No passado dia 19 de novembro, Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, Irina Moreira, fundadora da PURR.AI, e Teresa Mendes, ex-presidente do Instituto Pedro Nunes (IPN), foram distinguidas no âmbito da primeira edição do Prémio Empreendedorismo Feminino 2024. Segundo a nota de imprensa da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), esta iniciativa foi criada para “reconhecer e homenagear personalidades de destaque e estimular iniciativas inovadoras concebidas, desenvolvidas e implementadas por empreendedoras no concelho”.

Irina Moreira recebeu o Prémio Projeto, no valor de três mil euros, graças à plataforma Ageless, que combate doenças neurológicas associadas ao envelhecimento utilizando inteligência artificial, desenvolvida pela startup PURR.AI. Por sua vez, Teresa Mendes recebeu o Prémio Carreira, no valor de dois mil euros, devido “ao seu percurso profissional, ao seu contributo para o empreendedorismo e para inovação no concelho, bem como para a sua projeção nacional e internacional”, segundo a nota de imprensa da CMC.

A necessidade de o reconhecimento estar aliado a medidas concretas

Para a fundadora da PURR.AI, o Prémio Empreendedorismo Feminino 2024 é “uma iniciativa notável e extremamente necessária” que “reforça a importância de uma sociedade mais inclusiva e incentiva outras mulheres a seguirem caminhos empreendedores”.

A seu ver, reconhecer as contribuições das mulheres no universo do empreendedorismo “ajuda a quebrar barreiras e a dar visibilidade aos seus projetos, muitas vezes subestimados”. Porém, considera que este reconhecimento deve ser “acompanhado de ações concretas, como programas de mentoria, formação e acesso a redes de investimento, para que o impacto seja ainda mais duradouro e transformador”.

Neste sentido, caso tivesse a oportunidade de dinamizar o ecossistema de empreendedorismo de Coimbra, Irina criaria um fundo para apoiar startups lideradas por mulheres, promoveria parcerias entre universidades, centros de investigação, empresas e o Município e implementaria programas de mentoria com líderes empresariais. Além disso, a vencedora do prémio identifica ainda a necessidade de organização de eventos de ‘networking’ e formação focados em liderança e ‘softskills’, bem como políticas que promovam a flexibilidade para equilibrar a vida pessoal e profissional como prioridades.

Da esquerda para a direita: José Manuel Silva, Irina Moreira, Miguel Fonseca e Ana Bastos

Que desafios enfrentam as mulheres no mundo do empreendedorismo?

Irina Moreira sente que o prémio é um marco importante para a sua carreira, mas também para a PURR.AI e toda a equipa. Nas suas palavras, “é uma validação dos desafios superados, das inovações desenvolvidas e da dedicação em criar soluções que não só resolvem problemas científicos, mas também têm impacto positivo na sociedade”. Serve ainda como motivação para continuar a inovar e a reforçar a cidade como um centro de excelência em saúde e tecnologia.

A fundadora da PURR.AI menciona “as expectativas culturais e responsabilidades desproporcionais, como os cuidados familiares” como exemplos de barreiras que as mulheres enfrentam na construção dos seus percursos empreendedores.

“Mulheres empreendedoras enfrentam desafios como menor acesso a financiamento, redes de contacto limitadas e preconceitos inconscientes que ainda persistem em muitos setores, especialmente nas áreas de tecnologia e STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática)”. (Irina Moreira)

Quando questionada sobre que conselhos daria a mulheres no início das suas carreiras empreendedoras, Irina Moreira garante que devem acreditar nas suas ideias e não deixar que dúvidas ou preconceitos as façam recuar. “A resiliência é fundamental. O caminho do empreendedorismo é repleto de desafios, mas cada obstáculo representa uma oportunidade para aprender e crescer”, acrescenta.

Ademais, defende que “é essencial construir redes de apoio, participar em eventos e procurar mentores que possam orientar e abrir portas”. Nesse sentido, recomenda fazer uso dos programas e incentivos disponíveis na cidade.

“Valorizem sempre a colaboração. Construir uma equipa diversa e competente faz toda a diferença para transformar uma ideia num projeto bem-sucedido e de impacto”. (Irina Moreira)

Da esquerda para a direita: José Manuel Silva, Ana Bastos, Teresa Mendes e Miguel Fonseca
Share.

A curiosidade por explorar o vasto mundo que habitamos aliada à vontade de escrutinar as instituições de poder que o governam como bem entendem levaram-me a estudar Jornalismo e Comunicação na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Tive o gosto e o privilégio de ter o Jornal Universitário de Coimbra – A CABRA como segunda casa durante três dos cinco anos do meu percurso académico. Aprendi e cresci muito com os camaradas de excelência que lá conheci. Ao longo do caminho também tive a oportunidade de estagiar na Coimbra Coolectiva e conhecer ainda melhor o jornalismo de soluções e proximidade que aqui é produzido. Um ano depois, estou de volta e pronta para produzir jornalismo capaz de contribuir para um mundo melhor, uma história de cada vez.

Comenta esta história