Em vésperas das eleições autárquicas de 12 de outubro, a preocupação com o futuro de Taveiro tem vindo a crescer entre os moradores e cidadãos da vila. Num grupo local de Facebook, a questão que mais se destaca é o impacto esperado da ocupação do Bairro Social da Quinta das Bicas, que vai receber a instalação súbita de mais de 700 novos residentes numa vila que conta atualmente com cerca de 2000 habitantes.
Esta situação suscita muitas dúvidas e apreensões: como evitar a criação de um gueto? O que está a ser feito para garantir que esta nova realidade construa, em vez disso, uma comunidade coesa, onde atuais e novos residentes possam conviver com qualidade de vida?
De muitas conversas e perguntas levadas por cidadãos como Conceição Abreu, Graça Barbosa Ribeiro, Luís Gomes, Nuno Fonseca e Valdemar Pereira, nasceu o pedido para que a Coimbra Coolectiva fosse ponte entre a comunidade e os candidatos à Câmara Municipal de Coimbra. O objetivo foi claro: ouvir diretamente os planos e compromissos dos candidatos, sem espaço para acusações do passado, mas com foco no futuro e no território como um todo.
Apesar do curto prazo e da impossibilidade de organizar um novo debate do tipo do realizado no TUMO, assumimos o compromisso de levar estas questões concretas aos sete candidatos e partilhar as respostas com a comunidade antes do dia da eleição. Procuramos entender o que cada candidato propõe para preparar a vila para o aumento drástico da população e garantir que a integração dos novos residentes seja harmoniosa, promovendo o bem-estar de todos.
Agora recebemos as respostas de seis candidatos e partilhamos abaixo, por ordem alfabética, as suas propostas. O candidato Tiago Martins não participou devido ao falecimento do seu pai. Manifestamos as nossas condolências pela sua perda.

Ana Abrunhosa
Candidata pela Coligação Avançar Coimbra.
Que medidas concretas vai tomar para garantir que Taveiro se torne um exemplo de integração entre atuais e novos residentes?
Propomos lançar uma Iniciativa de Constituição de Comunidade que transforme a Quinta das Bicas num espaço de vizinhança ativa e solidária. Esta iniciativa incluirá a criação de uma Comissão Local de Acompanhamento, composto por representantes dos moradores, das novas famílias, da Junta e das associações locais; o desenvolvimento de equipamentos partilhados, como creche, lavandaria coletiva, parque e horta urbana, jardim infantil e espaços de convívio; a introdução da figura do zelador do bairro, integrado na associação de moradores e responsável por apoiar a convivência e a manutenção quotidiana; e a disponibilização de apoio técnico de proximidade, através de equipas sociais, culturais e mediadores comunitários. Será também promovido o apoio à criação de microeconomias locais — pequenas oficinas, cafés, comércio e serviços geridos pela própria comunidade. Trata-se de um programa destinado a reforçar os laços entre as novas famílias e os moradores de Taveiro, ajudando a construir uma identidade comum e a criar um modelo que possa ser replicado noutros bairros com realidades semelhantes.
Que soluções defende nas áreas de transportes, saúde, segurança e espaços verdes?
O reforço dos transportes municipais deve ser uma prioridade imediata, assegurando ligações eficazes entre a Quinta das Bicas e os principais polos da cidade, com horários ajustados às necessidades de estudantes e trabalhadores por turnos. Esta medida permitirá melhorar a mobilidade dos habitantes locais e reduzir a pressão sobre zonas de maior tráfego, como a rotunda do Almegue. No domínio da saúde, é essencial reforçar os serviços de cuidados primários na unidade local, em coordenação com o SNS, garantindo capacidade de resposta adequada à nova população. Também a segurança deve basear-se num modelo de proximidade e presença comunitária, promovendo confiança e integração. Por fim, o espaço público da Quinta das Bicas deve ser transformado num parque de encontro e lazer, aberto a todos os moradores locais, promovendo convivência e sentido de comunidade.
Que investimentos prioritários planeia realizar para preparar a vila para o aumento da população?
