Em pleno estaleiro de obras do projeto metrobus na Rua Lourenço de Almeida Azevedo, o Quarteto de Coimbra protagonizou uma serenata singular com a interpretação do fado “Rua dos Jacarandás”, de Manuel Portugal.
Uma iniciativa promovida pela revista Coimbra Coolectiva que pretende chamar a atenção para o abate de várias árvores magníficas – não sendo claro que esse abate é absolutamente necessário e inevitável.
Importa mudar a atitude displicente, as avaliações sumárias, a falta de transparência, associada aos abates de árvores em Coimbra.
As árvores importam-nos. Importam-nos muito. Não apenas pelo seu valor emocional, simbólico, identitário, que é aliás particularmente óbvio neste caso. Mas também pelo seu valor ecológico, pela enorme importância que têm no bem-estar e saúde das nossas comunidades. Precisamos, em resumo, de fazer mais pelo equilíbrio entre progresso e preservação do património de Coimbra.
A escolha do fado, um género musical tão intimamente ligado à saudade e à história de Coimbra, parece-nos uma boa forma de realçar a importância de tal equilíbrio. A serenata contou com as guitarras de Simão Sá Mota e Tiago José Rodrigues, a viola de Vasco Rodrigues e a voz do solista Fábio Miranda Almeida.
Manuel Portugal, autor da canção, partilha que os jacarandás da Rua Lourenço de Almeida Azevedo são mais do que árvores para a cidade: são parte do espaço vivido intensamente e recordado pelos que aqui vivem: “Este fado nasceu de memórias antigas, os jacarandás sempre foram mais do que árvores — são cor, sombra, presença e uma marca viva que guardo em silêncio. Coimbra é feita não só das pessoas, mas também da natureza e dos espaços que aprendemos a amar. As canções ajudam a eternizar esses momentos, mesmo quando a cidade muda e perde pedaços do que nos é querido. O essencial é não deixar morrer dentro de nós o que Coimbra já nos inspirou. Mesmo quando cortam árvores, há um lugar em nós onde o jacarandá permanece vivo.”
Temos acompanhado regularmente o tema do abate de árvores em Coimbra, através de reportagens, artigos de opinião e vídeos, dando destaque a iniciativas cidadãs, aos impactos em grandes artérias como a Avenida Emídio Navarro e a ações de sensibilização para a importância do parque arbóreo urbano.
Estes conteúdos procuram promover o debate público e envolver os moradores na preservação do património natural da cidade. Convidamos toda a comunidade a refletir sobre o abate das árvores em Coimbra e a manifestar-se. Para que mais vozes sejam ouvidas e possamos aspirar às melhores decisões no que toca ao futuro da nossa paisagem urbana.









