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Lindo Serviço | 4

Nova rubrica satírica e gastronómica quinzenal assinada por O Tatonas.

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Fotografia: Mário Canelas

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Olá, meus pantagruélicos coimbrinhas.

Entramos com a reverência que o local merece, com a presença da antiga muralha de Coimbra, perfeitamente preservada, e um vislumbre subterrâneo concedido por uma vitrine de vidro que serve de chão.

Chegamos ao Tapas nas Costas, um recanto calmo e aprazível, longe do desordeiro e ruidoso trânsito que ultimamente assola a cidade e sem resolução imediata à vista. Comei e calai, meus coimbrinhas.

Mas se é para comer que seja aqui. Na minha desinteressante e desinteressada opinião este é o melhor restaurante de tapas da cidade.

Começamos lentamente, como pede o espaço, com a costumeira cestinha do pão, a azeitona e para dar um pouco de salero, de que esta pólis tanto urge, guacamole com nachos. Sempre cremoso e reconfortante para primeiro passo.

Sendo um restaurante de tapas, de partilha, assume-se uma variedade pratos ao longo de uma refeição. No entanto, o Tapas nas Costas tem duas inegáveis características, a reduzida carta que lhe permite a qualidade irrepreensível em cada prato que oferece. E, para mim, há um que é rei e imbatível no perímetro urbano.

Por falar em perímetro urbano, não esquecer de ir a Ceira, onde se realizará o Space Kids – Viagem à Lua, de passagem obrigatória para a criançada. Ceira já é um planeta à parte, tornando esta festa temática num imenso pleonasmo.

Mas enfim, regressando à terra: os ovos rotos! O nível a que estes senhores elevaram os ovos rotos, torna praticamente inatingível o sublime paladar que estes exalam a cada garfada. É um aveludado emprestado pela frágil gema de ovo vertida sobre as batatas que se divertem com tiras de presunto e laminados cogumelos, todos orgiasticamente besuntados por um molho que parece nascido de uma escaldante noite de amor entre um Barbecue e um Shitake.

De seguida pedimos as Costeletinhas de Borrego com Mel e Amêndoa. Sim, eu sei, faz lembrar o executivo camarário, uma amálgama que parece funcionar. Pequenas e subtis costeletas, como o próprio nome indica, brilhantes e douradas que se desfazem lentamente permitindo à suculenta gordura satisfazer o mais exigente comensal.

Na cidade do Portugal dos Pequenitos a refeição não se completaria sem os três Mini-Hambúrgueres, cada qual barrado com o seu molho. A sua pequenez em nada faz adivinhar a robustez dos seus carnudos e sumarentos discos, altos e abraçados por vegetais e queijo, macarrons salgados.

Para finalizar, não façam como a Adriana Calcanhotto que inicia uma digressão mundial em Coimbra, passando por Estarreja, Ponta Delgada e Faro. Uma digressão mundial da Wish, portanto. À medida de Coimbra.

Aqui não comerão gato por lebre e, apesar de ainda não o ter apreciado, o Sticky Toffee Pudding tem tudo para ser motivo de feliz e precoce ulceração dental. Se tiverem tempo dêem uma mirada na gulosa fotografia deste bunker de sacarídeos.

Há, no entanto, algo que necessita ser falado com premente urgência. No Tapas nas Costas a ementa vai alterando, o que por si é um excelente sinal de dinâmica, entrega, modernidade, iniciativa, planeamento e empenho, um pouco como o Mercado de Natal deste ano que abandonará finalmente a vista-asfalto e arrenda quarto com vista privilegiada para o centro histórico, em plena Praça do Comércio.

No entanto, no melhor pano cai a nódoa e, apesar de toda aquela abnegação na procura da melhor carta sazonal, do melhor serviço, dos melhores ingredientes e oferta, este estabelecimento teve a ousadia, a impertinência, a insolência em abandonar, desprezar e
humilhar ao ostracismo a mais genial sobremesa que esta cidade já viu: os Cannoli!

O Tapas nas Costas virou costas, qual cidade ao iParque, à perfeita e excelsa sobremesa que povoa o nosso imaginário desde O Padrinho – Leave the gun. Take the cannoli. Na sua singela simplicidade dum canudinho de massa recheado de Ricotta ou Mascarpone envolvidos em cremosas natas, esta sobremesa fazia da sua ingenuidade e candura o indelével caráter de uma casa.

Regressem os cannoli, já!…e regressem sempre ao Tapas nas Costas.

Pantagruélicas saudações, meus coimbrinhas.

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