Com mais 700 habitantes, Taveiro precisa de (medidas já contempladas no programa de candidatura à junta de freguesia):
- Garantir o reforço e a requalificação das escolas para acolher o aumento de alunos por via dos novos fogos sociais na Quinta das Bicas;
- Melhorar as condições das escolas da freguesia, modernizando espaços e equipamentos;
- Criar programas de apoio ao estudo e ocupação de tempos livres para jovens, em parceria com associações locais;
- Apoiar os transportes para garantir acessos regulares e seguros;
- Apoiar a dinamização de projetos de economia local e circular em conjunto com as empresas tecnológicas e de agricultura, que possam ajudar ao desenvolvimento dos residentes e territórios;
- Apoio à criação de equipamentos sociais (centro social e comunitário) de gestão partilhada;
- Criação ou manutenção ativa dos parques infantis, equipamentos desportivos, equipamentos culturais, espaços verdes e comercio de proximidade da União de Freguesias (UF).
Caso não vença as eleições, o que se compromete a fazer enquanto oposição sobre este tema?
Se não formos eleitos, manteremos uma posição vigilante e construtiva: exigiremos que a Câmara acompanhe o bairro com equipas técnicas, programas de inclusão e reforço do investimento em Taveiro, e evolução na direção das políticas explicadas acima. Não aceitaremos que se continuem a repetir erros do passado.
Como pretende envolver a população de Taveiro nas decisões e garantir que é parte da solução?
Através da Comissão de Acompanhamento, que deve ter 3 níveis de intervenção no envolvimento das comunidades locais: Um nível micro mais focado nos indivíduos e famílias, considerando as caraterísticas dos cidadãos que vão ocupar estas casas e na criação de redes de vizinhança e de solidariedades formais e informais. Num segundo nível de carácter meso que se foca na relação entre as forças vivas locais e na construção de espaços de partilha comuns e de benefício mútuo (como a economia local, a creche, o centro social, etc…) e a nível macro implementando os novos instrumentos e programas nacionais e internacionais que financiem cultura, inovação e ação social concorrendo para a construção de espaços de atração periférica e central.

Francisco Queirós
Candidato da CDU (coligação PCP/PEV)
Que medidas concretas vai tomar para garantir que Taveiro se torne um exemplo de integração entre atuais e novos residentes?
Uma nova urbanização de habitação municipal tem de ser um continuo da realidade pré-existente. O envolvimento da junta de freguesia com os novos moradores é fundamental, devendo partir, se assim for assumindo pelos novos residentes, de uma associação de moradores a constituir.
A Câmara pode e deve diversificar o universo se população a alojar neste empreendimento; inserindo, como futuros moradores, munícipes inscritos em lista de candidatos a habitação com renda apoiada, mas também munícipes elegíveis em regime de renda acessível. Esta diversificação corresponde, na verdade, ao modelo de cidade que a CDU preconiza.
O processo de constituição desta comissão pode e deve ter o apoio jurídico da Câmara, como aconteceu em outros bairros municipais. A nova urbanização tem de ser muito mais que um aglomerado de habitações, tem, obrigatoriamente, de incluir equipamentos destinados a creche, a sede de associação de moradores/coletividade e centro cultural com espaços para actividades culturais, biblioteca, de convívio; parque infantil; espaços verdes; equipamentos desportivos, entre outros. Os serviços municipais de habitação deverão ter um polo aqui sediado, com técnicos de diferentes áreas, à semelhança do que ocorre na zona do Planalto do Ingote (CMAS, Centro Municipal de Ação Social).
Que soluções defende nas áreas de transportes, saúde, segurança e espaços verdes?
A definição de soluções concretas pode e deve surgir da articulação da junta de freguesia com a câmara, envolvendo os moradores e os seus representantes. Naturalmente, tem de existir uma cobertura adequada do serviço público de transportes e exigir-se das entidades responsáveis as respostas necessárias ao nível dos cuidados de saúde primários.
Que investimentos prioritários planeia realizar para preparar a vila para o aumento da população?
É fundamental, como decorre das respostas anteriores, dotá-la de equipamentos sociais, já referidos, de transporte e vias de comunicação.
Caso não vença as eleições, o que se compromete a fazer enquanto oposição sobre este tema?
