Of Thrones e estou a ver a Friends, pela primeira vez.
– O que é que gostarias de ter aprendido em criança?
Um pouco mais de disciplina. Dava-me jeito agora.
– Tens algum guilty pleasure?
Comida. Engordo só com o cheiro.
– O que tens medo de perder?
A saúde. Já perdi e sei o que é.
– O que é que gostarias de experimentar, mas ainda não tiveste coragem?
Gostava de tirar um doutoramento. Não que me falte coragem, mas falta-me o tempo.
– Que filme te fez rir à gargalhada?
Qualquer um dos Monty Python.
– O que é que fazes quando precisas de relaxar?
Muitas coisas, mas a mais frequente é assistir filmes e séries.
– O que é que toda a gente deveria fazer em Coimbra?
Ver cultura que não fosse só música.
– Lugar favorito em Coimbra?
O Jardim Botânico.
– Se pudesses ter um encontro com alguém, quem seria?
Leonardo Da Vinci.
– Qual o melhor álbum de sempre?
Nighthawks at the Diner, do Tom Waits.
– Que livro é que toda a gente deveria ler?
Será que há um livro que toda a gente deveria ler? Eu discordo. Gostei de ler O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, mas não acho que seja o melhor.
– Qual o último país que visitaste?
República Checa.
– Qual o país que gostarias de visitar?
Quero voltar a Itália, a Florença. Também gostava de visitar o Japão.
– A que marca é que és fiel?
Os óleos da Winsor & Newton.
– Qual a coisa mais picante que já provaste?
Provavelmente a coisa mais picante do mundo, a pimenta Carolina Reaper.
– Qual a tua memória favorita?
Qualquer memória de criança com a minha mãe.
– Se tivesses de escolher outra profissão, qual seria?
Filósofo ou psicólogo.
– Em que emprego serias terrível?
Qualquer profissão ligada a números.
Associa palavras
actriz – Marylin Monroe
filme – Blade Runner
música – I Never Talk to Strangers (Tom Waits)
comida – pizza
bebida – água
objectivo – atelier
infância – mãe
sonho – Florença
pessoa – mãe
cor – vermelho naftol
Preferias cortar-te sempre que tocas num papel ou trincar a língua sempre que mastigas alguma coisa?
Preferia trincar a língua sempre que mastigo, de outra forma, corria o risco de me esvair em sangue.

Texto: Célia Lopes
Fotos: João Azevedo
