47ª Feira do Livro de Coimbra abre portas no Parque Manuel Braga de 19 a 28 de junho de 2026, com programação inspirada na “Árvore das Palavras”, de Teolinda Gersão — o livro que dá o mote ao programa e que celebra a vida e obra literária da escritora natural de Coimbra. Após anos de adaptação, a feira regressa ao seu espaço tradicional no Parque, confirmando que há lugares que continuam a unir pessoas num tempo de tanta dispersão.

Ao longo de dez dias, o evento decorre diariamente entre 11h e 22h, acolhendo cinco espaços de programação: Auditório Teolinda Gersão, Estação Elevatória de Coimbra – Biblioteca Carlos Fiolhais, Esplanada/Varanda da Estação Elevatória, Coreto e Espaço Crianças e Famílias.

A identidade visual da edição, já visível nos mupis da cidade desde meados de Maio, traduz em imagem o que a feira promete: um encontro entre gerações, memórias e histórias. Fomos entender melhor esta identidade a partir de uma conversa com a autora, a designer gráfica Catarina Borges de Castro, que nos contou a sua inspiração: ler é um ato de liberdade. Natural de Lisboa, mas que escolheu Coimbra para viver há quase cinco anos, recebeu um convite com um desafio que vai além do gráfico. O briefing tinha três requisitos em tensão: a identidade devia enquadrar-se no universo de Teolinda Gersão, relacionar-se com o Parque Manuel Braga e, ao mesmo tempo, ter vida própria para perdurar nas edições seguintes.

A resposta que Catarina encontrou foi o collage. Não apenas como escolha estética, mas como argumento. O lettering foi desenhado à mão, deliberadamente imperfeito, cheio de movimento e de presença humana. A imagem inclui um plátano estilizado com referências às capulanas moçambicanas, que liga visualmente o livro ao Parque Manuel Braga, e um pássaro que lembra, sem precisar de explicar, que ler é voar.

“O collage é tocar, recortar, juntar, é uma experiência física que o digital não consegue substituir. É também a melhor metáfora para o que uma feira do livro representa: um lugar onde memórias, gerações e histórias diferentes se cruzam sem hierarquia”, explica Catarina, para quem o projeto tem um significado particular: é uma forma de retribuir a uma cidade que a recebeu tão bem e que continua a apostar em iniciativas que juntam pessoas à volta de ideias.

A feira arranca amanhã

A programação inclui 90 atividades no total60 stands com mais de 200 chancelas editoriais, e três ciclos curatoriais no âmbito de “As Vozes de Teolinda Gersão”José Pacheco Pereira reflete sobre política de 1975 e democracia atual, Pedro Lamares debruça-se sobre a poesia em “Ofícios do Poema”, e Cristina Robalo Cordeiro assinala a vida e obra de Teolinda Gersão, natural de Coimbra.

Espaço Crianças e Famílias promove apresentações de livros, sessões de contos e workshops para os mais novos. Ao final do dia, a Esplanada/Varanda acolhe sunsets temáticos, enquanto artistas sobem ao Coreto para dar voz à palavra através da música.

A feira dá espaço não apenas a grandes editoras, mas também a agentes locais de Coimbra — livrarias, alfarrabistas e projetos editoriais da cidade, para além de um expositor dedicado às entidades artísticas e culturais de Coimbra. A Feira do Livro promove ainda a rubrica “A Atualidade dos Livros”, desenhada por Clara Almeida Santos e Francisco Sena Santos.

E o primeiro dia — esta sexta-feira, 19 de junho — já chega convidativo: apresentações de antologias e revistas, segue com Ofícios de Poema curado por Pedro Lamares, enquanto na Estação Elevatória nasce uma exposição de André Ruivo e Rui Reininho é convidado para A Atualidade dos Livros. As crianças têm contadores de estórias no Espaço Crianças e Famílias. Assim que o sol for baixando, começa um sunset poético na Esplanada, e à noite o Coreto vibra com Miguel Gouveia e um combo de jazz que transforma poemas de Lawrence Ferlinghetti em música.

Conheçam aqui a restante programação: feiradolivrodecoimbra.pt

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Nasci em Belém, vivo em Coimbra e me reinvento constantemente entre projetos. Comecei na RUC – Rádio Universidade de Coimbra, vivi o ritmo acelerado da Rádio CBN na Amazónia e me apaixonei pela ponte entre Ciência, Comunicação e Sociedade durante a especialização em divulgação científica na Fiocruz. Agora, enquanto doutoranda em Ciências da Comunicação, continuo jornalista porque gosto de contar as histórias das pessoas. Para mim, histórias sonoras são as melhores, o que me levou a criar o podcast investigativo narrativo O Caso Boaventura. Escrevo guiões e faço pesquisas para cinema documental. Aprendo as regras do rugby com o meu filho e continuo convencida de que o melhor perfume do mundo vem do patchouli. Sigo fiel aos jornais de papel, às séries true crime para espairecer e à frase de Cláudio Abramo que melhor define o ofício: «O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter.»

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