Estamos naquelas semanas de vaivém. Quem vai de férias e quem vem das férias. Quem vai para o trabalho e quem vem da piscina. Quem vai à casa onde nasceu e quem volta à casa que escolheu. Certo é que mesmo na chamada silly season, como se diz na área do jornalismo, não falta do que falar e, estando bom tempo, basta escolher quando e onde.
Sempre com vontade de vos desafiar a conhecer e desfrutar deste lugar onde vivemos e quem cá está, o próximo e último Ponto de Encontro antes de irmos a banhos é no CAV – Centro de Artes Visuais, que está de parabéns porque faz 20 anos. O centro é nosso vizinho. Fica num sítio discreto, mas verdadeiramente impressionante, que é a ala poente do antigo Colégio das Artes, no Pátio da Inquisição. Foi reabilitado, num projecto assinado pelo conhecido arquitecto João Mendes Ribeiro, adaptado às funções contemporâneas e inaugurado a 14 de Fevereiro de 2003, mas as origens remontam ao séc. XVI.

D. Frei Brás de Braga mandou construi-lo quando os terrenos ainda pertenciam ao Mosteiro de Santa Cruz. Em 1548, D. João III mandou instalar o Colégio das Artes, criado em plena reforma renascentista da Universidade, depois o colégio foi transferido para a Alta e o edifício passou a acolher o Tribunal do Santo Ofício. Quando foi extinto com a Revolução Liberal, em 1821, os cárceres, as celas, as salas de tortura e os próprios tribunais acolheram um Centro Republicano e serviram de cavalariças militares. Hoje, já como CAV, está inserido no conjunto arquitectónico da Rua da Sofia, reconhecido há precisamente uma década como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, Universidade de Coimbra – Alta e Sofia. Tem uma galeria para exposições temporárias, uma sala para projectos em vídeo, um auditório, uma biblioteca, laboratórios, salas de formação, escritórios, cafetaria e zonas de lazer. São 1500 m2 em dois pisos nos quais foram investidos cerca de 250 mil euros em equipamento.
Na sexta-feira, 28 de Julho
O fim de tarde começa com uma visita guiada por Teresa Ponte, às 18h30, que permite não só conhecer o espaço como a exposição Auto & Retrato — obras da Colecção dos Encontros de Fotografia, com uma seleção de obras dos Encontros de Fotografia de Coimbra, que, para quem não saiba, consolidaram a visibilidade e discussão em torno da fotografia moderna e contemporânea em Portugal. Daniel Blaufuks, Hannah Starkey, José Maçãs de Carvalho, Marianne Mueller, Pedro Medeiros e Rita Magalhães são alguns dos nomes nas paredes.
No primeiro andar está Interstício, a primeira mostra individual de Inês Moura em Coimbra. A imagem, a palavra e o espaço como matéria, aparecem muitas vezes nos trabalhos da artista local que viveu quase 12 anos São Paulo, no Brasil, como forma de expressão de uma profunda ligação à Natureza, aos lugares que habita e a uma arqueologia da memória e do tempo. Inês já recebeu o prémio BES Revelação, apresentou o seu trabalho no Museu de Serralves e tem participado em exposições nacionais e internacionais. Falámos de algumas das mais recentes na Coimbra Editora e Manutenção Militar, com o colectivo Pescada 5.

Há mais. A música vai estar a cargo de João André Oliveira, radialista da Antena 3. Antigo locutor e realizador de programas de Soul e RnB, Kuduro, Tarraxo e baladas na RUC, divulga a atualidade cultural diariamente no Domínio Público da Antena 3. Em Coimbra, enquanto DJ, animou espaços como o extinto Aqui Base Tango, a Casa das Artes, a Rádio Baixa e o Atelier a Fábrica.
Este Ponto de Encontro é feito em parceria com o CAV e tem o apoio da Praxis, Licor Beirão, Cia. Espirituosa e Frutorra. A entrada é livre e a receita de bar contribui para a sustentabilidade do nosso projecto.
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