Independentemente de quaisquer resultados, a CDU bater-se-á pela qualidade de vida da população da freguesia, pela otimização das oportunidades que têm de acompanhar esta nova urbanização, ou seja, com esta nova realidade tem de se garantir mais qualidade de vida.
Como pretende envolver a população de Taveiro nas decisões e garantir que é parte da solução?
O poder local democrático é ponto de partida para o envolvimento da população. A população tem de ser convocada/convidada a participar das decisões e projetos para o desenvolvimento com mais qualidade de vida. Em conclusão, a fixação de mais população, ao invés de algumas expectativas e preocupações, tem de ser transformada em oportunidade de desenvolvimento, dotando a vila e a freguesia de equipamentos, acessibilidades, transportes. Exige-se, pois, que as autarquias (Câmara e Junta) não falhem. O papel fundamental neste processo cabe à Câmara e às políticas que desenvolva.

José Manuel Pureza
Candidato do Bloco de Esquerda
Que medidas concretas vai tomar para garantir que Taveiro se torne um exemplo de integração entre atuais e novos residentes?
Deve ser promovida uma cultura de integração entre os diversos segmentos da população, seja nos serviços públicos locais (escolas, unidades de saúde), quer através de iniciativas da Junta de Freguesia para dinâmicas de convívio e de interação que previnam estigmas e fragmentação.
Que soluções defende nas áreas de transportes, saúde, segurança e espaços verdes?
O reordenamento da rede dos SMTUC tem de ter em atenção a grande concentração populacional que ali se vai instalar, pessoas de baixo rendimento e isoladas de tudo. Ou seja, cabe aos SMTUC assegurar a mobilidade – em trajetos e em horários – daquela população guetizada. O acesso a serviços públicos essenciais, como a saúde e a educação, passa também pela desconcentração de unidades prestadoras desses serviços. E, evidentemente, é absolutamente essencial que aquela mancha de betão seja temperada pela disponibilização – que cabe à CMC em articulação com a Junta de Freguesia – de espaços verdes qualificados, com sombras, bebedouros (que funcionem, de preferência…), bancos, equipamento sanitário cuidado e com valência para crianças, oferecendo-se assim como espaços também de convívio intergeracional.
Que investimentos prioritários planeia realizar para preparar a vila para o aumento da população?
Arborização das ruas e criação de dois espaços verdes qualificados, um deles com valência de parque infantil nos terrenos envolventes da urbanização. Edificação de um centro polivalente de reunião, de convívio e de prática desportiva.
Caso não vença as eleições, o que se compromete a fazer enquanto oposição sobre este tema?
O Bloco de Esquerda bater-se-á em todos os órgãos autárquicos do concelho de Coimbra para que não se repita nunca este erra social e urbanístico tão grave e para que a política de habitação municipal para pessoas de menor rendimento tenha como princípio intransponível a disseminação dessas habitações pela malha urbana. Bater-se-á também pela aprovação de programas de apoio, sobretudo no sistema educativo, a práticas de combate à estigmatização e à guetização com base no rendimento, na etnia ou em outra qualquer forma de discriminação. E bater-se-á para que, neste caso concreto, sejam dadas à população ali residente condições de mobilidade, de aceso a serviços públicos e de fruição do espaço natural com qualidade.
Como pretende envolver a população de Taveiro nas decisões e garantir que é parte da solução?
A Junta de Freguesia deve promover iniciativas culturais que integrem toda a população, em dias festivos ou com iniciativas temáticas específicas que combatam a segmentação. E deve também promover momentos de debate público e efetivamente participado sobre políticas públicas (transportes, ambiente, cultura, saúde) que permitam à população d bairro e da freguesia convergir em reivindicações comuns.

José Manuel Silva
Candidato pela Coligação Juntos Somos Coimbra
Que medidas concretas vai tomar para garantir que Taveiro se torne um exemplo de integração entre atuais e novos residentes?
