A 7ª edição d’O Mundo do Vinho (OMV), produzido pela Cultura e Risco Associação Cultural, vem alegrar os dias cinzentos neste começo de outubro. Entre 3 e 12 deste mês, os participantes podem desfrutar de uma programação que se debruça sobre fotografia, música, gastronomia, arquitetura, literatura e poesia, sempre com o vinho como força motriz. O Douro assume-se como a região vinícola em destaque, mas o vinho Terras de Sicó mantém-se como parceiro.

Como é habitual desde a sua conceção, o evento acontece em vários cantos da cidade e, nesta edição, há algumas estreias, como a Igreja do Convento São Francisco, a Casa Museu Bissaya Barreto, o Portugal dos Pequenitos e a Praça do Comércio.

Um evento que deixa saudade

Margarida Mendes Silva, autora e produtora do projeto OMV, disse que o querer dar um contributo, “ainda que modesto”, para a dinamização da atividade cultural em Coimbra é o que a move a organizar esta iniciativa. Espera conseguir deixar “saudade” nas pessoas, motivá-las a querer mais para o próximo ano. “O público é a motivação maior e o alento para mergulharmos num projeto que é muitíssimo exigente e que dá muito, muito trabalho”.

Ao longo dos anos o projeto evoluiu e Margarida Mendes Silva acredita que o OMV já tem um lugar na agenda cultural da cidade. “Tem o reconhecimento de vários equipamentos culturais e espaços do património que são nossos habituais parceiros, como o Seminário Maior de Coimbra, o Museu Nacional de Machado de Castro, a Quinta das Lágrimas”.

Programa diversificado

Das 8 atividades previstas para os 10 dias de duração do evento, apenas duas são pagas. A primeira é “Um Dia na Vindima”, uma viagem gastronómica pensada pelo Chef Paulo Queirós, que “propõe replicar uma refeição tradicional das vindimas com um toque contemporâneo”. A outra proposta que não é gratuita consiste no “Brinde Cantado À Liberdade”, um concerto de Catarina Peixinho, Leonor Barbosa de Melo e Claúdia Carvalho com o vinho, a música e a liberdade como pilares, acompanhado de um momento de degustação após o recital com vinho Terras de Sicó. As restantes são de entrada livre.

O dia de hoje, 3 de outubro, é marcado pela inauguração da exposição fotográfica “Vinha e Arquitetura”, de Nelson Garrido, no Museu Nacional de Machado de Castro, produzida para o OMV. Este trabalho foca-se em adegas e espaços de enoturismo assinados pelos arquitetos Frank Gehry, Santiago Calatrava, Frederico Valsassina e Carlos Castanheira. Já o projeto Sons do Douro, que promove o encontro entre a música popular e a percussão contemporânea ao usar pipas de vinho como instrumentos, estreia-se na cidade, a 5 de outubro, na Praça do Comércio.

Adega Hotel Marqués de Riscal, de Nelson Garrido

“A revolução no feminino está em marcha”

O evento termina com “Da Terra à Mesa”, “uma conversa em que as mulheres são as protagonistas”, com a enóloga Patrícia Santos e a engenheira Tatiana Sá Marques, na Galeria de Santa Clara. Margarida Mendes Silva explicou que pretendem falar sobre a experiência de ser mulher no mundo do vinho, um mundo tradicionalmente masculino.

Embora reconheça que é um movimento lento, Margarida Mendes Silva referiu que a frase “A revolução no feminino está a chegar”, que pode ser lida no website do OMV, mostra a esperança de que as mulheres vão cada vez mais chegar a lugares de decisão, de liderança e de competência por mérito próprio. Ao integrarem este momento na sua programação querem manifestar solidariedade com esse movimento.

Dificuldades financeiras

“Quem está na promoção e criação de eventos culturais certamente não discordará que é muito difícil reunir apoios e mecenas”, declarou Margarida Mendes Silva. Há 3 anos que têm o reconhecimento da Câmara Municipal de Coimbra, que apoia financeiramente o projeto. A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro e a Vinisicó são mais dois parceiros essenciais à realização deste evento.

“São apoios que ainda não são suficientes, mas já ajudam de uma forma expressiva a produção do evento desta natureza”. A motivação por trás da gratuitidade da maioria dos eventos é a vontade de alargar o universo de pessoas que podem aceder às atividades, que de outro modo não poderiam. “Isto não é um evento comercial, não é um evento para dar lucro”, reforçou Margarida Mendes Silva.

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A curiosidade por explorar o vasto mundo que habitamos aliada à vontade de escrutinar as instituições de poder que o governam como bem entendem levaram-me a estudar Jornalismo e Comunicação na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Tive o gosto e o privilégio de ter o Jornal Universitário de Coimbra – A CABRA como segunda casa durante três dos cinco anos do meu percurso académico. Aprendi e cresci muito com os camaradas de excelência que lá conheci. Ao longo do caminho também tive a oportunidade de estagiar na Coimbra Coolectiva e conhecer ainda melhor o jornalismo de soluções e proximidade que aqui é produzido. Um ano depois, estou de volta e pronta para produzir jornalismo capaz de contribuir para um mundo melhor, uma história de cada vez.

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