Atracado no cais fluvial do Parque Mondeguinho, o barco «Padre Himalaya» marca o início da MondEco, que pretende revolucionar o turismo no Mondego. Na segunda semana de setembro, Helder Oliveira e João Pedro Marques inauguraram o projeto, fruto de dois anos de trabalho e observação sobre como o rio permanece subaproveitado em termos turísticos. Isso levou-os à criação de um barco solar, silencioso, ecológico e integralmente português. Reconhecem que o cuidado ambiental acarreta custos e apelam ao carinho dos conimbricenses para este projeto, «pioneiro na mobilidade sustentável em Portugal».

Helder Oliveira e João Pedro Marques

Um negócio ecológico, sustentável e pedagógico

A MondEco quer melhorar o rio, aliando sustentabilidade à viabilidade financeira. Desenvolvem ações de limpeza e têm como meta recolher 50 quilos de resíduos por ano — mas preferiam que não fosse necessário, «que as pessoas evitassem este tipo de comportamento». Com mais de 30 anos de experiência enquanto professores, adicionam uma vertente didática aos passeios e já preparam iniciativas com o Exploratório – Centro Ciência Viva da UC, para sensibilizar novos públicos. Helder e João Pedro realçam: «Nunca avançaríamos com o negócio caso ele tivesse um impacto negativo no Mondego».

Defendem que educar para a ecologia é crucial: «É preciso transmitir às gerações mais novas a importância de separar resíduos, não poluir, viver em contacto com o ambiente». E sublinham: «A ecologia não pode ficar refém de partidos, de ideologias, muito menos de modas: tem de ser um modo de vida, com ações concretas».

Desafios que continuam a enfrentar

O processo até à inauguração foi longo, com «vários nós para desatar» e burocracia que atrasou a abertura ao público. João Pedro acredita que a Câmara Municipal de Coimbra precisa modernizar-se: «Os tempos demorados de aprovação de projetos podem fazer com que as pessoas desistam das suas ideias». Apesar disso, mantêm esperança na nova equipa camarária.

Os fundadores construíram o próprio cais e defendem a necessidade de melhores estruturas públicas, acesso a energia elétrica nas margens e casas de banho públicas na margem esquerda — lacunas para as quais esperam solução. «Não podemos ficar dependentes do que existe na margem direita, é um esquecimento incompreensível», afirmam.

Um futuro promissor

Mesmo estreando atividade já no fim do verão, estão satisfeitos com a adesão do público e confiantes para o próximo ano. O barco «Padre Himalaya» oferece, atualmente, três experiências temáticas — Passeio das 3 Pontes, Passeio Pôr-do-Sol e Passeio das Estrelas — e permanece operacional na época baixa, com proteção em dias chuvosos. Para 2026, querem abrir um cais secundário perto do Hotel Astória, mas sem abdicar do cais original — porque «a margem esquerda do Mondego não pode ser esquecida».

A embarcação, construída pela Sun Concept, navega a cinco nós, sem emissões de CO?, sem hidrocarbonetos e quase sem impacto no ecossistema. «Queremos mostrar como se pode tornar o turismo mais sustentável e desafiar outros a fazer o mesmo».

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Nasci em Belém, vivo em Coimbra e me reinvento constantemente entre projetos. Comecei na RUC – Rádio Universidade de Coimbra, vivi o ritmo acelerado da Rádio CBN na Amazónia e me apaixonei pela ponte entre Ciência, Comunicação e Sociedade durante a especialização em divulgação científica na Fiocruz. Agora, enquanto doutoranda em Ciências da Comunicação, continuo jornalista porque gosto de contar as histórias das pessoas. Para mim, histórias sonoras são as melhores, o que me levou a criar o podcast investigativo narrativo O Caso Boaventura. Escrevo guiões e faço pesquisas para cinema documental. Aprendo as regras do rugby com o meu filho e continuo convencida de que o melhor perfume do mundo vem do patchouli. Sigo fiel aos jornais de papel, às séries true crime para espairecer e à frase de Cláudio Abramo que melhor define o ofício: «O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter.»

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