A Quinta das Bicas vai ser casa para 268 famílias e trabalharemos ativamente para a total integração de eventuais casos mais necessitados, não só na comunidade de Taveiro, mas na comunidade da própria urbanização e também, se for caso, integração social e laboral. A Câmara, quando decidiu comprar este terreno e proceder à construção destas habitações, ficou com 2 lotes com dimensão suficiente para equipamentos de resposta social, nomeadamente um gabinete de ação social de proximidade e descentralizado. Um gabinete onde técnicos sociais estarão disponíveis, atentos e próximos para trabalhar na integração e inclusão das pessoas que possam via a necessitar desse apoio suplementar. Não se pode esquecer que as famílias que habitam em fogos camarários tem regras a cumprir, sob pena de poderem perder a habitação.
Para além desse espaço de cariz mais social, temos pensado um espaço com múltiplas funções – um equipamento que sirva não só a vertente cultural, como também a vertente desportiva e associativa. Temos também pensada a construção de uma creche. O território desta união de freguesias não dispõe deste equipamento de resposta social, nem pública, nem privada, e é nossa intenção a construção de uma creche junto à Quinta das Bicas para servir não só a população desta urbanização, como a população do território da freguesia e da freguesia de São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades.
Que soluções defende nas áreas de transportes, saúde, segurança e espaços verdes?
Nos transportes, e dado o aumento do número de pessoas a residir em Taveiro, será equacionado, se necessário, um aumento do número de autocarros nas linhas e eventualmente, alguma modificação em alguma linha, para poder satisfazer as necessidades das pessoas que lá passarão a residir. Felizmente que a entrada em funcionamento do MetroBus, que o atual executivo conseguiu colocar em funcionamento quando já ninguém acreditava no projeto, vai libertar meios dos SMTUC para servir melhor as comunidades do concelho atualmente menos bem servidas pelos transportes públicos.
Na saúde, ainda há pouco tempo foi inaugurada a extensão de saúde de Taveiro, que fica muito próxima da urbanização.
No que à segurança diz respeito, voltamos à questão de quem são os inquilinos municipais nos dias que correm – quem procura habitação municipal são sobretudo idosos isolados e sem retaguarda familiar, famílias monoparentais que trabalham e com filhos menores a cargo e algumas famílias de migrantes, pessoas perfeitamente pacíficas e que apenas procuram uma vida digna, respeitada e tranquila. As pessoas que vão habitar a Quinta das Bicas são pessoas como nós. Não queiramos já, à partida, rotulá-los pejorativamente, falando em questões de segurança! Sejamos sérios e humanistas, acima de tudo!
No que concerne aos espaços verdes, a urbanização terá bastantes espaços verdes, uma paisagem e uma localização privilegiadas e deslumbrantes e terá um parque infantil ao dispor das crianças.
Por último, não podemos deixar de referir a Educação, que foi esquecida na pergunta. Taveiro dispõe de uma escola de 2º e 3º ciclos, bastante próxima da Quinta das Bicas, com capacidade ainda para criar mais turmas, de todos os níveis de ensino. Não esquecendo a nossa proposta da construção de uma creche, junto à urbanização. Finalmente, a localização da quinta das Bicas também facilitará a integração no mercado de trabalho, pela proximidade a grandes áreas comerciais e industriais, sem esquecer a recente aquisição por uma empresa do espaço da antiga fábrica Gresco, que vai criar mais 200 postos de trabalho, um sinal claro da recente recuperação empresarial e económica do concelho de Coimbra durante o mandato do atual executivo camarário.
Que investimentos prioritários planeia realizar para preparar a vila para o aumento da população?
Os investimentos passarão pelo reforço, se necessário, dos transportes públicos e pela construção de um novo equipamento polivalente para servir toda a comunidade da freguesia.
Caso não vença as eleições, o que se compromete a fazer enquanto oposição sobre este tema?
Trabalhar pedagogicamente para que as pessoas que venham a habitar a Quinta das Bicas sejam sempre vistas como pessoas e respeitadas como tal. Que se termine de vez com a história de gueto e se olhem para todas as pessoas como pessoas, que se deixem de lado as teorias políticas sobre concentrações de pessoas e se passe a olhar objetivamente para as necessidades das pessoas e em tudo fazer para a sua integração na comunidade.
Como pretende envolver a população de Taveiro nas decisões e garantir que é parte da solução?
