«Quero alargar este espaço, abrir portas a outros artesãos e a mais pessoas — quero levar este conceito mais longe.» Foi assim que Carla Rézio terminou o seu pitch: em três minutos, explicou o projeto Leve Coimbra Consigo e lançou ao público o pedido de apoio e de conexão. Como Carla, outros 22 participantes do Fator C’Idade tiveram três minutos cada para apresentar as suas ideias, percorrendo, todos juntos, o caminho entre a palavra e a solução, no Instituto Pedro Nunes.

O II Demo Day do Fator C’Idade, que aconteceu na sexta-feira, dia 17 de abril, no Auditório do Edifício D do Instituto Pedro Nunes, foi o momento de demonstração de cinco semanas de capacitação intensiva no âmbito da edição 2026 do programa. Ao longo desse percurso, os participantes foram preparados para apresentar, em três minutos, modelos de negócio, ideias de serviço ou projetos de empreendedorismo social, transformando percursos de vida e experiências em propostas concretas para o envelhecimento ativo e a inclusão social.

O espírito dos pitches

Os 23 pitches que se sucederam no palco mostraram formatos muito criativos, longe de uma mera apresentação técnica. António Simões, por exemplo, sentou-se e contou uma história: o Gávea, um podcast onde vai recolher e partilhar relatos de pessoas que enfrentaram problemas reais e encontraram soluções, criando um fórum de experiências vividas em vez de simples informação digital. Já Inês Barreto, ao apresentar o projeto CORDA, terminou a sua intervenção dançando durante três minutos, criando um momento profundamente comovente, em que o som, o movimento e a emoção transportaram o público e encerraram o Demo Day com sinal claro de uma comunidade que se reconhece na arte e no cuidado com o envelhecimento ativo.

O Demo Day foi aberto ao público, reforçando a ideia de que estas ideias são para a comunidade. Para além de mentores, investidores sociais e parceiros das entidades organizadoras, os participantes apresentaram também a um painel de feedback, termo escolhido de forma intencional — não é um júri, é um espaço de devolução, aprendizagem e apoio. Este ano, o painel contou com Luísa Bernardes, da Portugal Inovação Social, Ana Carvalho, do Lufapo Hub, José Guilherme Martins, da Coimbra Coolectiva, e Ana Jegundo, do Instituto Pedro Nunes, que escutaram, questionaram e partilharam pistas de melhoria para cada projeto.

Também esteve presente Miguel Antunes, vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra, que destacou o caráter marcante do Fator C’Idade para a própria estratégia de cidade, sublinhando a importância de acompanhar estas soluções desde a sua gestação, em parceria com a Coimbra Coolectiva, a Fundação Bissaya Barreto e o Instituto Pedro Nunes.

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Entre projetos e networking

Os projetos apresentados percorreram temas muito diversos, desde o apoio à independência em casa, como o Lugar de Morar e o HomeAble, até a inclusão digital da população 50+, como o Digital Senior, e passando pela saúde, cultura e bem-estar, com propostas como TeraPãoCultura Faz Bem à SaúdeLinhas que Contam Histórias ou o centro de bem-estar orientado para o público 50+ Gateira Wellness Retreat. Houve também quem apostasse em legalidade e direitos sénior, com o Escritório de Advocacia para Séniores, em soluções de habitação e comunidade, como a Aldeia Ativa 50+, ou em ferramentas digitais avançadas, como o CR.IA Humana para compliance em IA na saúde.

Após os pitches, o Network Session, com coquetel, funcionou como um momento de encontro: os novos participantes partilharam espaço com alumni do Fator C’Idade que estavam na sala a testemunhar como as ideias de uma edição podem amadurecer, encontrar caminho e voltar a sinalizar interesse em novas parcerias e colaborações.

Não é o fim, é o começo da Incubação

O Demo Day não é o fim do percurso, mas sim um ponto de viragem. Em breve, avançaremos para a fase de incubação do Fator C’Idade 2026, em que os participantes que assim o desejarem poderão desenvolver ainda mais os seus projetos, com apoio, mentorias no terreno e acompanhamento. Em artigos ao longo do ano, vamos dar a conhecer em pormenor o que move cada uma destas pessoas, como os seus projetos ganham forma, como enfrentam obstáculos e como vão, pouco a pouco, transformando a cidade de Coimbra num ecossistema mais inclusivo, criativo e atento ao envelhecimento ativo.

Fator C’Idade é um projeto do Instituto Pedro Nunes, da Fundação Bissaya Barreto e da Coimbra Coolectiva. São investidores sociais do projeto a Câmara Municipal de Coimbra, a Climacer, a Black Monster Media e a GEHC – Global Elderly Health Care. A operação Fator C’Idade – Empreendedorismo Sénior e de Impacto em Coimbra é apoiada pelo Portugal Inovação Social, pelo Centro 2030, pelo Portugal 2030 e pela União Europeia. Os Fundos Europeus Mais Próximos de Si.

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Nasci em Belém, vivo em Coimbra e me reinvento constantemente entre projetos. Comecei na RUC – Rádio Universidade de Coimbra, vivi o ritmo acelerado da Rádio CBN na Amazónia e me apaixonei pela ponte entre Ciência, Comunicação e Sociedade durante a especialização em divulgação científica na Fiocruz. Agora, enquanto doutoranda em Ciências da Comunicação, continuo jornalista porque gosto de contar as histórias das pessoas. Para mim, histórias sonoras são as melhores, o que me levou a criar o podcast investigativo narrativo O Caso Boaventura. Escrevo guiões e faço pesquisas para cinema documental. Aprendo as regras do rugby com o meu filho e continuo convencida de que o melhor perfume do mundo vem do patchouli. Sigo fiel aos jornais de papel, às séries true crime para espairecer e à frase de Cláudio Abramo que melhor define o ofício: «O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter.»

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