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Ajam

Reciclem

Protejam

O nosso rio Mondego

Pratiquem

Plogging

Evitem

Garrafas de água descartáveis

Sigam

Não Lixes

O movimento Não Lixes ainda tem de proteger o Mondego dos estudantes

Há uma década retiravam carros de compras do rio e começavam a impedir que fossem atirados numa espécie de ritual tolerado pelas autoridades oficiais com resultados desastrosos para o ambiente.

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Fotografia: Não Lixes

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Recuamos até 2013 para compreender o momento no qual a palavra activismo ganha contornos definitivos na vida de Fernando Jorge Paiva, ao encontrar os despojos inconvenientes das celebrações académicas: os carros de compras despejados no rio Mondego. 

Foram retirados 64 carros no leito do rio e 150 da margem. A limpeza demorou três dias, num esforço de Fernando e alguns amigos. É, porém, no ano seguinte que o fundador do Movimento Cívico Não Lixes compreende a real dimensão do flagelo, ao tentar prevenir a chegada dos carros à água, em vez de realizar nova limpeza. «Conseguimos, em 2014, com um parque junto ao Rio Mondego, evitar com que 1111 carros de compras fossem parar ao leito do rio». A história tem-se repetido todos os anos.

«Como é que estudantes universitários se dão ao luxo de fazer isto numa cidade onde o rio é pouco poluído e se pode praticar desportos náuticos? Uma benção. Não conheço nenhuma cidade em Portugal, com mais de 100 mil habitantes em que se possa mergulhar no rio com a facilidade que se faz em Coimbra e se tomam atitudes destas pouco saudáveis, que me envergonham como cidadão.» 

Fernando Paiva, que é sobrinho do biólogo e também activista Jorge Paiva, actualmente já não reside em Coimbra mas diz que «quando vivia ficava estupefacto com a passividade das autoridades, da polícia, da Universidade de Coimbra (UC) – que também não quer intervir -, da Associação Académica [da Universidade de Coimbra] que diz que não é possível reverter uma situação que foi criada há pouco tempo». «Isto não é nenhuma tradição, é uma moda criada por alguém», chuta. 

O desabafo de Fernando Paiva vai mais longe e reflecte sobre estas formas de festejar que se multiplicam e manifestam, nos últimos anos, noutras festividades académicas pelo país. «Algo que me deixa ainda mais triste é como é que as universidades do meu país copiam o  modus operandi de Coimbra na parte pior. Andei a estudar na universidade do Porto e ninguém atirava lixo, não havia nenhum comboio de empresas de limpeza a limpar o desfile nos anos 90; depois andei a estudar em Aveiro, no Enterro do Ano (festa académica) não havia ninguém da Câmara a limpar no final da passagem dos vários carros alegóricos». 

O activista climático faz a ressalva, de que «há estudantes que não se identificam com isto», mas deixa a comparação que «é um pouco como ir a uma praia e a encontrar suja». O mau exemplo é que fica à vista.

A dificuldade sentida por Fernando e restantes voluntários que dão corpo ao cordão humano no Largo da Portagem para travar a passagem dos carros de compras é pontuada com episódios caricatos como o encontro com alguns estudantes, agora recém integrados no ensino superior, que presenciaram algumas das conversas e palestras para as quais o movimento é regularmente convidado a participar nas escolas da região. A tomada de consciência da problemática da poluição e do arremesso de carros de compras no Mondego não altera a sua prática nas lógicas de grupo inerentes à chegada ao ensino superior. 

No período pós-pandémico, contam-se também situações de agressividade por parte de alguns estudantes quando aconselhados a deixarem os carros com os voluntários do Não Lixes. À ideia generalizada de conivência e permissividade por parte das cadeias de supermercados na utilização dos carros, Fernando conta à Coimbra Coolectiva que tomou conhecimento de vários relatos e situações de furto e, mais grave, roubo dos mesmos por parte de seguranças e equipas responsáveis de várias cadeias de supermercados.   

Todos os anos toneladas de lixo são produzidas nas festividades académicas. «As pessoas têm de ter noção de que a Queima das Fitas, que é a maior em termos de quantidade de [produção de] lixo, chega a ter 32 toneladas se houver chuva», alerta Fernando Paiva, que sublinha uma preocupação que, para além da prioridade ambiental, impacta de forma directa as nossas carteiras, pois «pagamos na nossa factura da água o lixo indiferenciado ao peso».

A solução para o problema parece simples, mas «falta coragem de quem as deixou implementar para as reverter», explica Fernando, como «fazer um desfile e não poder atirar lixo para o chão e não poder levar carros de compras».

Em 2022, apesar da redução no número de latas permitidas por carro alegórico (apenas mil unidades por carro) no desfile da Queima das Fitas foram recolhidas 12 toneladas de resíduos; na Latada, cinco toneladas e meia. O activista aponta a incongruência por parte da própria UC que se apresenta publicamente como a instituição de ensino superior mais sustentável do país. Sê-la-á «se não se tiver em conta as festividades académicas», acrescenta Fernando Paiva.

A UC ocupa, actualmente, o 26º lugar no ranking Times Higher Education Impact Rankings, que compara o desempenho de universidades pelo mundo em diferentes variáveis em linha com as metas de desenvolvimento sustentável de cidades e comunidades das Nações Unidas.

O mote é sempre o mesmo: Não Lixes

Na actividade do Movimento Cívico Ambientalista Não Lixes contam-se inúmeras acções de limpeza, muitas delas em praias, ou não fosse Fernando um apaixonado pela água e pelo mar, até explícito pela ocupação profissional como instrutor de surf na Praia da Barra, em Aveiro. Em 2016, ficou impressionado com a quantidade de lixo que encontrou no caminho de peregrinação entre Coimbra e Fátima. No ano seguinte surge a campanha Não Lixes a Tua Caminhada, com a instalação de diversos contentores e mensagens de sensibilização para que as milhares de pessoas que fazem a caminho no 13 de Maio não atirem lixo para chão.

A utilização de plásticos descartáveis é um problema que se multiplica se aliado à «preguicite aguda», como explica Fernando: «quando vou para a montanha também não tenho lá contentores, não vou deixar lá o lixo porque não há caixote do lixo quando acabei de comer». Deveria ser um conceito simples de compreender. A ideia é sempre reduzir o lixo e não o deixar «à sua sorte», a poluir ou contaminar paisagens e ecossistemas. 

«Foi com a Latada que eu comecei a ser activista e não parei, nunca imaginei que continuasse a ser agora, mas é como um chamamento, não vou parar mais», desabafa o mentor do movimento, que, segundo o próprio, contrasta com a postura generalizada na nossa sociedade para a qual a «questão da Emergência Climática é algo que está a acontecer à Natureza, mas não nos toca.»

 «As pessoas acham que só têm direitos, quando se pede para terem obrigações as pessoas dizem que pagam impostos, é o que ouço quando falo com várias pessoas: “eu já pago os meus impostos, quero lá saber, eles que limpem, eles que façam”. A melhor arma para lidar com isto tudo chama-se multa». Fernando é peremptório nesta solução. Só assim seria possível penalizar e moldar o comportamento de quem polui ou negligencia a correcta orientação a dar aos resíduos produzidos. A natureza consegue assimilar parte da poluição que nós fazemos, não podemos é ser tantos a viver da mesma forma e sem o contributo de todos.

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