Temos ouvido instituições de Taveiro, sabemos das suas ânsias e desejos, mas não nos podemos esquecer nunca que estamos a falar de pessoas e de oportunidades! De pessoas que vivem em condições de insalubridade habitacional, de sobreocupação, e até de falta de habitação, e que, com a Quinta das Bicas, passam a ter habitação, uma condição essencial para a inclusão e que funciona como elevador social. O aumento da população na União de Freguesias também será benéfico para muitas atividades locais. Vamos continuar a ouvir as Instituições e as pessoas de Taveiro e os seus representantes autárquicos.

Maria Lencastre
Candidata pelo Chega
Que medidas concretas vai tomar para garantir que Taveiro se torne um exemplo de integração entre atuais e novos residentes?
Segundo o atual presidente da câmara o Bairro das Bicas não será um bairro social mas um Bairro para a classe média, levando às palavras do mesmo a letra não me pareceria necessário que o mesmo bairro fosse alvo de medidas de integração. Contudo o Bairro das Bicas é um bairro social, este é um facto, como tal, torna-se necessário garantir que as 268 famílias a serem alojadas no bairro sejam avaliadas segundo a sua efetiva necessidade, e seja dado o devido acompanhamento à altura do alojamento das mesmas, criando equipas de rua que permaneçam no bairro o tempo suficiente para garantir a plena integração dos novos habitantes. É necessário que quem beneficia de habitação social perceba que os contratos são para cumprir, que as casas são para ser estimadas, a habitação social é pública e por tal é de todos os contribuintes.
Caberá à Câmara garantir nos contratos cláusulas que permitam a vistoria às casas atribuídas, estando devidamente explícito no mesmo que o não respeitar das regras estipuladas dará direito a consequências que em último caso levarão ao despejo.
Existem leis, estas são para cumprir e não cumprindo as consequências serão aplicadas. Cada família deverá ser avaliada socialmente para que se perceba a real necessidade da atribuição de casa, as listas de espera são enormes e demoradas pelo que se torna necessário avaliar a situação socioeconómica de cada família antes que a mesma seja alojada, tal avaliação não passará apenas por avaliação burocrática, mas também por acompanhamento pessoal das equipas de integração, que devem ser rigorosas na avaliação de todos os critérios estipulado por regulamento camarário. A lei e as regras são para cumprir por quaisquer cidadãos que ali habitem.
Que soluções defende nas áreas de transportes, saúde, segurança e espaços verdes?
As minhas preocupações com a construção deste bairro camarário são públicas desde o momento em que soube deste erro social monumental. O bairro das Bicas pode tornar-se rapidamente num novo bairro da Rosa ou Ingote. Este tipo de construção de bairros camarários já não é uma medida social a ser aplicada em qualquer país desenvolvido.
Criar Guetos com dinheiro público apenas e só para aproveitar financiamento externo é no mínimo ridículo. Poderia dizer que medidas irei aplicar para a construção de habitação a custo reduzido, mas tal não é a pergunta. Focando-me no que questionam: Solicitar junto do Ministério da Defesa para que seja
facilitada a deslocação do posto da GNR existente em Taveiro para dentro do Bairro e
aumentar o número de efetivos no mesmo.
Reforçar a equipa médica e de enfermagem no centro de saúde, o rácio (médico e enfermeiro) tem de ser respeitado e para tal é necessário proceder a novas contratações. Os transportes é outra questão fulcral, devem ser estudados horários com a participação da população para que os mesmos ofereçam a garantia de transporte eficiente e eficaz para todos os habitantes de Taveiro.
Quanto aos espaços verdes estes devem ser obrigatoriamente abertos e amplos, bem iluminados e dotados de áreas de sombra e descanso, mesas onde os mais velhos possam conviver e parque infantis onde as crianças brinquem dando azo a sua imaginação, devidamente protegidas do sol.
Que investimentos prioritários planeia realizar para preparar a vila para o aumento da população?
Reforço nos transportes, no centro de saúde e na segurança. Torna-se ainda necessário perceber junto da população quais os seus receios e angústias, para tal será dada a prioridade ao trabalho com a união de freguesias para que a população seja ouvida e se sinta acompanhada neste aumento repentino de população que Taveiro será alvo. Tais medidas devem ser aplicadas imediatamente por forma a que estejam em pleno funcionamento quando o bairro for habitado.
