Desde Maio que diferentes trabalhadores do sector cultural, artístico e criativo de cada um dos municípios do distrito de Coimbra estão a receber formação através do programa Economia Criativa na Região de Coimbra, que é uma iniciativa única de sensibilização e interação entre eles. O objectivo é fortalecer e promover a importância da economia criativa para o desenvolvimento sustentável da região e os responsáveis são o JACC – Jazz ao Centro Clube e o MATE, em parceria com a Comunidade Intermunicipal de Coimbra (CIM-RC).
«A gente tem uma movimentação económica muito grande e é uma economia limpa, porque trabalhamos com o imaterial, o intangível, conhecimento, ideias, criatividade. Não precisamos de fabricar nada nem degradar o meio ambiente. É um caminho que as pessoas podem ter como profissão e tirar sustento. A economia criativa hoje em dia tem um papel muito significativo nas exportações mundiais. No hemisfério sul é 42% do volume», disse-nos Eron Quintiliano, um dos dinamizadores, por video-chamada.

Os workshops foram pensadas para dirigentes associativos de colectividades ligadas às Artes e Cultura, indivíduos ou colectivos informais que promovam atividades de cariz social, cultural e económico em que a arte, cultura e criatividade sejam elementos centrais, mas também artistas de todas as disciplinas, técnicos ligados às mais variadas manifestações artísticas, profissionais de comunicação e marketing, rádio e audiovisual, promotores de eventos, gestores de salas de concertos e festivais, cidadãos interessados nas ligações entre as práticas artísticas e criativas e outros domínios setoriais (educação, turismo, ambiente e sustentabilidade). Mais de duas centenas de pessoas participaram até agora nesta que a organização acredita que foi uma oportunidade de acesso a perspectivas, experiências e informações importantes, que apoiam o desenvolvimento da Economia Criativa a nível local, nacional e internacional.
Neste momento, estão abertas inscrições para as última sessões nos dias 25 e 26 de Julho, em Mortágua e Vila Nova de Poiares, e a 29 de Julho, entre as 9h30 e as 17h30, no Convento São Francisco, em Coimbra (com transmissão online).
Workshop + Sessão de Capacitação
Em Coimbra, o Workshop é complementado com uma Sessão de Capacitação (podem ver o programa detalhado no separador em cima) que agrega a experiência nas sessões anterior do ciclo, por toda a região, bem como acrescenta novos pontos entretanto considerados. Durante todo o dia, profissionais do sector dão acesso a perspectivas, experiências e informações importantes, desde o design thinking às oportunidade de financiamento público que apoiam o desenvolvimento da Economia Criativa a nível local, e também nacional e internacional.
Hélder Bruno Martins, compositor e pianista, etnomusicólogo e consultor, perito em gestão e inovação nas indústrias culturais e criativas certificado, foi outro dos dinamizadores além de Eron Quintiliano, criador do MATE e da Rádio Pessoas. «Tem sido muito positivo. Me surpreendi, primeiro porque as pessoas de diferentes realidades e da mesma cidade, com muitas coisas em comum, boa parte delas não se conheciam. Depois porque fazemos uma dinâmica muito simples, muito rápida, que coloca as pessoas para se conhecerem e para falar, e aí as pessoas não querem parar de falar mais. Querem construir projectos. É muito bonito ver isso», contou-nos Quintiliano por video-chamada, destacando a rede que a iniciativa está a criar e que é uma rampa de lançamento para a outra carta que o produtor tem na manga este ano.
A Sessão de Capacitação, para a qual todos os participantes nas sessões anteriores também estão convidados, conta com o músico e coordenador e director artístico do JACC, José Miguel Pereira, e Suzana Meneses, diretora regional de Cultura do Centro. Os interessados podem inscrever-se através do formulário do Workshop Economia Criativa na Região de Coimbra e/ou do formulário para a Sessão de Capacitação. Ambos são gratuitos.
O que é o MATE?
É uma erva-mate, que serve para fazer a infusão de folhas e galhos da planta Ilex Paraguariensis, mas é também o acrónimo de um evento que nasceu no Brasil, em 2016, pela mão de uma equipa de criativos liderada por Eron Quintiliano. O MATE Brasil teve quatro edições em cidades como Porto Alegre e São Paulo, que, segundo o produtor e gestor da indústria musical e criativa a morar em Portugal desde 2019, contaram com milhares de participantes.
