Somos ambas freelancers, trabalhamos remotamente para empresas americanas. Após quase um ano de vida aqui, podemos dizer com segurança que as únicas coisas de que temos saudades da Sérvia são a família e os amigos.

Uma das principais razões pelas quais decidimos fazer as nossas malas é o facto de as pessoas LGBT na Sérvia não serem legalmente reconhecidas. Não podem de forma alguma registar a sua parceria, muito menos casar ou adoptar crianças. A maioria das pessoas tem de esconder a sua sexualidade ou identidade mesmo do círculo mais próximo de amigos e familiares por causa do medo de julgamento e abandono. Nós não sofremos qualquer violência, mas conhecemos algumas pessoas que sofreram. Não obstante, fomos de alguma forma discriminadas, mas temos a bênção de ter família e amigos que nos deram apoio e amor.

A razão pela qual escolhemos Portugal é que parecia poder oferecer-nos tudo aquilo de que estávamos privadas na Sérvia e muito mais. E tínhamos razão, Portugal fez-nos sentir bem?vindas e aceites de todas as formas possíveis. Pela primeira vez em muito tempo, sentimo-nos… normais, o que ainda nos é difícil de processar. Ainda não nos sentimos à vontade para dar as mãos ou de mostrar de alguma forma que somos um casal em público, não obstante parecer, tanto quanto pudemos perceber, que as pessoas nem pestanejam com tais coisas. A única coisa com que ainda não tivemos sorte, até agora, foi a comunidade LGBT em Coimbra. Não sabemos se não há nenhuma — talvez não haja necessidade de ter lugares especificamente rotulados LGBT, uma vez que, geralmente, todos os lugares são inclusivos. Mas é possível que simplesmente nós não tenhamos procurado o suficiente.

Queremos partilhar uma história engraçada sobre como decidimos mudar-nos para Coimbra. Quando nos preparávamos para solicitar o visto, tivemos uma reunião online com um contabilista português para discutir impostos em Portugal. Ele perguntou-nos para onde planeávamos mudar-nos e dissemos que ainda não tínhamos decidido. Não estávamos muito preocupadas para onde iríamos mudar em Portugal, porque gostávamos de todas as cidades ou vilas sobre as quais tínhamos lido. Durante essa reunião, o contabilista, que nasceu e cresceu em Coimbra, começou a vender-nos Coimbra como a melhor cidade do mundo. «Coimbra tem tudo: escolas, universidade, rio, muitos parques, autocarros, comboios, a montanha está muito perto, e é possível chegar ao mar em menos de uma hora. E ainda por cima, é muito mais barata do que Lisboa e Porto»! Foi uma conversa engraçada, até brincamos com ele dizendo que deve receber um bónus por cada pessoa que se muda para cá. A verdade é que nos fez considerar Coimbra como a nossa nova casa. Fizemos a nossa pesquisa e percebemos que o nosso contabilista estava certo: Coimbra era realmente tudo o que podíamos precisar. Pouco tempo depois, tomámos a decisão: vamos viver em Coimbra. E nunca nos arrependemos!

Amamos a nossa vida em Coimbra. Há tantas coisas belas para ver, Baixa, a Universidade, Jardim Botânico, Quinta das Lágrimas, rio Mondego, pontes, paisagens urbanas absolutamente deslumbrantes. As pessoas são realmente simpáticas, sempre prontas a ajudar. Desde que aqui chegámos, o ano passado, não temos tido situações desagradáveis. Coimbra faz-nos sentir seguras e bem-vindas. A nossa rotina resume-se a trabalhar, ir ao ginásio, socializar, sobretudo com algumas pessoas que se mudaram para cá, como nós. Não é porque não queiramos conhecer pessoas locais, acreditamos que basicamente não temos tido muitas oportunidades. O nosso nível de português também não está a ajudar, uma vez que ainda não falamos muito. Mas estamos a aprender todos os dias e vamos chegar lá. Os locais que tivemos a oportunidade de conhecer e com quem experimentámos o nosso português foram muito acolhedores, e isso aquece verdadeiramente os nossos corações.

Não há nada que queremos mudar nesta cidade, a única coisa que gostaríamos de poder ver é o parque entre o Parque Verde e a ponte de Santa Clara, porque está fechado desde que chegámos. E como também gostamos de andar de bicicleta, domar as zonas mais íngremes pode ser um desafio, mas pelo menos faz-nos estar em melhor forma!

A nossa experiência sobre viver em Portugal, e especificamente em Coimbra, até agora tem sido nada menos do que maravilhosa!

* Texto originalmente escrito em língua inglesa, traduzido por Ana Sousa Amorim.

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