Caso não vença as eleições, o que se compromete a fazer enquanto oposição sobre este tema?
Fiscalizar, inquirir, estar junto da população e monitorizar todos os procedimentos que forem adotados.
Como pretende envolver a população de Taveiro nas decisões e garantir que é parte da solução?
Penso que já respondi anteriormente a esta questão, envolver diretamente a união de freguesias, promover debates e sessões de esclarecimento, estar junto da população e iniciar desde já a implementação das medidas relativas à melhorias dos serviços públicos necessários.

Sancho Antunes
Candidato pela ADN – Alternativa Democrática Nacional
Que medidas concretas vai tomar para garantir que Taveiro se torne um exemplo de integração entre atuais e novos residentes?
A integração não é um ato administrativo — é um processo contínuo que exige planeamento, presença e acompanhamento:
- Dispersão habitacional equilibrada das famílias vulneráveis por várias freguesias, evitando concentrações problemáticas e favorecendo a mistura social;
- Planos de integração comunitária envolvendo escolas, juntas de freguesia, IPSS e associações locais, para criar redes de apoio sólidas;
- Acompanhamento permanente dos técnicos da Câmara Municipal, sobretudo do Serviço Social, no terreno. Este acompanhamento é crucial para apoiar as famílias, intervir precocemente em situações de risco e garantir que a política de integração é real e eficaz, e não apenas uma intenção em papel;
- Programas de mediação comunitária e cultural, promovendo pontes entre novos e antigos residentes desde o início.
Que soluções defende nas áreas de transportes, saúde, segurança e espaços verdes?
A segurança tem de ser tratada com seriedade. Defendo que a Câmara construa instalações adequadas para garantir a presença permanente da GNR em Taveiro. A autoridade deve estar presente, visível e próxima, não apenas em patrulhas ocasionais.
- Videovigilância – Implementação de um sistema de videovigilância moderno em pontos estratégicos da via pública, em articulação com as forças de segurança e respeitando as normas legais, para reforçar prevenção e tranquilidade.
- Transportes – Reforço das ligações SMTUC, com horários adequados à realidade da população.
- Saúde – Criação de uma extensão local dos cuidados de saúde primários com equipa médica e de enfermagem regular.
- Espaços verdes – Criação de zonas verdes abertas, bem iluminadas e seguras, que favoreçam convivência comunitária.
Que investimentos prioritários planeia realizar para preparar a vila para o aumento da população?
Taveiro precisa de investimento real e estratégico:
- Infraestruturas básicas (saneamento, água, iluminação pública, rede digital);
- Equipamentos sociais e comunitários modernos e acessíveis;
- Posto policial permanente da GNR, devidamente equipado e com efetivos fixos;
- Rede de videovigilância preventiva com ligação direta ao comando;
- Equipa técnica social permanente no terreno, garantindo que o crescimento populacional é acompanhado por políticas públicas eficazes.
Caso não vença as eleições, o que se compromete a fazer enquanto oposição sobre este tema?
Mesmo na oposição, serei vigilante e ativo:
- Fiscalizarei cada decisão camarária;
- Darei voz aos moradores de Taveiro nas assembleias municipais;
- Lutarei contra a criação de um novo foco de exclusão social;
- Exigirei segurança, planeamento e integração real — não soluções improvisadas.
Como pretende envolver a população de Taveiro nas decisões e garantir que é parte da solução?
Os moradores de Taveiro devem ser parte da solução:
- Assembleias participativas regulares com Câmara, moradores e técnicos.
- Conselho local consultivo com população, associações, forças de segurança e especialistas.
- Consultas públicas obrigatórias antes de qualquer mudança relevante no planeamento.
Em síntese, a decisão atual é precipitada e perigosa. Criar um gueto em Taveiro seria repetir erros históricos — alguns trágicos, como Varsóvia; outros bem próximos, como o Bairro da Rosa. A alternativa existe: integração habitacional dispersa, presença policial permanente, videovigilância moderna, envolvimento comunitário e acompanhamento técnico social contínuo. Taveiro merece respeito, segurança e políticas públicas responsáveis — não improvisações.

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