A demissão de Eduardo Barata e Teresa Jorge do Conselho de Administração da Metro Mondego, a poucos meses do fim do mandato, continua a marcar a atualidade em Coimbra. A decisão foi enquadrada no Estatuto do Gestor Público, que permite exonerações por conveniência e sem necessidade de fundamentação formal.
A Coimbra Coolectiva ouviu ambos os vogais demitidos, que partilharam as suas perspetivas sobre a decisão e o momento atual do projeto. Eduardo Barata confirmou que “não houve qualquer justificação” formal, tendo recebido a comunicação de forma indireta, e admite a possibilidade de motivações políticas por detrás da exoneração. Teresa Jorge, por sua vez, afirmou que também não recebeu qualquer justificação e foi surpreendida pela decisão, sobretudo numa fase tão crítica, perto da entrada do sistema em operação.
Relativamente à operação preliminar do Metrobus entre Portagem e Vale das Flores, a fase experimental desta semana prossegue com viagens regulares para testar infraestruturas, veículos, sistemas técnicos e o serviço em si. Teresa Jorge considerou unânime a decisão de avançar com esta fase de testes em ambiente real, sublinhando a importância de ajustar pormenores e ultrapassar problemas típicos de sistemas novos. Eduardo Barata ressalvou que esta etapa ainda não corresponde ao que foi inicialmente prometido e que faltam implementar vários aspetos técnicos e de segurança.





Durante o fim de semana, dias 6 e 7 de setembro, a Metro Mondego vai realizar uma ação de demonstração do Sistema de Mobilidade do Mondego entre as estações de Lousã – Parque de Exposições e de Serpins. A operação decorrerá das 9h30 às 18h, com o Metrobus a partir de meia em meia hora destas estações, parando nas três estações intermédias do percurso: Lousã-Estação, Casal do Espírito Santo e Casal de Santo António.
O prolongamento até Serpins ainda não é viável nesta fase devido à complexidade da certificação exigida para o troço suburbano de via única, conforme explicações de ambos os administradores.
Importa também mencionar que esta semana ocorreu um acidente envolvendo um automóvel na zona da Portagem. Embora sem consequências graves para os passageiros do Metrobus, o episódio reforça a importância da cautela durante esta fase de testes.
No balanço do seu percurso, Eduardo Barata destacou como maior orgulho “as pessoas deste projeto”, elogiando o empenho das equipas e manifestando algum pesar por não estar presente no início da operação do troço suburbano, vital para comunidades como Miranda do Corvo e Lousã. Teresa Jorge realçou, por sua vez, o seu contributo para a articulação entre as entidades envolvidas e para afirmar o Metrobus como um elemento central da mobilidade regional, lamentando a dificuldade em comunicar de forma clara as características e a complexidade do projeto à população.
Para conhecer a opinião completa e detalhada dos dois vogais demitidos, leia as entrevistas na íntegra: Eduardo Barata e Teresa Jorge.
Para uma análise mais completa, solicitámos ainda as opiniões do presidente do Metro Mondego, João Marrana, dos presidentes das Câmaras Municipais de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã, do Instituto da Mobilidade e dos Transportes e do Ministério das Infraestruturas e Habitação de Portugal.