Tal como a erva-mate, o MATE | Música, Artes, Tecnologia e Educação viaja para outros pontos do mundo para aumentar a energia, o foco mental, melhorar o desempenho físico e intelectual dos seus participantes. Nos dias 20, 21, 22, 23 e 24 de Outubro acontece em Coimbra, em diferentes locais da cidade com extensões a Tessalónica, na Grécia e a Santiago de Compostela, em Espanha. Ancestralmente, compartilhar a erva-mate da cabaça tradicional era considerado um sinal de amizade, partilha, união e cooperação, e é esse ritual que a iniciativa pretende ter como base, quer a nível global quer a nível local. «Quando falamos em alterações climáticas e sustentabilidade vemos sempre imagens e relações com grandes cidades, mas eu acho de extrema importância manter as pessoas onde elas estão», considera Eron Quintiliano. «Estão na aldeia, têm de continuar na aldeia. Os grandes centros já não têm estrutura e se não houver quem produza nos pequenos territórios vamos ficar à mercê dos grandes grupos e perde-se a autenticidade. Por isso, é importante que as pessoas se sintam bem nos seus territórios.»

Foto: Adriana Vargas
Fruto da cooperação entre quatro parceiros dos três países, o projeto de dimensão europeia e espírito global foi desenhado para fomentar o inter-conhecimento, capacitação, tutoria e estabelecimento de negócios no âmbito das Indústrias Culturais e Criativas (ICC). A música é o foco principal da iniciativa que pretende ser um encontro internacional de profissionais, criativos, empreendedores, artistas, marcas e serviços, das ICC, com a inclusão, a diversidade e a igualdade de género, a preservação do ambiente e a sensibilização para as alterações climáticas sempre presentes de forma transversal e intrínseca.
Através de várias iniciativas como a troca de experiências, contactos, informações e o estabelecimento de sinergias entre os vários agentes das indústrias culturais e criativas europeias, nomeadamente Portugal (Região de Coimbra), Espanha (Galiza) e Grécia (Tessalónica), a dinâmica pretende provocar e estimular reflexões, apresentar e desenvolver projetos inovadores, propiciar o diálogo, as visões e experiências nas indústrias culturais e criativas, da qual se espera fazer emergir uma rede e uma plataforma de novas oportunidades de negócio para aqueles que pretendam comprar, vender, conceber e promover o seu projeto, negócio ou empreendimento na área da música.
O que é que vai ter?
Talks, Palestras, Pitching, Conferências, Lançamento de Livros, Workshops, Mentorias e Concertos/Showcases é que podemos esperar do MATE, que é co-financiado pelo Programa Europa Criativa e liderado pela Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM-RC). Tem como parceiros a Associação Cultural Sem Fins Lucrativos Jazz ao Centro Clube, sediada em Coimbra, e as empresas Nordesía (sediada em Santiago de Compostela, Galiza, Espanha) e Principal Pro (de Tessalónica, Grécia). Foi especialmente estruturado para reforçar a cooperação artística e cultural, especialmente no eixo (Sul da) Europa e América Latina. O principal foco é o Sul da Europa.
«Um projeto destes tem obviamente um conjunto de impactos, também com influência nas variáveis económicas quantitativas (rendimento e criação de emprego) e também nas qualitativas (sociais e ambientais). Pretende-se que cresça em moldes sustentáveis para edições futuras, integrando mais parceiros europeus e de países diversos, sempre com os objetivos primordiais de envolver a comunidade no evento, transformar uma economia competitiva e proporcionar experiências culturais e criativas», considera Emílio Torrão, Presidente da CIM Região de Coimbra. Perante a dinâmica contínua de desenvolvimento turístico da região, tanto ao nível do investimento público como do privado, acredita-se que o MATE é um instrumento importante para alavancar não só o turismo cultural, como a indústria cultural e criativa.
Vitor Belho, da Nordesia (Santiago de Compostela), diz: «o facto de nos ligarmos a parceiros, como a JACC de Coimbra, que faz parte da nossa história medieval, partilhando um idioma e também uma conexão com a América Latina é também muito interessante. Estamos com muita vontade de mostrar que os países que compõem o sul da Europa são, na realidade, elementos de disrupção e de uma nova perspectiva de relação entre a cultura, as artes, a música, a tecnologia e a educação.» Já Juanjo Corrales da Principal Pro (Tessalónica), refere que «a possibilidade de colaborar com organizações, no outro extremo da Europa, que trabalham objectivos similares permitirá um intercâmbio com as experiências que estão a ser feitas no campo musical, seja da promoção e da criação de um perfil mais profissional dos músicos emergentes e do tipo de música que mais trabalhamos, no caso a world music».
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