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Lindo Serviço | 3

Rubrica satírica e gastronómica quinzenal assinada por O Tatonas.

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Fotografia: Mário Canelas

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Olá, meus pantagruélicos coimbrinhas.

Hoje vamos a um sítio improvável. À inóspita margem sul. Sim, verdade, o vosso talentoso escriba deixa o conforto do lar para se instalar em Santa Clara, ou será Mesura, ou Ribeira da Póvoa? São Martinho? Imperscrutáveis estes caminhos… Enfim!

Chegamos pela Rua Carminé de Miranda, nas traseiras do Hospital dos Covões. Duas janelinhas ladeiam a porta. Entramos, salinha curta, duas três mesas, com balcão que se estende pelo lado direito.

Descemos umas escadas, uma sala mais aprazível e aconchegante. Pedra e madeira. A fazer lembrar o recentemente inaugurado arruamento na Miguel Torga, vulgo Cidral. Com a diferença que aqueles demoraram apenas uns mesinhos para recuperar o espaço ao invés dos dois anos e meio para as escadinhas que ligam aquela artéria ao D. Maria.

Prosseguindo, de entrada uma belíssima e policromática tábua de enchidos e queijos. Azeite, doce, mel, frutos secos, fruta, azeitonas, em suma uma colorida abundância que nos faz arregalar os olhos e confortar o estômago. Pedimos ainda Secretos de Porco Preto e Chimichurry. Eu sei, que raio é Porco Preto?!

Chimichurry é uma mistura de salsa, azeite, alho e orégãos que serve de tempero à carne. E o que eu vos posso dizer é que a carne estava absolutamente deliciosa. E, por mim, até poderia vir sem tempero tal a sua qualidade, que é o que parece faltar à gerência do Mandarim.

Entretanto, vamos à pièce de résistance: o Cuscuz Transmontano que serve de acompanhamento, juntamento com os espargos, ao belo Naco da Vazia.

De momento foquemo-nos no tal cuscuz, não é coincidente que o nome remeta para o couscous magrebino (acredita-se que seja um legado destes naquela região além-Marão), mas a consistência, apresentação e sabor são assim um pouco como o enigmático frigorífico branco abandonado na Praça Velha e tornado famoso por Ricardo Araújo Pereira, não tem nada a ver.

Este acompanhamento – e se o pedirem, peçam-no com a mistura de cogumelos e ovo – é, à falta de melhor comparação, semelhante à consistência dos gnocchi, absorvendo todo o sabor dos ingredientes que o acompanham. Magistral! Fomos ali somente para o Cuscuz Transmontano.

Lamento, mas a vazia, pelo menos para nós, foi de somenos importância, assim um pouco como os achados arqueológicos que fizeram parar as obras do autocarro-com-via-própria. Sabemos que ali estão, não as ignoraremos, mas sabemos que há prioridades. Finalmente, a sobremesa, a Pannacotta. Eu sei, eu sei, a vulgaríssima Pannacotta. Mas se os bolos-rei e rainha podem ter prémios de melhor de Portugal, também a Pannacotta merece a sua oportunidade.

E esta não é uma Pannacotta qualquer, coco e caramelo salgado fazem da nossa boca a sua cama e numa lasciva dança, entrelaçam sabores de puro deleite, que nos põem em êxtase. É esta a beleza da Pannacotta da Tasca Conceito. Eu sei, o nome não é memorável, mas a experiência é. E com preços São Martinho e não Quinta da Romeira. Ao contrário da Estação Nova, esperemos que estes senhores tão cedo não deixem de operar.

Pantagruélicas saudações, meus coimbrinhas.

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