O Lufapo Hub, instalado nas antigas instalações da fábrica de cerâmica do Loreto, em Coimbra, inaugurou esta semana um conjunto de novos espaços que reforçam a sua vocação como polo de inovação, criatividade e transferência de conhecimento. Sob o mote Entre Memória e Inovação, o evento assinalou uma nova etapa para o projeto gerido pelo CTCV – Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro, que liga a herança industrial da cidade à investigação e às indústrias criativas.

A sessão contou com a presença de Ana Abrunhosa, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, bem como de Jorge Marques dos Santos, presidente do CTCV, do historiador José Amado Mendes, da Universidade de Coimbra, e de Ana Carvalho, Community Manager do Lufapo Hub. Entre o público estiveram parceiros institucionais, profissionais do setor, criadores e antigos trabalhadores da fábrica.

«Mais do que uma obra física, é um símbolo»

Na abertura, Jorge Marques dos Santos destacou o caráter simbólico da reabilitação do edifício industrial, ocupado pelo CTCV durante décadas antes da transferência para Antanhol. «Esta transformação é mais do que uma obra física: é um símbolo da capacidade de Coimbra se reinventar e de cruzar a tradição com as novas dinâmicas da economia do conhecimento», afirmou.

O engenheiro sublinhou que o Lufapo Hub «é um espaço de colaboração entre arte, design e tecnologia», preparado para impulsionar projetos ligados à sustentabilidade e à modernização do setor cerâmico.

Uma história que se reativa

Seguiu-se a intervenção de José Amado Mendes, que traçou a história da antiga Cerâmica de Coimbra Limitada — empresa fundada em 1919 e mais tarde conhecida como Lufapo, acrónimo de Lusitana de Faianças e Porcelanas — uma das mais importantes do país no século XX. «A Lufapo representou a capacidade de Coimbra unir tradição artesanal e espírito industrial», recordou o professor, revelando que prepara um livro dedicado à antiga fábrica, a publicar em 2026 no âmbito das comemorações dos 40 anos do CTCV.

Novos espaços, novos usos

A community manager Ana Carvalho apresentou os novos espaços, que incluem a Codesign Factory, dedicada à prototipagem e à cocriação, e o Robotic Lab, especializado em automação e capacitação tecnológica. «O edifício acolhe atualmente cerca de 45 projetos e mais de 200 profissionais», referiu.

A visita guiada permitiu ainda conhecer a exposição «Cerâmica Lufapo – A indústria esquecida de Coimbra», que reúne peças do espólio histórico guardado pela Universidade de Coimbra durante meio século, e as instalações artísticas de Regina Frank, Claudia Cid Alvarez e Leonel Moura, que exploram as fronteiras entre arte e tecnologia.

Hoje, o Lufapo Hub assume um papel crescente na política de inovação e cultura do concelho, funcionando como interface entre ciência, arte e indústria. Integrado na estratégia municipal de regeneração urbana e desenvolvimento criativo, o espaço posiciona-se como laboratório vivo para novas sinergias entre tecnologia e património — e como exemplo de como Coimbra consegue transformar a sua memória produtiva em motor de futuro.

Share.

Nasci em Belém, vivo em Coimbra e me reinvento constantemente entre projetos. Comecei na RUC – Rádio Universidade de Coimbra, vivi o ritmo acelerado da Rádio CBN na Amazónia e me apaixonei pela ponte entre Ciência, Comunicação e Sociedade durante a especialização em divulgação científica na Fiocruz. Agora, enquanto doutoranda em Ciências da Comunicação, continuo jornalista porque gosto de contar as histórias das pessoas. Para mim, histórias sonoras são as melhores, o que me levou a criar o podcast investigativo narrativo O Caso Boaventura. Escrevo guiões e faço pesquisas para cinema documental. Aprendo as regras do rugby com o meu filho e continuo convencida de que o melhor perfume do mundo vem do patchouli. Sigo fiel aos jornais de papel, às séries true crime para espairecer e à frase de Cláudio Abramo que melhor define o ofício: «O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter.»

Comenta esta história