É uma pergunta recorrente que alguns de nós fazemos, ao sair ou entrar em casa: «O que posso fazer pelo meu bairro? Podia ter mais árvores ou canteiros? Podia ter um estacionamento para bicicletas?». Na União de Freguesias de Eiras e São Paulo de Frades, a pergunta tomou outras proporções e é agora o tema de um concurso que promete mobilizar as várias ruas e comunidades da freguesia até ao final de Maio. No final, há mil euros para concretizar cada uma das duas melhores ideias, tendo em vista a sustentabilidade ambiental.


O concurso está inserido no programa Bairros Saudáveis, uma iniciativa estatal que decorre no Agrupamento de Escolas Rainha Santa Isabel e conta com o apoio do Rotary Clube de Coimbra Olivais, uma associação de cariz social. «É uma parceria com os Bairros Saudáveis, os rotários dos Olivais fizeram-nos uma proposta e surgiu a ideia de lançarmos o Orçamento Verde, que será incorporado no projecto.

«Temos de devolver o bairro ao bairro. Perdeu-se um pouco o sentido de comunidade, com os mais velhos a falecer e os mais novos a sair. Temos de criar condições para que os bairros voltem a interagir».

Luís Correia, presidente da União de Freguesias de Eiras e São Paulo de Frades


De oito mil euros que temos no Orçamento Participativo, vamos canalizar dois mil para esta iniciativa», descreve-nos o presidente da União de Freguesias de Eiras e São Paulo de Frades. Mas Luís Correia admite que, no futuro, o valor pode aumentar. «Se virmos que faz sentido e vai correr bem podemos fazer a transição total para a parte verde», acrescenta.

«Devolver o bairro ao bairro»

Como se pode ler no regulamento do concurso, «O que posso fazer pelo meu bairro?» é uma iniciativa de levantamento de problemas existentes na comunidade e propostas de solução, que posteriormente serão discutidas em fórum comunitário. «Visa estimular a participação de todos/as em ações de melhoria da sustentabilidade e resiliência comunitária, propondo soluções atractivas para melhorar o território de Eiras e São Paulo de Frades», lê-se.


O regulamento propõe-se ainda a activar «não só resiliência e coesão comunitária como processos de epidemiologia participativa». Para Luís Correia, estes processos explicam-se de forma mais simples: «Temos de devolver o bairro ao bairro. Perdeu-se um pouco o sentido de comunidade, com os mais velhos a falecer e os mais novos a sair. Temos de criar condições para que os bairros voltem a interagir».

«As propostas têm de ser exequíveis, baseadas em problemas identificados. O prémio será para executar, não será monetário». A afirmação é de Irma Brito, membro do Rotary Clube de Coimbra Olivais e promotora do programa Bairros Saudáveis. As candidaturas podem ser feitas de três formas: individual, em comunidade, ou através de turmas do Agrupamento de Escolas Rainha Santa Isabel, em especial as escolas do Loreto e de Santa Apolónia, bem como a sede do Agrupamento.

«Os alunos vão levar folhetos do concurso para casa e não tenho dúvidas que os pais se vão entusiasmar e vão apresentar propostas», salienta Luís Correia. As propostas estão abertas a moradores da União de Freguesias e, em caso de ser por menores, terá de ser preenchida por um encarregado de educação.

A candidatura pode ser feita através de um formulário disponibilizado online. As propostas podem ser entregues até às 18 horas do dia 30 de Maio, sendo as candidaturas vencedoras conhecidas até 21 de Junho. «Queremos incentivar as famílias dos alunos do nosso Agrupamento e, a seguir às férias da Páscoa, vamos divulgar bem esta iniciativa entre a comunidade», revela-nos Cristina Balau, da direcção do Agrupamento de Escolas Rainha Santa Isabel. Irma Brito e Luís Correia admitem que ainda não foram entregues propostas, mas a divulgação do projecto ainda está no início e a expectativa é de que as candidaturas serão muitas e variadas.


«O que posso fazer pelo meu bairro?» insere-se numa vontade da União de Freguesias de Eiras e São Paulo de Frades de tornar o seu espaço mais verde. «É um caminho que queremos percorrer. Já começámos com as árvores recicladas no Natal e há todo um percurso que estamos a tentar desenvolver para o futuro», considera o presidente.

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