O Festival Brew! Coimbra animou o Verd’O Parque, entre os dias 13 e 15 de setembro, e atraiu mais de 15 mil visitas únicas, segundo João Claro, fundador da empresa BREW!, com quem conversámos no rescaldo do evento.

O Brew! Coimbra apresenta-se como um ponto de encontro de várias gerações que dá a possibilidade à comunidade de conhecer o património cervejeiro regional, nacional e internacional. João Claro considera que é benéfico realizar os eventos em espaços “diferenciados” que dão a conhecer ao público, valorizando o município. O fundador da BREW! admitiu que havia “muita surpresa e emoção” e que sentiu “a magia da primeira vez”, como em 2019. “‘Isto é uma pérola, uma cidade escondida’”, “‘o melhor festival de cerveja do ano’” foram alguns dos comentários por parte dos participantes.

“Mesmo que o espaço esteja igual no próximo ano, houve este fator surpresa que acho que vai ser difícil de replicar no próximo ano”.

Mudança de local para um “palco natural”

Nesta 4ª edição, o festival deixou o espaço adjacente ao UC Exploratório – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, alteração que estava a ser pensada há dois anos por alguns constrangimentos desse recinto.

O novo local, num bosque repleto de árvores, entre o UC Exploratório – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra e o restaurante Piscinas do Mondego, é descrito como “único, com maior visibilidade para as bancas, mais justo para os cervejeiros, mais apelativo para o público”. O maior número de sombras durante as horas de maior calor permite também a colocação de mais mesas e cadeiras.

Porém, João Claro explicou que enfrentaram novos desafios, como o chão irregular, o levantamento de terra, a necessidade de colocar instalações sanitárias e o cuidado acrescido na instalação de infraestruturas num bosque. Estão a ser ponderadas soluções para resolver alguns destes problemas, como a colocação de relvado artificial.

Da esquerda para a direita: Hugo Tocha de Carvalho (TUU), João Claro (BREW!), José Manuel Silva (CMC)

Sustentabilidade financeira

A venda do “copo-bilhete”, comissões sobre as vendas das cervejas, patrocínios, concessões de ‘street-food’ e o apoio da Câmara Municipal de Coimbra são as fontes de financiamento que permitem que este festival continue a deliciar os visitantes que por lá passam.

Apesar dos esforços, o Brew! Coimbra só é possível graças ao apoio do município, que assumiu encargos de custos de produção, infraestruturas e programa cultural no valor de 30 mil euros nesta última edição. Embora existam festivais de cerveja em Portugal que recebem apoios municipais 2 a 3 vezes superiores, João Claro sabe que o aumento do financiamento só acontece se existir retorno para a cidade. Objetivo que o festival espera ter alcançado este ano. “Quando apostam em nós viramos esses recursos para tornar o festival mais atrativo para Coimbra”, referiu João Claro.

“Queremos fazer o evento crescer, ainda está longe do que nós acreditamos que possa vir a ser”.

Contudo, a equipa tem tentado reunir mais financiamento privado, o que não se tem revelado fácil. Como não pretendem que o festival se torne numa “feira”, preferem que os patrocinadores estejam associados a uma vertente específica. Por exemplo, nesta 4ª edição, o Alma Shopping assumiu uma vertente familiar, promovendo o “Atelier Álbum Família”, enquanto a TUU ajudou com logística, montagem e desenho da planta. Não colocam como opção a subida de preço do copo, por não ser vantajoso para o evento, ou das comissões sobre os cervejeiros, porque já pedem o valor máximo, pelo que querem alinhar vontades de modo a conseguirem ter apoio público e privado.

Divulgação do património cervejeiro

O Brew! Coimbra pretende alargar ao máximo o leque de opções com o objetivo de contribuir para a promoção da cultura cervejeira portuguesa, o que levou a que estivessem disponíveis mais de 200 cervejas diferentes no Verd’O Parque. Numa perspetiva de expansão do festival, querem explorar outros caminhos, como os cocktails, sidras, vinhos e gelados, mantendo a ligação com a cerveja, e reforçar a internacionalização, mostrando o que se faz fora de Portugal.

“Bem-estar, convívio, troca de ideias e passagem de conhecimento” são pilares fundamentais do evento, que não deixa de lado a sustentabilidade. Copos de edições anteriores vão poder ser reutilizados em edições futuras, mas o custo associado a um novo, como se fosse um bilhete, é sempre exigido, o que permite a sustentabilidade financeira. A redução de resíduos e reutilização de materiais também são práticas que assumem nesse sentido.

Além da mudança do sistema de fichas para o ‘cashless’, o Brew! Coimbra tem mais novidades culturais e cervejeiras que quer implementar, mas que estão “dependentes de disponibilidade financeira” que lhes permita fazer esse investimento.

História atualizada no dia 26 de setembro às 15h17

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A curiosidade por explorar o vasto mundo que habitamos aliada à vontade de escrutinar as instituições de poder que o governam como bem entendem levaram-me a estudar Jornalismo e Comunicação na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Tive o gosto e o privilégio de ter o Jornal Universitário de Coimbra – A CABRA como segunda casa durante três dos cinco anos do meu percurso académico. Aprendi e cresci muito com os camaradas de excelência que lá conheci. Ao longo do caminho também tive a oportunidade de estagiar na Coimbra Coolectiva e conhecer ainda melhor o jornalismo de soluções e proximidade que aqui é produzido. Um ano depois, estou de volta e pronta para produzir jornalismo capaz de contribuir para um mundo melhor, uma história de cada vez.

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