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Está cada vez mais caro ser estudante na cidade dos estudantes, mas há soluções

Coimbra não foge à tendência nacional que outrora parecia afetar apenas Lisboa e Porto. As rendas não param de subir e está cada vez difícil ser estudante e iniciar a vida profissional em Coimbra.

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Fotografia: Mário Canelas

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A subida dos preços no mercado de habitação não é novidade. Em Portugal, já se faz sentir há vários anos, mas o problema parecia afetar, sobretudo, Lisboa e Porto. No entanto, os restantes distritos do país não fogem à subida, cada vez mais acentuada, das rendas, principalmente após o aumento interminável da inflação, causado pela invasão da Rússia à Ucrânia. E Coimbra não é excepção.

De acordo com um relatório de Outubro do portal imobiliário Idealista, em Coimbra, o preço médio de um Estúdio (T0) é de 400€ e de um quarto é de 300€ – quarta capital de distrito com os quartos mais caros, com Aveiro, Braga, Faro e Setúbal, e apenas superada por Porto (400€) e Lisboa (430€). Já o relatório de preços do mesmo portal, indica que o preço de arrendamento por metro quadrado no concelho de Coimbra foi de 8,2€ no mês de Outubro – uma subida de 16% em relação ao mesmo período de 2021 e o máximo registado nos dados do Idealista (recuam até março de 2019).

Os dados do Observatório do Alojamento Estudantil não são tão desanimadores quanto aos valores – o último relatório indica que o preço médio de um quarto em Coimbra, em Outubro de 2022, foi de 198€ (a média nacional foi de 310€), com o preço máximo atingir os 335€ e o mínimo os 125€. Porém, confirma a tendência de subida, uma vez que no relatório de 1 de Outubro de 2021, o preço médio de um quarto era de 177€. Estes dados confirmam outra tendência, que é também uma das razões para a subida das rendas: há cada vez menos oferta.

O Observatório do Alojamento Estudantil revela que a 7 de Outubro de 2022 eram apenas 276 os quartos disponíveis, enquanto a 1 de Outubro de 2021 eram 344 (em todo o país, passaram de 9 697 para 1 916). Já o Idealista, num relatório divulgado a 4 de Novembro, informa que a oferta de casas para arrendar em Portugal desceu 53% no espaço de um ano, 42% no caso do distrito de Coimbra. «Este ano, antes das colocações, já não tínhamos quartos, já tínhamos tudo ocupado. Nunca aconteceu em nove anos», confessou-nos o responsável por uma imobiliária da cidade que preferiu não ser identificado.

Uma realidade difícil

«A subida dos preços não tem nada a ver com a guerra na Ucrânia. Na nossa perspetiva, o que faz subir os preços é a entrada de estrangeiros em Portugal, que ocupam uma parte do parque habitacional. O que regula o mercado, por muito que o Estado queira interferir, é a lei da oferta e da procura. No caso do arrendamento, se há muita procura, os preços sobem», explicou ainda, antes de confirmar o aumento. «A subida não foi de um dia para o outro. Foi subindo ao longo do tempo e realmente está muito caro. Para uma típica família, que comece a trabalhar, é difícil arrendar uma casa. (…) Aqui há sete anos, um jovem arrendava um T2 no Bairro Norton de Matos por 350€, agora dá 500€, com sorte…».

A escalada das rendas é também comprovada por João Alves, estudante de Direito e jovem trabalhador brasileiro que chegou a Coimbra há quatro anos e vive na zona de Montes Claros. «Quando cheguei a Coimbra, a média de preços rondava entre 180 e 200 euros por um quarto num T4/T5. Atualmente, subiu para os 220/250€. Encontrar um quarto bom por 200€, hoje, é uma raridade», referiu. «Eu tive o privilégio de já ser amigo da pessoa que vivia nesta casa. Pago 200€ pelo quarto, mais despesas, ronda os 250€», acrescentou.

Já Patrícia Serrazina, jovem de 25 anos que estudou em Coimbra e está a iniciar o seu percurso profissional, paga 175€ por um quarto num T5 em São Martinho do Bispo. «Estou cá há sete anos e este é o quarto mais barato que consegui alugar», confessou. Ainda assim, foi obrigada a afastar-se do centro da cidade. «Notei a subida de preços porque vivi seis anos em Celas e perto da Praça da República. Aí sim, pagava sempre 250€ mais despesas. Havia meses em que chegava a pagar mais de 300€, por um quarto… Em São Martinho as casas são mais baratas e compensa».

E se encontrar um quarto a bom preço não é fácil, um apartamento… «Antes de ir para São Martinho, tentei ver um T0 ou um T1, mas é impossível, com os ordenados praticados em Coimbra e na área onde eu estou, arrendar sozinho. Não encontro nada razoável para viver a menos de 500€, mesmo em São Martinho. E mesmo casas antigas, pedem imenso dinheiro. Está tudo muito caro e para comprar então…».

As possíveis soluções

Para o responsável pela imobiliária com quem falámos, «se houvesse medidas a dinamizar a construção – isenção de taxas, rapidez na aprovação de projetos, aumento do PDM – ia haver muita escolha e os preços iam baixar». O caminho que o governo segue é outro. Desde logo com a limitação da subida das rendas para 2%, ao invés dos 5,43% previstos devido à inflação, bem como através do Plano Nacional de Alojamento Estudantil (PNAES), que aloca 375 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para criar mais 15 mil camas em alojamentos para estudantes do Ensino Superior até 2026, 4 790 das quais na região Centro.

As residências universitárias são, desde logo, uma solução óbvia para estudantes. No entanto, apesar dos preços baixos, faltam camas e muitos queixam-se das condições. Há outra solução: as residências privadas. No entanto, se as condições são bem melhores, os preços também são bem mais altos. «Quando cheguei a Coimbra, não tinha noção dos preços e acabei por ficar três meses numa cilada. Era um estúdio de uma empresa grande que compra um imóvel antigo, renova e transforma numa coisa gourmetizada com preços absurdos. Paguei quase 400 € por mês, mas quando soube que era um absurdo fui pesquisar e encontrei outro sítio», contou-nos João Alves.

Ainda para os estudantes, há outra solução bastante original: o projeto Lado a Lado. Nasceu em 2009, numa parceria entre a Associação Académica de Coimbra (AAC) e o Centro de Acolhimento João Paulo II, e «consiste em alojar estudantes com dificuldades socioeconómicas, em domicílios de idosos, sem custo de alojamento para os estudantes», que podem ter idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos e têm de passar por uma avaliação psicossocial.

Estas soluções, todavia, não resolvem, pelo menos diretamente, o problema de jovens a iniciar o percurso profissional. Aí surge uma outra solução proposta pelo governo: o Programa Porta 65 Jovem. Consiste num apoio variável para jovens (e jovens casais) entre os 18 e os 35 anos, com a duração de 12 meses, sendo possível prolongar até cinco anos. Em Coimbra, a renda máxima admitida pelo programa é de 468€ no caso de um T0 e T1, 581€ no caso de um T2 e T3 e de 756€ no caso de um T4 e T5.

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