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Geração Coolectiva: fomos 120 a construir a Coimbra dos sonhos e afetos

Encontro, confiança e oportunidade foram palavras-chave no evento de arranque da iniciativa 100% gratuita da Coimbra Coolectiva, no passado sábado. Dezenas de participantes, de todas as idades e perfis, seguem agora para o Programa de Capacitação onde vão desenvolver propostas para a cidade.

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Fotografia: Mário Canelas

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«As cidades, como os sonhos, são construídas por desejos e medos.»
Italo Calvino

Há um paralelismo entre As cidades invisíveis, de Italo Calvino lançada em 1974, e a Geração Coletiva, que aconteceu no passado dia 14, nas antigas instalações da Coimbra Editora. Na obra do escritor italiano, Marco Polo descreve para Kublai Khan 55 cidades que conheceu. São narrativas curtas e divididas por tópicos. Foi exatamente isso que se viu e ouviu no início da noite quando os participantes apresentaram os pitchs das suas propostas de projetos. Como nos relatos do viajante veneziano, foram usadas palavras sentimentais e também racionais.

Iniciativa 100% gratuita, a Geração Coolectiva é voltada para sonhadores-fazedores. Para quem quer ser sujeito de mudança de nossa cidade. Para que o evento se transformasse em uma usina de ideias, os participantes foram distribuídos por 24 mesas temáticas, de acordo com sua área de interesse, espalhadas onde antes funcionavam as impressoras da Coimbra Editora. 

Como foi

A tarde teve início com quatro geradores de alto impacto compartilhando suas caminhadas e as experiências que adquiram ao longo do percurso: Adriana Mano, fundadora Zouri Shoes, que utiliza material retirado do mar para confecionar calçados; Alfredo Abreu, fundador da Serve the City Portugal, que constrói pontes entre pessoas em situações de vulnerabilidade, instituições e territórios, através de acções de voluntariado; Miguel Antunes, co-fundador da  Redlight & Nest Collective, que presta consultoria e assessoria em inovação tecnológica, e Sandro Resende, fundador do Manicómio, projeto de inclusão pela arte e criatividade para pessoas com experiência de doença mental.

O compartilhamento das trajetórias de pessoas que estão já a fazer diferença com as suas ideias certamente contribuiu para a fase seguinte: em seus grupos, os participantes experimentaram na prática o processo de desenvolvimento de ideias para a cidade, (re)acendendo, assim, a chama interna do desejo, por vezes adormecido, de tomar a ação para si, apropriar-se da cidade, através do ativismo cívico. Não à toa, uma frase que se ouviu com frequência foi «necessidade de sentimento de pertença».

«Aqui não há expectadores», informou Ana Monteiro, program manager da equipa ShIft, que desenvolveu o programa com a equipa da Coimbra Coolectiva. «Quem sabe temos aqui futuros oradores das próximas edições do Geração Coimbra?» Mais do que ouvir exemplos de pessoas bem-sucedidas em seus empreendimentos, os participantes teriam de ouvir uns aos outros, seus companheiros de mesa, com os quais compartilhavam interesses comuns. Todos seriam Marco Polo e Kublai Khan ao mesmo tempo.

Os quatro empreendedores convidados ajudaram os participantes a colocar a mão na massa, quando os trabalhos tiveram início. Alfredo Abreu, Miguel Antunes, Sandro Resende e Adriana Mano sentaram-se à mesa com vários grupos para compartilhar ainda mais sobre suas trajetórias e ouvir as ideias que estavam a ser geradas e discutidas. 

Quem foi

As inscrições para participar da Geração Coimbra podiam ser individuais ou por equipa. Margarida Martins, Ana Catarina Ribeiro e Cláudia Pires, da direcção da associação Soltar os Sentidos (ASOS), trocaram ideias sobre seu projeto, o Co-Art Working, com o fundador do Manicómio. No final do evento, elas revelaram que ganharam uma perspetiva totalmente nova, o que descortinou possibilidades que ainda não lhes tinha ocorrido.

O pé direito altíssimo do antigo prédio que abrigou por quase um século a Coimbra Editora absorveu toda a energia pulsante que emanava da diversidade entre os 120 participantes. Sentia-se claramente os efeitos da rica confluência de idades, backgrounds profissionais, formação, entusiasmos em várias escalas. Havia de tudo na atmosfera reinante na tarde de sábado. Menos indiferença. 

A pessoa mais jovem a participar tem apenas 16 anos. Catarina Fernandes foi uma das primeiras a fazer o credenciamento. Sozinha. Chegou tímida e tomou seu lugar à mesa 2, relacionada a temas relacionados à sustentabilidade. Ela tinha um projeto que queria dividir com quem tivesse interesse. A aluna do 11º ano que chegou tímida transformou-se na apresentadora do pitch da sua proposta. Catarina não apostou na sua ideia. Ela investiu. E teve o retorno merecido. O enorme sorriso dela ao final do evento falava mais do que palavras.

Na outra ponta da escala da diversidade estava Hélder Rodrigues, de 79 anos. Engenheiro químico industrial, reformou-se e tornou-se escritor. Em maio lança seu terceiro livro. Todos sobre Coimbra – o que deixa claro seu amor pela cidade, porque «é isso que Coimbra precisa: motivação para todos serem fazedores da cidade e fazer brotar o sentimento de pertença. Coimbra teve um passado brilhante, é linda, foi a primeira capital, mas hoje está toda desmazelada. Precisamos mudar a mentalidade das pessoas para garantir um futuro promissor».    

Esta busca por uma Coimbra com vigor e vitalidade foi o que moveu António Ferrão, de 30 anos. «Moro em Lisboa, mas nasci cá. Coimbra ficou parada no tempo e precisava de uma iniciativa como essa».  «Não tinha como não participar», disse Filipe Alves, engenheiro de informática, de 27 anos. Ele escolheu dedicar sua tarde ao encontro e descoberta de pessoas e formas de ajudar, além de ouvir novas ideias, especialmente aquelas relacionadas ao associativismo.    

Uma longa ovação coroou o final da Geração Coolectiva. Depois de uma tarde inteira a delinear problemas, para em seguida debater, discutir, criar, definir estratégias para solucioná-los, os participantes levantaram-se para aplaudir especialmente os profissionais que trabalharam off stage, incluindo as equipas de manutenção. As palmas foram também para eles próprios porque investiram todas as horas de sua tarde de sábado em uma iniciativa que nos chama, a todos nós, a sermos parte da solução. E foram porque acreditam em sua capacidade de serem geradores de impacto no local onde moram. 

Naquela tarde-noite, viu-se uma Coimbra construída por afetos e cuidados, que deixaram de ser invisíveis. A Geração continua com o Programa de Capacitação até 22 de Fevereiro.

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